terça-feira, 16 de junho de 2020

Toda Profundidade É Banal

Menino com sono em fundo amarelo | Foto Grátis
Talvez seja apenas um vazio
pelo compromisso que assinei
e nem me lembro mais
Ando mal de tempos...

Não mudou nada afinal
apenas olhos é que mudam
pelas circunstâncias
É questão de sobrevivência...

O frio é um grande vazio
que machuca sem tocar
e isso sucede sempre
Desesperos são isso...

Toda profundidade é banal
e um dualismo rodopia
nos deixando tão tontos
A loucura é um conceito...

A maldade é um suicida
que aperta bem a corda
e gosta de pular do alto
Nada deterá seu pulo...

Todo mistério é claro
as perguntas respondem-se
mesmo antes do ritual
Apenas um beijo nas faces...

O amor acaba vestindo
de diferentes uniformes
de cores mais discrepantes
Quem voará agora?

Bandeira branca sem paz
arma escondida sob panos
correr perigo é normal
Quem respeita regras?...

Assim...

Devora-Me

Édipo – Wikipédia, a enciclopédia livre
Devora-me ou te decifro, o tempo acabou sendo meu fiel aliado, com ele sigo devagar o meu caminho, mas com certeza nunca mais irei parar...
Devora-me ou te esmago, a beleza de tudo invadiu-me os olhos, até na escuridão existem mil luzes e a noite se tornou a mais fiel de todas as amantes...
Devora-me ou te espanco, eu já me acostumei que tudo pode ser bom e mau ao mesmo tempo, a dose certa pode nos salvar da morte ou apenas nos matar...
A dor acaba enfraquecendo as ilusões, as feridas cicatrizam-se bem mais rápido. Não possuo mais medo deste teu deserto, carrego um bem maior aqui debaixo da camisa...
Devora-me ou te oprimo, como o capataz sem piedade do chicote ou o como o carrasco que brinca com a forca, as minhas cores agora são tão nuas e a rudeza tomou minh'alma...
Devora-me ou te exponho, mostrarei teu corpo em praça pública, a tua malícia já não me serve e a minha importância agora só é direcionada para minha ternura...
Devora-me ou te castigo, te darei a indiferença que mereces, a indiferença dos pássaros para as alturas ou das pedras com o cair dos mais fortes temporais...
A vida é apenas representação da morte, nada deve ser lamentado ao extremo, o valor exato de tudo é o que nos damos, nada vem com etiqueta mostrando seu preço...
Devora-me ou te estrangulo, seus argumentos não são mais válidos, a vaidade pagou-me suas dívidas de engano, e posso ver mais tranquilamente tudo como é e não como acho...
Devora-me ou te extermino, teus rastros não serão mais vistos pelas areias da imensidão do meu pensamento, não faço mais castelinhos para a maré quando subir...
Devora-me ou te invalido, assim como velhos produtos que não foram reclamados, o mofo que dá nas roupas e o limo que sobe pelas paredes tornou-se teu sarcasmo uma arma antiquada...
O show já vai começar, sempre começa e quando termina recomeça de novo, a teimosia é o meu prato principal, podendo comê-lo até o final ou não, isso tanto faz...
Devora-me ou te decifro, tudo acabou se invertendo...

segunda-feira, 15 de junho de 2020

Ossos Quebrados

Ossadas são achadas dentro de sala em escola de João Pessoa ...
Meus ossos quebram-se 
como um brinquedo velho
na mão do menino de rosto sujo
Não posso mais caminhar
como um peregrino 
que acabou caindo no pó
A saudade veio me visitar
para rir de minha dor
mas acabou cuspindo-me
São tantos os enigmas 
que acabei me transformando
apenas em um deles
Aquilo que procuro
já não me importa mais
foi apenas um mero capricho
Tudo o que me doía 
perdeu a sua importância
e eu zombo de mim mesmo
Não existem grandes batalhas
pra se comemorar
sinto tudo tão pequeno
Todo plano acabou falhando
tanto os meus quantos alheios
toda mentira a si engana
Meus velhos óculos
estão com as lentes sujas
e a distância se igualou
Acho que ontem mesmo
haviam algumas novidades
mas tudo em si envelheceu
Não me procure mais
na lista dos pacientes
eu nunca estive bem
Talvez eu durma docemente
sem mais me importar
com meus ossos quebrados...

Impressão

Foto de Retrato De Doze Anos De Idade Menino Com Olhos Fechados e ...
Não vejo
os olhos enganam-me da forma mais crítica
a possibilidade é a piada do século
a beleza de formas e cores
apenas dependem de mim...

