sábado, 12 de outubro de 2013

Da Natureza de Todas As Noites


Nenhuma noite sorri - todas choram
Seus habitantes são tristes - todos vivem
E viver e chorar faz parte do jogo
Do jogo que caiu na lama
E nunca mais pode se limpar...

Nenhuma noite é boa - todas tem medo

E não luzes suficientes - inútil lua
E correr é esforço feito em vão
Porque todas hão de correr sempre
Mas nunca chegarão ao final...

Nenhuma noite tem pena - são cruéis

Sua crueldade é sutil - muitos não vêem
Viemos da escuridão líquida
Iremos para uma outra escuridão
Qualquer hora dessas...

Nenhuma noite é certa - todas pecam

Mas são pecados inocentes - gozo e erro
Quem inventou a treva já sabia
Que dentro dela velhos sonhos
Agonizariam sem morrer...

Nenhuma noite nos escapa - é nossa presa

As manhãs em geral lindas - todas morrem
Mas as noites permanecem nos olhos fechados
Nos escondem de nós mesmos
E enfim acabam nos salvando...

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Eu Vi A Água

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Pois é, eu vi a água...
Nos seus tons de vida e nos seus tons de morte...
E ainda sei contar um pouco
Como foi cada um deles...
Era muito tempo sem fazer contas
E era um dia de muitos sóis
E um mar tão e tão bonito
Que quase me comeu
Com um telhado de vidro e mais nada...
Estou em estranhos braços 
E mais nada...

Pois é, eu vi a água...

Nos seus tons de vida e nos seus tons de morte...
E ainda sei contar um pouco
Como foi cada um deles...
Foram rostos grandes e sem sorrisos
E mesmo assim o auto rodava 
Por tantas ruas que não sei
Ele me levava e me levava
Em incontáveis contas
Para uma disfarçada tristeza
E mais nada...

Pois é, eu vi a água...

Nos seus tons de vida e nos seus tons de morte...
E ainda sei contar um pouco
Como foi cada um deles...
Não havia frio e nem havia calor
Apenas ruas e ruas na solidão
E aquela água fininha no rosto e na roupa
Era um só e seu caminho
E se há mais alguma coisa nem sei
E agora já é tarde pra isso
E mais nada...

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Relógio


O relógio não conta as horas...
Nós é que contamos...
O coração não ama...
Nós é que amamos...
O tic-tac nos encanta...
Nos hipnotiza...
E o tempo vai passando...
E nem avisa...
Ninguém viu o que devia...
Ninguém percebeu...
Estávamos parados...
E ele correu...
Ele correu bem depressa...
Não alcançamos...
E quando vemos...
Então choramos...

O Alvo - Entreato

Resultado de imagem para alvo com dardos
O alvo está marcado
Acerte
O foguete está mirado
Aperte 
É o que você pode
Queira não queira
E tudo explode
À sua maneira
A televisão te chama
Ligue
Ninguém te ama
Nem brigue
Não tem o que explicar
Aceite
E quando chegar
Se deite
Estamos ainda vivos
Até quando?
Não há mais motivos
De estar chorando
Economize água
E a vista
Some toda mágoa
Sem deixar pista
O jogo acabou
Caiu o pano
O que nos restou
Ainda é humano
É uma rima alheia
Rima sem par
E vem a lua cheia
Pra se uivar
Não disputemos letras
Total ou parte
São muitas as tetras
Vindas do deus Marte
A mesa está posta
A sorte lançada
Não há resposta
Pra mais nada
Eu se há alguma
Nem percebermos
Pois há uma bruma
E morremos... 

domingo, 6 de outubro de 2013

Insaneana Brasileira Número 9 - Colar de Maravilhas



os meninos brincam sempre e sempre em dias úteis ou não é o cordão é o brinquedo é o folgedo é o balão mesmo quando não se rima doidevaneano e caindo e rolando no chão caso queiram me telefone mandem e-mail ou torpedo é tarde eu sei mais ainda é cedo mesmo com frios novos e ainda alguns disparatos eu vim eu vi eu estava lá no começo da criação e outros nomes eu estava lá fazendo coro com as carpideiras usando todo sal do mundo é tudo questão de tática mais tristes que os tristes são os alegres o choro continua mas o riso morre cada que faça seu papel é só questão de tempo para que as palavras cessem e morra toda forma de tato e contato é o que é não mais que isso sem problemas é só virar o rosto para a parede e dormir o sono enfim chegará sem outros nomes senão esses é o que tem do banquete aquilo que restou do colar e olha que eram tantas as contas um vridro melhor que o outro todos eles em indeterminadas cores modernidades quando muito novidades diárias e previsíveis para todos os gostos de tribos por que não dizer? são cálculos voando que nem passarinho em estreitos céus estes que ficam nos entreprédios de qualquer cidade do mundo malfeitos ou benfeitos isso não importa muito morenos olhos me olham o tempo todo e não há como parar são só como beijos alguns ou muitos dependendo da ânsia de quem os dá eu provei de alguns gostos e não os esqueci mais anotem tudo aí coloquem num único fio e exibam a maior obra da não-criação porque nada muda mesmo que assim o seja a mesma peça de teatro é representada aos milhões mas ninguém se acostuma tudo é novo e trágico como sempre tudo é efeito e defeito se olhado por um algum ângulo qualquer nada há como é só mesmo palavras esquecidas marcam verdadeiros sinais não somos mas fomos e assim mesmo sem nada o que ter somos donos desse colar de maravilhas...

