sábado, 14 de setembro de 2024

Mala Sem Valsa


Pois a soma dos catetos é para caititus

Que tomavam cerveja e andavam nus

O nariz dela parece a Ponte Rio-Niterói

E cada pelo pubiano ainda que dói

Arranquei meus cabelos de pura alegria

Enquanto vomito o vinho todo na pia

Essa é uma catira boa e eu não nego

É melhor n]ao enxergar que ser cego

Eu agora só ando bebendo se no gargalo

Desde o tempo que titia comia galo

Eu faço aquele corno sambar na brasa

Qualquer inferno agora já virou a casa

Os filhos fizeram filhos e assim se foi

No meio da gelatina mandaram um boi

No meio do feijão veio uma cavaca

E dia desses quase passeei de maca

Caracóis caramujos dito cujo e caramelos

Eu troquei os mais feios pelos mais belos

Temos todos os melhores venenos caseiros

É só pagar desde que seja só em dinheiro

As baratas agora estão curtindo o barato

E a nova moda vegana é churrasco de gato

Vamos comer frutas verdes lá do Afeganistão

Enquanto somos pegos por nossa combustão

A minha e a nossa vida é uma mala sem alça

E quem acaba nos caçando é a própria caça...


(Extraído do livro "Maluqueci de Vez" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Tico Butico

 

É pico no pico né?

Né não Zezé.

Hoje tem arroz.

E depois? 

Amanhã tem não!

Viu, mandrião?

Minha conta tá contada.

Zeros fora? Nada.

Ficou rico?

Vai beber no penico!

Ficou legal?

Vai cagar no quintal!

Ficou maneiro?

Vai morar no chiqueiro!

Gabunda cega!

O Diabo que te carrega.

Até tua mãe te nega.

Desgraçada sem prega.

Tá beleza?

Vai deitar na mesa.

Tá leitão?

Assim é que é bão!

Bão de tacho e bão de rima.

Explode ou sai de cima.

Bebeco mora no beco?

Não me deixa seco!

Faça logo um sanduíche

E capriche.

Caprichado e zarolho.

Te dou um porrolho!

Morreu dona Zozó! 

Hoje tem cachaça em pó?

É cacuruco no boteco,

Meu estômago faz eco!

E Dedeia tá tão feia.

Tá comendo até areia?

Hoje tou tão esquisito.

Tou rezando até mosquito!

Galinha boa, galinha choca

Não me faça mais fofoca!

Agora cada crocodilo

Só pesa um quilo.

Meio quilo não!

Juro pelo teu irmão.

Gramuchima de peitão.

Lanterninha de cinema.

Já não tem mais nem poema!

Cadê o seu Pitumba?

Foi ali dançar a rumba.

Cadê meu bode caramelo?

Foi ali calçar chinelo.

O passarinho tá cantando.

Eu tou aqui esperando?

É pico no pico né?

Né não Zezé.


(Extraído do livro "Maluqueci de Vez" de autoria de Carlinhos de Almeida).

sexta-feira, 13 de setembro de 2024

Carliniana LIX ( ... Um Quase Vento )

Há vários ventos... 

Uns comuns... Outros não...

E nós: desatentos...

Foi por pura exaustão...


Toda folha caída...

Uma folha... Uma vida...

Uma folha... Um sonho...

Ou um pesadelo medonho...


Há vários ventos...

Uns malvados... Outros não...

Como desalentos...

Aqui no meu coração...


Toda poeira jogada...

Uma poeira... Um nada...

Uma poeira... Pequena...

Que sufoca ou envenena...


Há vários ventos...

Uns covardes... Outros não...

Como elementos...

Da minha total extinção...


Era tudo um quase vento...

Carliniana LVIII ( Couro e Ossos )

Palmas dadas ao acaso

Enigmas distribuídos à granel

Curas magnânimas para nada

E cada um cumprindo o seu papel...


Brisa suave que vem pelo ar

Brisa suave que vem lá do mar...


Risos que vieram de mim

Brincadeira de qualquer um gosto

Meu coração que bate fora do peito

Máscara que não cabe em meu rosto...


Silêncio quase que absoluto

Silêncio quase terno e porém tão bruto...


O cavalo disparou na estrada

Minha vontade acabou de entrar no cio

Tudo alegre como uma grande festa

Tudo tão triste quando o mercado está vazio...


O primeiro pássaro que canta ao dia

O primeiro pássaro na manhã quente ou fria...


Todas os vivas agora para o palhaço

A última vontade antes da minha execução

O monstro emergindo sem ter uma lagoa

As roupas rasgadas para a nova estação...


Brisa suave que vem pelo ar

Brisa suave que vem lá do mar...


O que sobrou? O meu couro e os meus ossos...

quinta-feira, 12 de setembro de 2024

Triste Espetáculo

Sem lona,

Sem picadeiro,

Sem plateia...


A existência - um grande circo

Em que todos se confundem

Na roda interminável dos dias...


Sem mágico,

Sem domador,

Sem palhaço...


