sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Céu Bobo Sem Prata

Resultado de imagem para menino olhando o céu
a solidão também mata
eis-me aqui
sem ter onde fugir
minha ilusão barata

onde é que estou?
estou num pesadelo
aflito sem apelo
pouco me restou

a maldade me desacata
eis-me estendido
quem dera ter fugido
dessa minha ingrata

onde é que eu sou?
choro todo o dia
sem sua companhia
nada assim restou

o amor é uma chibata
eis-me aqui a ver
um mundo sem você
um céu bobo sem prata...

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Aquilo Que Eu Queria Dizer e Não Disse

Resultado de imagem para menino mudo
A boca ficou calada no último instante
É pena... Me faltou a voz...
Gostaria de gritar como alguns poucos
Mas é a vida que segue adiante.
Que os pássaros cumpram sua tarefa
E alegrem mais um dia triste...
Não sei se as palavras sairiam bonitas
Como um tempo julguei até ser
Ou sei feias como a minha alma agora...
Aquilo que eu queria dizer e não disse...
Aquilo que eu queria falar e não falei...
Que eu queria fazer parte da sua turma
Porque afinal eu não era tão sério assim...
Eu que sempre tive medo de estender a mão
E a coitada ficar pendente no vazio...
Não adiantou meu gesto amedrontado
Porque hoje sei que a vida tem duas respostas
Não existe o meio para a maioria das coisas...
O olhar ficou o mais tímido de todos
Deveria saber... Talvez já soubesse...
Mas como sempre vivemos negando
E até nossos sonhos se tornam pesadelos
São sempre tênues as linhas entre os opostos...
Tanto bem e mal aprenderam a sorrir
Mentiram e verdade foram amigos de escola
Morte e vida passeiam pelo mesmo caminho
Dia e noite fazem parte do mesmo relógio...
A boca ficou calada no último instante
É pena... Me faltou a voz...

(Extraído do livro "Todo Amor Que Eu Não Tive" de autoria de Carlinhos de Almeida).

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Na Garganta Número 2

Imagem relacionada
Chega!
Mentiras demais é o que temos
E isso não pode ser assim...
Do que você tem medo?
Da morte? Da dor? Do ridículo?
Por que ter medo da morte?
Ela virá mais dia, menos dia,
Baterá em nossa porta
E entrará de qualquer forma...
Temos medo da dor?
Já nascemos chorando,
Vivemos do choro o tempo todo,
Seja o nosso ou o que provocamos...
Será que o ridículo nos aterroriza?
Nada deixa de assim o ser,
Olhamos sempre com nossos olhos,
Mas esquecemos de muitos outros...
Chega!
Já temos provas mais que suficientes
Que somos a maior praga do mundo...
Do que você tem medo?
Da morte? Da dor? Do ridículo?
Por que ter medo da morte?
Ou você vai pra onde merece,
Ou vai pra lugar nenhum,
O que no fundo dá na mesma...
Temos medo da dor?
Então tomemos vergonha na cara
E paremos de uma vez
De causar ou esquecer da dor dos outros...
Será que o ridículo nos aterroriza?
Aprendamos com os bichos e as crianças
Que vivemos jogando fora a pouca alegria
Que podemos ter em troco de nada...
Chega!
Aproveitemos totalmente as manhãs que temos
É o maior espetáculo da terra estarmos vivos...
Deixemos de negar pelo menos nosso sorriso,
Sorrisos não dados são mais tristes que flores mortas...
Tenhamos mais um pouco da coragem que nos falta
De não aceitarmos a covardia, a maldade e a violência...
Não se esqueça que a injustiça que aceitamos
Um dia também irá nos atingir com toda a certeza...
Não escondamos a verdade sob o tapete
Mesmo quando ela aponte o dedo contra nós...
De forma alguma desperdicemos nossos defeitos,
A consciência deles nos ajudará com nossos acertos...
Não somos anjos e nem tampouco demônios,
Somos os dois e isso é que o somos pra caminhar...
Temos que rir mais, dançar mais, cantar mais,
Sem nos importarmos com as amarguras que passarão...
Ah! E não esqueçamos nunca de fazermos versos,
As meras palavras seguem, os versos ficam...
Chega!
Era só isso que eu queria falar, meu querido amigo...