sábado, 5 de outubro de 2013

Insaneana Brasileira Número 8 - El Signo de Vidro


quebrou não há conserto os pedaços estão aí pra quem quiser ver tudo está aí como sempre foi bebamos em paz por todas as dores mortas em bandos ou não é pura astúcia esta sobrevivência clara como o aço de noturnos punhais sob a manga da camisa façamos as contas e rachemos a dívida quem trouxe outras histórias que conte e o mais é o mais não há como reclamar até o próximo dia e mesmo assim se não tivermos pena alguma pois os dias são dignos de pena ou de festa é cerveja o que está no copo é vida que escorre pelos dedos é areia é uma ampulheta que de tempos em tempos vai mostrando tudo o que não se mostra ah que coisa maravilhosa tudo que queríamos se quebrou pelo caminho foram acidentes de percurso como tantos outros enquanto os cabelos mudam de cor e de lugar e hoje somos mais honrados do que nunca as máscaras não caíram estão mais aderentes do que nunca elas viraram pele e nunca mais nos deixarão até que a morte nos separe é tudo assim e assim será não sabemos a origem mas a causa não conhecemos Deus mas batemos papo com o Diabo todos os dias quando a ligação é de graça vamos suspirar em vários tons porque artistas somos e onde estivermos aí será que seja tal qual e eu me esqueça de alguma coisa afinal quebrou não há conserto tudo está longemente perto como frases de efeito num discurso de um fôlego só isto é tudo não há como evitar são outros versos que indicarão quem foi o melhor apenas faremos comentários de compromisso em todas as conjugações do verbo não fui eu que me culpei por tais delitos tomem nota aí que mais um dos cavaleiros andantes encerrou sua marcha são verões em outras vidas talvez e quem sabem a suavidade de um vinho raro em outras andanças nunca pese o ar e nem as botas de sete léguas a alma é imortal demais para ser compreendida ser sentida já basta...

Insaneana Brasileira Número 7 - Leia Logo Essa Sentença


leia logo essa sentença não há mais tempo e a chuva evem aí as moscas ansiosas estão e não param de pousar é quinta-feira ou é sábado ou ainda mais um dos cinco que me aconteceram foi de noite isso eu sei os cristais ainda estavam intactos na velha cristaleira que dormia na sala comum de um velho tédio ontem bacurais metiam medo e hoje tudo passou a anestesia pegou e os gás subiu e nada mais importa aqui ou lá nem sei bem esquecemos a fórmula de invocação e ainda não relembramos é simples muito simples há dois tipos de pessoas os réus e os condenados estejam eles em que lugar estiverem viva a luz de borboletas mortas antes do tempo que deixaram flores órfãs ou viúvas não adianta dizer qualquer coisa decorado ou de improviso façamos silêncio porque hoje como ontem e amanhã é carnaval me dê aí o que tiver de melhor até você deixe que eu conheça cada centímetro como um louco que percorre antigas ruínas em busca de seu mais querido tesouro as mãos tremem é bom saber velhas novidades enquanto ainda se pode finalmente descobri a fórmula mágica mesmo com frio poderia aquecer minh'alma até o final não me chame já é tarde demais e eu não gosto de despedidas pequenas em outros lugares poderei beber meus tragos de caubói atenham-se à isso só chove em dias de chuva mas o sol é soberano assim mesmo olhem com bons olhos tudo o que for tudo que existir tudo que estiver ao seu alcance daqui um pouco não há mais olhos e nem flexões corretas para verbear eu quero e basta inverter todas as possibilidades possíveis mesmo que inviáveis até não poder mais leia logo essa sentença me mande logo pro exílio um exílio ali perto onde estão algumas felicidades até a felicidade de ser igual ao diferente em todos os minutos que sobram nos bolsos da velha calça jeans... 

Carliniana CXXXIII ( O Grão Nosso de Cada Dia )

Cada dia um grão... Olha o trem chegando na estação! Vou no armarinho comprar uma estrela de papel Vou colocar as velhas asas pra poder entã...