O mundo - uma grande injustiça

Onde todos somos vítimas

E a morte vem buscar todos...


Sem bailarina,

Sem trapezista,

Sem mágico...


A rua - o maior de todos os desafios

Onde qualquer surpresa nos espera

Seja ela a melhor ou a pior de todas...


Sem banda,

Sem alegria,

Sem apresentador...


O silêncio - mesmo se feito de muitos gritos

Guarda histórias e segredos inconfessáveis

Para um futuro que não mais existirá...


Sem leão, 

Sem elefante, 

Sem macacos...


Nossa nudez - acabou de vez o espetáculo

E apenas existirá o silêncio da expectativa

Se haverá ou não mais um espetáculo...


Sem lona,

Sem picadeiro,

Sem plateia...


(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Alguns Poemetos Sem Nome N° 295

Na noite escondo-me que nem covarde pois a escuridão não foi feita para os corajosos, apesar de todos os seus riscos. Na noite procuro meus sonhos, sonhos estes parecidos com pesadelos que acabei nem percebendo. Na noite sou gato, sou rato ou pássaro qualquer que voa sem ver nuvem alguma em céus com luar ou não. Os dias sim, estes são tão malvados...


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Me viciei em reticências, me viciei sim. Elas são abrigos, são caminhos mais seguros. Escrevo reticências sim, muitas delas, como quem não desistiu de lutar por sonhos quase impossíveis. Acredito numa continuação, mesmo quando a dúvida consome a cabeça. Quando não sei no que acredito ou não acredito. Elas são como as máscaras que usamos para nos defender da maldade que não é a nossa. Me viciei em reticências, me viciei sim...


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Onde estarão vocês? Todos esses rostos que vi com nitidez num dia tão distante. O tom de voz que acabei guardando feito cicatriz em minha pobre pele. Mesmo com toda essa distância, não os esqueci. Mesmo quando alguma detalhe de menos importância acaba fugindo de minha pobre mente. Espero que esteja bem, que tenham vivido aquilo que queriam, que tenham algum sonho realizado. Onde estarão vocês?...


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Basta um pouco de alegria, só um pouco, para que a velha máquina continue funcionando. Basta um pouco de coragem, só um pouco, para que a boca não se cale diante a maldade que manda no mundo. Basta um pouco de loucura, só um pouco, para que meu canto permaneça pelo ar por toda eternidade sem fim. Basta um pouco de malícia, só um pouco, para que eu não deixe de pensar nos beijos que eu não te dei e tanto queria. Basta um pouco de verdade, só um pouco, para que esses castelos feios desabem de uma vez como o que foi prometido. Basta um pouco de alegria, só um pouco...


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 Ventos calados ou não, mas disfarçados pelo manto das noites que sejam as mais escuras. Tempos em que o silêncio cala muitas vozes de uma humanidade quase sempre cansada. Eu ainda estou por aqui, cansado e teimoso como sempre. O que faço agora? Também procuro algumas palavras para poder eternizar de um jeito qualquer...


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E os malvados chegaram em bando. Com suas caras cínicas de quem são bons, mas nunca foram. Com suas propostas nefastas para enganar todos, mas não conseguiram. Com suas armas apontadas para todos inocentes, mas acabaram errando. Com seus discursos de falsos moralistas, mas isso também não deu certo. Com sua poesia vã e sem graça, mas a plateia acabou vaiando. Eles eram teimosos, muito teimosos e já insistiam desde muito tempo. Até que a morte foi pegando de um em um, assim como faz com todos. E os malvados foram embora em bando...


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Nunca mais seremos o que fomos. Cada segundo é uma eternidade que faz tanta diferença. Somos como rios. A água que passa não será nunca mais a mesma. Os passos já foram dados assim como as palavras já foram ditas. Todas as variações acompanham todos os temas. Os meninos são esperados pelos velhos e as desesperanças acabam uma hora chegando...

quarta-feira, 11 de setembro de 2024

O Grande Banquete

Guardamos as sobras do almoço para o jantar

Mostramos as mentiras do sistema para nos justificar

Para nosso falso pudor mostramos nossa falsa moral

Para esconder nossa dor fazemos mais um carnaval


Comemos todas essas sobras com grande avidez

Não querendo imaginar que um dia será nossa vez

Toda carne serve para isto! Toda carne será comida

O que não é comido na morte antes será na vida


Preparemos nossos talhares para esse grande banquete

Já mandaram nosso convite já escreveram um bilhete

É tudo apenas mais uma questão de sobrevivência

Sem milagres da fé que não temos ou mistérios da ciência


Guardamos as sobras do almoço para o jantar

Mostramos as mentiras do sistema para nos disfarçar

Para nosso falso pudor mostramos nossa falsa moral

Para esconder nossa dor porque isso nos faz mal...


(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).

E Quem Sabe?

E quem sabe (mesmo não sabendo) o que o destino nos aprontará amanhã de tarde madrugadamente em nuvens desenhadas num papel na tela do meu v...