Na Garganta Número 1

Resultado de imagem para menino sufocando
Na garganta
preso
não adianta
o peso

Paremos de mentiras enfeitadas
protegendo nós corremos
mais ainda sem batalhas travadas
é o que para hoje temos

Nada olhamos
inocentes
só salvamos
parentes

Para a mentira eis a senha
faça tudo escondido
nada impede que a morte venha
ai quem dera ter morrido

Não ouvimos
moucos
só caímos
loucos

Somos fracos e somos covardes
disso não temos vergonha
por dias e por dias e por tardes
nos mata a nossa peçonha

Na garganta
preso
não adianta
surpreso

O Sonho

Resultado de imagem para menino sonhando
O sonho que sonho
É apenas sonhado
Pra descer lá das nuvens
Ainda falta um bocado

O sonho que sonho
É pecado já perdoado
Desses que se perdem
E não é mais encontrado

O sonho que sonho
É desejo assassinado
Pelo meu destino
Esse grande malvado

O sonho que sonho
Ri de mim como um debochado
Antes não o tivesse
Esse grande malvado...

Teoria do Sentido

Imagem relacionada
Andando em ruas feito estas, num tempo que nem faço mais questão de medir. Quando somos alguma coisa, aí sim, procuramos algum ponto de referência, alguma bússola que nos tire do sufoca. Agora? Agora falta qualquer porto, seguro ou não.
Tudo está no seu lugar. Grande engano. Mesmo se o cara dos teclados tenta demonstrar algo que, afinal, nem sentimos. 
Não reparem, por favor, em minha gramática. Não tive tempo para preparar minhas malas, todas as surpresas primam por sua pontualidade desde o começo dos tempos.
Eis aqui o grande segredo de tudo. A aparência possui o roteiro entre as mãos e é um meticuloso diretor. Quem escreveu o enredo? Deve ter sido alguém. Nada muda, a verdade é essa. E mais ainda nos aflige sabermos que as nossas máscaras estão grudadas nos rostos. 
A medida certa de tudo é o inusitado, o insólito é bom moço que vive nos fazendo grandes favores, o absurdo é um grande mestre de pequenas lições. Não temos plena culpa se a vida é quase sempre mau-humorada, mas assim o é.
Grandes mentiras flutuam pelo ar, algumas de uma cor, outras de outra, algumas suaves, outras mais pesadas. Todas elas acabam conseguindo seu objetivo - nos ferir.
Acabamos sorrindo mais que as esfinges, mas nossa quimera não abre mão de comparecer nas festas que damos. Nossa dor é coberta de gentilezas e acaba nos ensinando à nos escondermos o tempo todo.
É tudo muito fácil para nós, sobretudo, a dificuldade. A memória é o nosso carrasco, assim como num filme, existe uma música de fundo esperando nossas reações.
Temos eternamente claras dúvidas. Porém gostamos de enfeitá-las como o rosto dos clowns ou a nova parede à ser pichada. Imitamos gestos para passarmos desapercebidos e, quem sabe, estarmos na unanimidade nos livre dos projéteis que sempre vêm à esmo.
Gosto bastante de reticências e interrogações, mas exclamações, geralmente, acabam vindo em nossas caixinhas de surpresa. Linhas retas vão sempre até os abismo, é isso que denominamos lições. 
Todo tempo acaba sendo suficiente, mesmo quando nos falta, num rápido estalar de dedos acontece a mágica. Grãos de areia para fazer montanhas, gotas construindo quaisquer mares e alguns beijos para a paixão mais avassaladora que pode ter sido vista.
Gostamos de flores, mas somos ótimos mentirosos. O papel dos vilões sempre faltam, mas o dos mocinhos acabam sobrando.  Os números são grande atrapalhados, a exatidão é uma faca sem gume algum.
Eu só tenho três medos: de mim, de todas as outras pessoas e de todas as outras coisas. Simples, não? Só erramos em três fases: no passado, no presente e no futuro. Seria engraçado se assim não o fosse.
Há um certo ar de malvadeza em tudo que se parece igual. Os grandes do mundo que o diga. Eu quase sei disso, mas apenas um detalhe faltou para a obra-prima nascer. 
Tenho que caminhar mais um pouco, nem que seja para regressar para casa...

terça-feira, 27 de novembro de 2018

Eu Fiz Um Poema Com Seus Olhos

Resultado de imagem para olhos com estrelas
Eu fiz um poema com seus olhos
e quando vi, já era muito tarde,
era a noite que veio caindo
e corri como fosse um covarde...

Confesso que não pude resistir,
eram tão belos, de encontro aos meus,
mas eis que eles foram embora
sem deixar pelo menos um adeus...

Agora vou procurando eles de volta,
alguém aí, sabe onde eles estão?
Procuro-os em todos possíveis cantos,
mas esta procura foi toda em vão...

Eu fiz um poema com seus olhos,
talvez o último, antes de morrer,
mas a noite já vem caindo
e me pergunto: onde estará você?...

(Extraído do livro "Todo Amor Que Eu Não Tive" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Carliniana CXXXIII ( O Grão Nosso de Cada Dia )

Cada dia um grão... Olha o trem chegando na estação! Vou no armarinho comprar uma estrela de papel Vou colocar as velhas asas pra poder entã...