Assim sempre o foi e assim sempre o será...

Não ouço
meus ouvidos são mais traiçoeiros comigo
ele é uma grande trocista profissional
até no mais completo silêncio
escuto canções silenciadas da alma...

Assim sempre o foi e assim sempre o será...

Não falo
a boca falou melhor quando em silêncio
as feridas engoliram meus gritos
cada segundo tem um segredo
e todos eles são uma sinfonia...

Assim sempre o foi e assim sempre o será...

Não cheiro
cada aroma é um mais fiel estranho
que confundem minha cabeça
e alguns me atacam
e outros me defendem...

Assim sempre o foi e assim sempre o será...

Não degusto
os travos na boca sempre atrapalham
o mais comum da existência
é aquele sal das lágrimas
que escorrem dos olhos...

Assim sempre o foi e assim sempre o será...

Não tateio
assim como aquele cego sem paredes
irei e irei somente andando
não existe alguma regra
para cair e levantar...

Assim sempre o foi e assim sempre o será...

Não penso
apenas me iludo em falso consolo
acho que conheço algo
mas é a pura verdade
que sou quase um nada...

Assim sempre foi e assim sempre o será...
Pensei que podia sonhar
mas isso foi pura impressão...

Cores da Tristeza

Choro Olho | Baixe Vetores, Fotos e arquivos PSD Grátis
A tristeza não tem cores...
É mentira!
Quando muito
carrega o cinza pesado
de nuvens sem olhos...
Quando muito
suporta a alegria sem motivo
dos muitos cegos...
Quando muito 
parece o sujo de águas
em muitas bocas...
Quando muito
despreza o barulho
de muitas bombas...
Quando muito
finge não ver
a maldade de muitos...

A tristeza não tem cores...
É mentira!
Quando muito
recebe o ultraje
da boca dos tolos...
Quando muito
arranha paredes
sob um desespero...
Quando muito
enferruja o metal
de muitas celas...
Quando muito
guarda a paciência
dos amores traídos...
Quando muito
tem a força dos covardes...

A tristeza não tem cores...
É mentira!
Quando muito
a próxima dose
que alegra o fracassado...
Quando muito
maquia as rugas
da velha prostituta...
Quando muito
apressa os homens
para a morte...
Quando muito
é a velha trama 
mal acabada...
Quando muito
é o sem tempos
de todos explorados...

A tristeza não tem cores...
É mentira!
Porém suas cores são muitas...

Metrópole-Necrópole

Um raio-x da situação de moradores de rua no Brasil
Vejo em quebrados dedos
um choro bem diferente
Os choros são escutados
mas esse não
Choros de calçadas
de mão estendidas
De cobertores velhos
de cama de papelão
Marquises disputadas
grotesca celebração

Vejo em unhas sujas
dedos calejados
Por simplesmente viver
ou viver não
Roupas sujas
carnes maltrapilhas
Tudo dá na mesma
velha nova invenção
Morte e suas facetas
desumana população

Vejo em infâncias mortas
um riso sem motivo
Tudo é um perigo novo
tudo é um não
Roda louca
a cola no nariz
Se passa a vida
vem a alucinação
É tudo que temos
nessa destruição...

domingo, 14 de junho de 2020

Resumo Sem Ópera

Viagem pela Amazônia inclui ópera de Puccini no Teatro Amazonas
Invisível ser humano
assim quase o foi
É o que a nossa cara-de-pau
oferece sob desculpas
A nossa assepsia 
é bem pior que o lixo
A nossa falsa moral
ofende mais que o cabaré
Todas as moedas 
não preenchem um caixão
Há erros e erros
perdoáveis ou não...

Ferida aberta
as moscas pousando
E o sol queima a cara
do mendigo sem teto
Até os menos ruins
tem vergonha da natureza
O que nós somos?
o que não deveríamos ser
Um pedido mudo
até um tiro é desperdício...

Virem a cara
o cheiro persegue narizes
São simples sonhos
quem dera o comum
Correntes invisíveis
mais curioso panorama
Nem o diabo
inventaria a comodidade
Não há teatro
mas somos todos atores
Eu sinto comichões
pelo velho corpo...

Tudo apagado
não há mais lâmpadas
O remédio fez mais mal
que a própria doença
Poeira ou pó
escolha loga o que quer
Meras desculpas
dignas de xingar a mãe
Cale essa boca
não há resumo da ópera...

Carliniana CXXXIII ( O Grão Nosso de Cada Dia )

Cada dia um grão... Olha o trem chegando na estação! Vou no armarinho comprar uma estrela de papel Vou colocar as velhas asas pra poder entã...