domingo, 9 de agosto de 2020

Um de Solidão

Falando sobre Concursos feat Sozinho no Quarto (#PoetaTriste x ...
Solidão, 
marcas na carne, 
as rugas,
tudo não.

Algum barulho de carros,
o quarto desarrumado,
as pontas dos cigarros,
o computador ligado...

Solidão,
apenas um silêncio,
me aflige,
uma exaustão.

O quarto desarrumado,
as roupas jogadas,
um mundo pirado
composto de nadas...

Solidão,
um quase final,
a agonia,
sem direção.

As roupas jogadas,
preguiça extrema,
as ilusões quebradas,
um triste poema.

Solidão,
é quase uma flecha,
o alvo,
meu coração...

Simplicidade

Gato no Telhado | Gatos
Não sou um cara de muitos luxos
(aliás, acho que nunca fui)
qualquer vento serve pra me levar,
seja uma brisa mansa, 
seja uma ventania, 
ou ainda um vento ligeiro
(desses que passam rápido demais),
desde que me levem pra longe,
mas bem longe mesmo
da tristeza que me visita
nesses dias tão escuros...

Cansei de alimentar esperanças
(como quem joga milho aos pombos)
todas elas acabam indo pra longe,
os pés devem estar no chão,
os pés mesmo assim fraquejam,
mesmo quando não queremos
(quem nunca levou muitos tombos),
sonhos podem doer demais,
dores que se apagam ou não,
alguns cadáveres nos perseguem,
temos um medo enorme...

Passei à prestar atenção nos detalhes
(nas pequenas grandes coisas)
a alegria nos escolhe, não nós à ela,
viver não é muito fácil, 
viver não é muito difícil,
mas isso se o destino o quiser
(ele é um senhor muito imprevisível)
por isso me previno do golpe,
não podemos evitar a dor,
mas que já espera a sua chegada,
acaba chorando menos...

Não sou um cara de muitos luxos
(queria pelo menos um amor)
mas isso pode ser pedir demais...

sábado, 8 de agosto de 2020

Impossíveis Letras

Creepypasta: Astyn, o assassino de capuz | Minilua
Impossíveis letras, 
impossíveis metas, 
impossíveis retas, 
impossíveis setas...
Setas apontadas para o coração, sem dó, sem razão, sem empatia, sem compaixão, eu quero o dia, tenho a escuridão, é só agonia, é minha exaustão...
Impossíveis letras,
impossíveis dramas,
impossíveis tramas,
impossíveis lamas...
Lamas onde meus pés atolam, a pobreza, que esmolam, a certeza, sem alegria, com sofreguidão, mas quem diria, não tem razão, a terra é fria, é a estação...
Impossíveis letras,
impossíveis dores,
impossíveis amores,
impossíveis cores...
Cores que ninguém nota, invisíveis, sem rota, insensíveis, não importa, sem companhia, com solidão, é uma agonia, essa paixão, a histeria, não nota não...
Impossíveis letras,
impossíveis lados,
impossíveis dardos,
impossíveis dados...
Dados que não são estatísticos, esquecidos, paralíticos, maldormidos, quase místicos, é uma heresia, na multidão, a companhia, a exaustão, essa mania, não tem perdão...
Impossíveis letras,
impossíveis ensejos,
impossíveis lampejos,
impossíveis desejos...
Desejos de goela abaixo, humanos, eu não me acho, quase insano, mas fale baixo, é uma folia, é a combustão, é a hipocrisia, é a traição, mas que mania, sem educação...
Impossíveis letras,
impossíveis letras,
impossíveis letras...

(Extraído da obra "O Livro do Insólito e do Absurdo" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Eu Me Sinto Só

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Eu me sinto só
como quem cai das nuvens
mirei o abismo
não saio mais de lá
foi tudo em vão
tantas tentativas
num caminho esquecido
somente sombras...

Eu me sinto só
igualzinho folha morta
vou pela rua
um cão sem dono
me dê a mão
puro desespero
ninguém me escuta
só as paredes...

Eu me sinto só
como aquele que morre
estando vivo
com os olhos fechados
não há descanso
os meus pés doem
minha cabeça está doendo
mas sem remédio...

Eu me sinto só
acho que quebraram a asa
não tem poema
deixem que eu vá embora
juro não volto
não escutarão mais lamento
só vem em quando...

Eu me sinto só
mas ainda continuo sorrindo...

Onde Você Vai? (Caminhos)

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas e atividades ao ar livre
Por onde você anda? Pra onde você vai?
É sol pregado no céu ou a estrela que cai?
É a virtude que vence ou é uma tentação?
Procura a paz rotineira ou a pura emoção?
Quer subir aos céus ou ficar seguro no chão?

Por onde você anda? Pra onde você vai?
Está acompanhado ou sem mãe e nem pai?
Tem toda a certeza ou apenas hesitação?
Anda bebendo demais ou é a própria noção?
Maquinista de trem ou espera na estação?

Por onde você anda? Pra onde você vai?
Você é a pedra que rola ou a fumaça que esvai?
Está andando direito ou vai pela contramão?
Prefere apenas estética ou é guiado por seu coração?
Gosta mais dos sonhos ou do que está bem à mão?

Por onde você anda? Pra onde você vai?
Você é o cão fiel ou é aquele amigo que trai?
É um louco que dança ou o soldado no batalhão?
É um rico capitalista ou um pobre sem um tostão?
É aquele que só diz sim ou aquele que só diz não?

Por onde você anda? Pra onde você vai?
Você é o que chegou agora ou é aquele que sai?
É o que suplica a paz ou quem matou um milhão?
Prefere a luz dos faróis ou prefere a do lampião?
Você responde à pergunta ou levanta a questão?

