segunda-feira, 13 de julho de 2020

Enquanto A Tristeza Não Chega

Menino Com A Rosa Vermelha Distinta Figura Do Homem Novo Em Uma ...
Prepare-se...
come os restos de alegria
que ainda sobram no prato
ela se tornou coisa rara
nos dias sombrios que chegam
mesmo ainda sem ter tempestade...

Arrume...
a fantasia do carnaval
que ainda não chegou
espera com alguma calma
se ele não chegar não tem importância
a espera também tem seu valor...

Relembre...
todas as histórias são suas
só você conhece de verdade
cada momento que passou
você foi o autor de cada um verso
e correu o risco de cada aventura...

Descanse...
a tristeza tem os seus cansaços
seus vários becos sem saída
muitos enigmas sem ter solução
e se choramos ou resistimos
ela sempre cumpre seu papel...

Ame...
vai se acostumando com a verdade
de que o amor está em toda hora
ele só morre quando acabado
não se importa com os espinhos
e até acha graça em alguns deles...

Feche os olhos...
se não conseguir mais dormir
pelo menos finge que está
a tristeza é feroz mas é covarde
na primeira flor ou sopro de brisa
de repente ela até vai embora...

domingo, 12 de julho de 2020

Sem Palavras

Retrato Do Close Up Do Menino Confuso à Nora Mudo, Braços Pedindo ...
Sem palavras...
perdido num labirinto
como quem perde a alma
e nem no céu nem no inferno
vai poder encontrá-la
novamente...

Sem palavras...
como num triste ofício
de matar seus sonhos
sem ter pena alguma
sem nenhuma lágrima
imperceptivelmente...

Sem palavras...
igual à uma fera noturna
vagando numa floresta
composta de suas ruas
caçando a si mesmo
implacavelmente...

Sem palavras...
um mudo e seus gestos
com confusos pensamentos
parado feito cena no ar
tentando entender
inutilmente...

Sem palavras...
dormindo um sono pesado
sem sonhos e sem pesadelos
apenas numa solidão escura
que nada dóis mais
mortalmente...

Sem palavras...

Aperreio

8 dicas simples para lidar com a birra das crianças
Tu num sabe, mandrango? Ah, pois deveria saber. É a vida, malesto, é a vida! Esse nó de novelo enroladinho que gato lambe até os beiços de tanto gostar. Tão complicada que simples é. Tão cheia de pergunta que parece caderninho de estudante. Capa caprichada e cada garrancho que só Deus mesmo. 
Na hora do embarque não tem me dá aí o sal, tem disso não, era uma vez e pronto. Não tem chora meu nego e nem mais um. É madeira de dar em doido e em quem tava quieto. Quem sambou, sambou. O pau quebrou. Sem sombra e nem lombra. Desceu redondo na coisa.
É aquele teatro e como! Desmaio pra lá, desmaio pra cá, parece até hora de pechincha grossa. O pato sai correndo por falta de pagamento, sim, senhor. Todo mundo comeu, mas ninguém viu. Dá vontade de cair no redondo rindo de tudo e por tudo também. Cadê o rei? Pois não tem trono certo,meu ruim. Quem canta a pedra nem acerta, olha eu aqui pra dizer isso.
Assim, assim, assim, veio sem reparo e ninguém repara. É tudo enguiçado mesmo, raça ruim, destrambelho só. Míngua tudo,estraga tudo e nem tá aí. O palhaço tropeçou, caiu. É tudo mesmo assim. Se for reparar fica abestalhado mesmo. É só deixar que ele morde e arranca pedaço.
O hoje é o amanhã dormido. Anota aí, seu milingo de testa oca. Quem ri muito, tá é de mentira. Nem piada enche o bucho do cara, só tapeia e muito mal. A mãe do ouriço é que sabe. O bebé chora de hora em hora. Acaba com o sono dos justos e dos motoristas de táxi, é com certeza, meu bem.
Quer correr perigo? Queira. Mais fácil que isso só aipim cozido bem quente na boca do malandro. Não dá nem chance de fazer pose. Bico então nem se fala. O bonito vira feio, o daqui vira estranho. Caneta velha escreve ou não, mas sempre tem alguma serventia. É que nem faca quebrada segurando vidro de porta, isso é.
Vontade é o que dá e mata. Olho grande cai no chão. Quem bebe demais se afoga até no seco. Só que o pior é que só se sabe isso no fim da curva, aí não há mais freio, nem botando o pé no chão. Se bota, perde o resto. A casa vai abaixo, nem chupeta resolve.
Engasgou? Come farinha. Agora sim, tem mais um motivo, seu réquio babaca. Deixe eu cá com meus entremeios, seu moleque! Não gasto o meu latim porque não tenho. A casa do pombo é o mundo, ele que é esperto, não paga imposto e papa de graça. Gato faz parte do tropeço. Isso mesmo.
Se dói, doeu. Faz parte das partes. Muita cura é só costume, o espinho se cansa e vai pra outro. De resto não sobra nada, tudo é da mesma fôrma, pão, pão, não, não. Riqueza pouca é bobagem. É pedra oitenta, a noventa já acabou faz tempo. Virou cana surripa, é o que se tem, meu bem.
Aguentar bala zunindo que nem mosquito só pra quem tem diploma, sai sambando que nem periquito mandeixo e olhe lá. Só cego é que vê bem. Ferrugem agora é o vento, de peruca e tudo, só quem sabe é o jacaré, de chuteira também. Faço votos que sim. 
Por falar em voto, já saio correndo, comigo não! De mandreio já chega o meu, seu doutor. De vela a encruzilhada lotou. Uma pede licença pra outra. Eu misturo tudo e acaba dando certo. Mais uma aí pro cabra aqui, não tem jeito mesmo, só eu pra aturar esse candengo demais. Faço o que eu quero até quando não quero. De exagero pra lá de lá. 
Pouca coisa se espera da cueca tirada, meu nobre. Até caixote de bacalhau vai bem, nem mais pro lado e nem pra cima. Tudo fica espalhado que nem meu quarto quando a preguiça bate (dia sim, outro sim), nem dá pra fazer nada. Desliga tudo de uma vez, não tem chora mamãe, não. Aí, só uma muda de roupa basta, olha que nem é pijama...