Por onde você anda? Pra onde você vai?
É o sol pregado no céu ou a estrela que cai...

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Carnaval e Carpideiras

As Carpideiras: A invasão das webséries no mercado seriado do ...
Enquanto uns choram,
outros riem...
Esta é toda a coreografia
do que chamamos mundo...
Um na sarjeta implorando pão
outro na mansão esperando
a mesmo destino...
Uns com tudo,
muitos sem nada...

Enquanto uns festejam,
outros sepultam...
Este é todo o ritual
do que chamamos vida...
Muitos correndo das bombas
outros na torre de comando
apertando botões...
Uns com todos,
muitos sem ninguém...

Enquanto uns dançam,
outros imóveis...
Esta é a toda a aberração
do que chamamos destino...
Uns berrando feito uns loucos
outros querendo a santidade
que nunca chegará...
Uns com amor,
muitos sem desejo...

Enquanto uns são "normais"
outros não...
Está é a toda a sina
de quem consegue sonhar...
Uns andando feito retirantes
outros sentando confortavelmente
esperando a morte...
Uns no carnaval,
muitos com as carpideiras...

(Extraído da obra "O Livro do Insólito e do Absurdo" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Naturalmente Paradoxal

Menino fazendo caretas imagem de stock. Imagem de ocasional - 28388839
Drops de anis é o que temos em reservadas bocas sem mistério algum. Algumas penas capitais jogadas sobre cabeças e a inocência e a malícia num dueto interminável. Carros de som anunciando bagatelas tentadoras. Intermináveis cartas escritas para que ninguém leia.
A verdade só pode ser contada com um cerimonial rigoroso e todas as medidas de segurança. Façamos as nossas lições de casa com a certeza que erraremos tudo. As maiores façanhas já foram esquecidas há muito tempo. Só as futilidades contam nos dias de hoje.
Gostaria de furar meus olhos e alfinetes estão em falta. A morte agora é tão banal quanto um espirro e talvez um pouco mais tentadora. Explicamos o que nós é desconhecido. E versos malfeitos saem pelas narinas de tolos bardos. Cuidado para que nada saia correto. Tatuamos os sete pecados capitais em nossa alma.
Pobre capitalista que não tem bolinhos. Ilusões são mais reais do que qualquer uma pedra. Tudo produzido para que tenha algum defeito. Os livros apodreceram parados na estante. Nova Babilônia moderna sem a torre. O céu já fechou suas portas. Até o Diabo tem medo de ser assaltado.
Acho muitas pérolas jogadas nos lixos. E muitos lixos expostos em belas vitrines. O vitrinista caprichou escrevendo obscenidades em uma língua que desconhecemos. A propaganda é a arma do negócio. Sussurros ecoam na noite do nosso meio-dia.
Tudo que nos mata acaba nos aprazendo mais que o necessário. Somos livres para a escravidão mais perfeito. O que faz sentido é muito perigoso. Douradas cercas nos cercam em fatal destino sem fatalidades. 
Consegui minha grande meta - dar socos no espelho até que meu sangue acabasse. Fecho as janelas para que o calor não entre e sempre me esqueço da brisa. Mansos são os leões. É que os cordeiros são altamente ardilosos. Naturalmente paradoxal.
Minhas viagens foram diminuindo até virar apenas um reles passo. Por isso estou cansado em qualquer instante. Não presto atenção em quase mais nada. Nunca dê bom para a dor. Ela contará histórias para sempre. E você vai se interessar. A luz agora está soprada e a vela se ofendeu com tal gesto. 
Fábulas ou parábolas. Este é o nosso cardápio. Não quer? Vire um faquir. As palavras são os símbolos que escaparam de nossas bocas. E a imprudência uma forma de tentativa. Apenas uma dose não é o suficiente. Queremos sempre mais. Os desejos são absolutistas despreparados.
Há sempre uma conspiração formada. Entre o salgado e o azedo e o amargo. Abaixo o doce! Só as formigas não aderiram à essa novidade. Por isso acontecem algumas revoluções famosas. É o que é e o que não é. As luas confirmam sempre.
Passei a me olhar com certo prazer. Os palhaços são seres perigosos. Nós somos as vítimas. Rimos mesmo não querendo. E pagamos por isso. Debaixo da lona tudo pode acontecer e acontece. Geralmente é uma das palavras mais usadas de qualquer vocabulário. O talvez nem se fala. O inevitável é inevitável.
Quero a tranquilidade dos inquietos. Meus sapatos estão apertados. Os meus calos já estão encomendados. Chegar qualquer hora dessas. Se o correio não se atrasar. Até estranharei isso. Juro que juro que sim. 
Minha mente é uma corrente que não consegue parar. É a grave lei da gravidade. Não espero conclusão alguma. Levei anos para aprender à desaprender. Nada mais tem a importância que antes. Algumas moedas é o que sobrou. Mas não tenho mais bolso. Podem perguntar qualquer coisa. A incoerência me ajudará em todas as respostas. Mas não assinei compromisso algum.
Paro por hora. Mas continuo pelos minutos. Algum pássaro pousará em meu ombro e me dará uma nova lição. Virarei estrangeiro de mim mesmo. Um ilustre desconhecido. Se me derem tons de azul é o suficiente. Fico tonto com bastante facilidade. Isso já me basta. Não sei o que há para o almoço de hoje...

(Extraído do livro "Insano" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Carliniana CXXXIII ( O Grão Nosso de Cada Dia )

Cada dia um grão... Olha o trem chegando na estação! Vou no armarinho comprar uma estrela de papel Vou colocar as velhas asas pra poder entã...