(Extraído do livro "Insano" de autoria de Carlinhos de Almeida).

sábado, 11 de julho de 2020

Não Tem

Fazer xixi fora de hora tem solução | Bebe.com.br
Não tem comida, não tem lar,
não tem saída, não tem amar,
sem despedida, é só chorar...

Não tem nexo, não tem razão,
não tem sexo, nem tem tesão,
tudo é complexo, na escuridão...

Não tem teto, não tem abrigo,
nada é discreto, tudo é inimigo,
tudo incompleto, tudo antigo...

Não tem água, nem tem mar,
não tem mágoa, é só matar
o rio deságua, é só esperar...

Não tem cabeça, não tem pé,
não me apareça, perdi a fé,
antes que cresça, é como é...

Não tem mistura, é sem pureza,
é só mata escura, acabou a certeza
o que mata e cura, mesma natureza...

Não tem nem mais eu, nem nós,
a vida morreu, o tempo é veloz,
o sonho perdeu, ficamos tão sós...

Não tem bebida, não tem lar,
não tem guarida, não tem amar,
a razão dessa vida, é só chorar...

Preocupações Numa Manhã Fria Quase Quente

Menino triste - Fotos de arquivo - #2189143 - Banco de Imagens ...
Tudo é festa...
Ao seu modo, ao seu jeito, mesmo quando a morte anda pelo meio dos homens, procurando a sua mais nova tarefa. É uma brisa de duplo sentido, quase triplo. Muitos passos ainda serão ouvidos por estas ruas sujas de qualquer lugar por aí. As tragédias não sabem escolher seus atores. 
Passarinhos indecifráveis cantam em seus particulares idiomas. Os símbolos estão mais do que vivos, nunca duvide disso. E mesmo que hoje (como sempre) algo ou alguém parou, as máquinas em sua ingênua maldade continuam seu eterno movimento. Para criarem sonhos fugazes de um ou outro canalha por aí e matar outras tantas vidas que pendem socorro de forma inutil. 
Na frente de cada tela, olhos compridos de uma desesperança disfarçada. A promessa que será descumprida com pontualidade, o charme indiscreto motivo de altas gargalhadas e um desperdício seco de enormes relógios. O sentido de tudo é como velhos mosquitos que voam perto das paredes pedindo para serem esmagados. 
A maldade é um carnaval que chegou fora de hora, nos pegou sem fantasia e sóbrios demais para comemorarmos o nada que nos aflige. Os palhaços abaixam suas cabeças e se recusam a entrar no picadeiro. Estar vivo é a maior de todas as desculpas. Nossas necessidades brotam até onde não há espaço algum. 
Nossos crimes pedem perdão, não por arrependimento, mas por não poderem ser piores do que foram. Aprontamos e aprontamos muito, como bons meninos fazendo sua lição de casa. Todo brinquedo quebra, toda roupa rasga, todo plano acaba falhando. Isso faz a travessia que todos nós fazemos.
Eu gostaria de falar somente de belezas e alegrias, mas mentir é muito feio para um velho da minha idade. Já gastei todas elas quando era moço em tentativas de vencer obstáculos que, afinal de contas, eu estava enganado pensando que eles existiam.
As minhas escolhas, por mais erradas que fossem, foram as minhas. Tome cuidado quando constrói suas correntes, algumas machucam menos, outra mais. Depende do nosso impulso o quanto doerá de bater com a cabeça na parede. Desmaios existem por quaisquer motivos, por mais absurdos que eles possam parecer.
Toda manhã acaba correndo, o frio está terminando como tantas vezes já acabou. Só as dúvidas devem permanecer para que o nosso ritmo não pare. Enquanto isso os carros seguem desvairados pelas mesmas ruas que tanto falo. Nada pára, apenas disfarça para que nos enganemos com tal ilusão. 
Tudo é luto...

(Extraído do livro "Insano" de autoria de Carlinhos de Almeida).

sexta-feira, 10 de julho de 2020

Filme Curto

Por que não Posso Ficar Vendo Tv? — Por que eu nao posso? — capítulo 1
um filme curto
um curta-metragem
apenas um surto
sem tua imagem
era uma vela
acesa na escuridão
apenas uma janela
o quarto da solidão
um álbum sem figurinhas
um projeto inacabado
não ter nem entrelinhas
o destino marcado

um filme curto
apenas um comercial
um roubo um furto
cadê o meu quintal?
era uma sombra
na imensidão
como aquela bomba
explodiu no Japão
não sobrou nada
ou muito pouco
caí da escada
foi feito louco

um filme amador
uma câmara na mão
a vida é dor
sem explicação
eu faço o que posso
não sei o que faço
já tive um troço
perdi no cansaço
perdi a estribeira
saí do sério
qualquer maneira
é um mistério

um filme perdido
a fita estragou
não há mais sentido
sem o meu amor
já fiz tanta besteira
que até Deus duvida
à minha maneira
é o que chamei de vida
já cometi tanto crime
eu não queria fazer
já acabou o filme
desligue a TV...

quinta-feira, 9 de julho de 2020

Poema Vago Número 4

O Menino e a Pipa | InterTV Web
espirais maciças cobrem o ar de névoa
e os meus olhos perdem todo seu alcance
mal sei se já é dia ou se é noite ainda
e nossa palavra de ordem é a aflição
reconto todos os contos que aprendi um dia
e acabo acrescentando mais algo inusitado
a culpa é dos metais que me deixaram desumano
querendo querer aquilo que eu nunca quis
o vermelho do chão se confunde com outros objetos
e acaba me faltando até o ar para poder gritar
talvez devesse andar por algumas quadras
para poder achar aquilo que nunca perdi
mas a minha volúpia poderia engolir totalmente
todas as areias que encontrar pelo caminho
é tão simples ser o mais complicado de todos
e fingir que não escutei todos os que me olham
atrás da máscara do meu rosto moram impaciências
algumas bem antigas e outras nem tanto assim
a solitude usou o cartão para comprar minha alma
e isso não consigo disfarçar como tantas outras
as teias de aranha crescem de forma mansa
mostrando que a ordem natural das coisas é exata
pequenos insetos passeiam entre a vida e a morte
e como nós não sabem quem virá primeiro
eu só posso ser aquilo que nunca fui antes
e a minha exatidão é repleta de muitas dúvidas
já passei dos cinquenta mas já vivi por séculos
dormindo algumas noites no quarto do mundo
conheço diferentes luas umas boas e outras más
as feridas de minhas paixões teimam em não sarar
os meus olhos nunca foram de poucas palavras
repetem as reclamações do que era e acabou não sendo
as minhas digitais se espalham nas cenas dos crimes
eu caprichei para que isso pudesse enfim acontecer
meus dois cães dormem mansamente no quintal
até que algum movimento da rua os desperte 
sou alguém que não tem muitas saudades
gostaria apenas de repetir muitas e muitas vezes
todos bons e raros momentos que pude viver
é triste saber que o vento tira certos enfeites do lugar
é triste saber também que nossa perdição reside aí
as espirais continuam na sua sucessão interminável
como o maior dos incêndios pelas florestas
enquanto eu fico aqui apenas parado e chorando...

(Extraído do livro "Insano" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Carliniana CXXXIII ( O Grão Nosso de Cada Dia )

Cada dia um grão... Olha o trem chegando na estação! Vou no armarinho comprar uma estrela de papel Vou colocar as velhas asas pra poder entã...