terça-feira, 4 de agosto de 2020

Eu Bem Que Gostaria

Retrato Do Close Up De Um Menino Novo Pensativo Foto de Stock ...
Eu bem que gostaria de falar de flores
Falar de cada coisa com o seu encanto
Gostaria de inventar milhares de cores
Secar esse meu rosto que só tem pranto

Eu bem que gostaria
de inventar um novo dia...

Eu bem que gostaria ser novamente novo
Achar que nessa vida tudo é muito bom
Não mais absorver a fumaça que absorvo
Poder sujar a minha boca com o teu batom

Eu bem que gostaria
poder lutar sem covardia...

Eu bem que gostaria de talvez ser um rei
Fazer muitos grandes feitos que não pude
Falar coisa mais alegres que nunca falei
Mas heis que a vida me fez ficar tão rude

Eu bem que gostaria
só tenho a minha apatia...

Eu bem que gostaria de falar de flores
Trazer comigo uma notícia que fosse boa
Pintar o livro da vida com novas mil cores
E uma nova verdade que não nos doa

Eu bem que gostaria
trocar tristeza por alegria...

Redes Sociais


Mentiras de pernas longas
avistamentos da verdade truncada
estamos cegos e assim queremos
estamos mudos e assim gritamos
e mais nada é mais importante
que os desatinos de uma velha
fantasia agora rasgada
um minuto de silêncio senhores
para nós mesmos e nossos vícios
um segundo para a nossa morte
é tudo aquilo que queremos
o que comemos na frente da lente
o que bebemos até nos afogarmos
nada mais certo que a incerteza
e a nossa pressa que leva ao nada
cada dia - um veneno novo
cada sucesso - um fracasso escondido
somos anjos disfarçados em demônios
e esse disfarce nos cai tão bem
versos aleijados na boca de tolos
sucesso totalmente feito de fracassos
caras e bundas compondo multidões
risos inventados à curto prazo
esmolas feitas de simples cliques
e tudo envelhecendo tão rapidamente
entendemos tudo mesmo não entendendo
só não entendemos aonde iremos parar
mas isso pouco importa como sempre
antes os vícios eram apenas outros
xinguemos Deus da forma mais educada
eu ligo a câmera para exibir a nudez
a minha vergonha vai embora rindo
nunca fomos tão idiotas como agora
o tiro agora é apenas a rede que cai...

(Extraído do livro "Insano" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Ainda Outros Dias

Giornata mondiale dei poveri, domenica 17 novembre le celebrazioni ...
Alguns passos. Outros mais.
O sol no alto. Os olhos no baixo. 
A minha teimosia de sempre. Assim.
Talvez nada mude. Ou tudo.
Ou já mudou. E eu não percebi.
É tanta coisa. Que nem sabemos.
O peito guarda muitos segredos.
E a mente faz muitos labirintos.
Eu me corto. Eu me sangro.
O sangue escorre rápido. Ou devagar.
E a memória colabora com isso.
Me desespero. Me exaspero.
Nada queria do que é. Sempre.
Olho prum lado. Olho pro outro.
O medo me segue. Me persegue.
São tantas notícias. Tantos desastres.
Calamidades agora normais.
Nossas precauções de nada valem.
Máscaras? O uso é antigo. Bem antigo.
Futilidades. O nosso apego à elas.
Somos todos cruéis. Apenas isso.
Mesmo não querendo. Não atirando.
O tiro é certeiro. É mortal.
Todos choram. Uns mais. Outros menos.
Mas isso é sempre. Faz parte da história.
Siga as instruções de uso. Leia a bula.
Não avance o sinal, Fique quieto.
Deixe que os erros se alastrem.
Os malvados gargalhem. A injustiça reine.
Somos covardes. Coniventes. Mesquinhos.
Está frio. Ou pelo menos eu acho.
Nada é igual. Para ninguém. Para todos.
Uma nova ideia. Uma nova moda. 
Nova doença. Novos remédios inúteis.
Apagou-se a chama. Vem a velhice.
Nada foi bom. Até o que dá saudade,
Eu queria tudo. Não queria nada.
É carnaval. É cinzas. Quase Finados.
Um novo amor. Um novo risco.
Mesmo assim eu quero. Pode me dar aí.
Ainda um pouco mais. Ainda outros dias...

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Longa História Curta

retrato de um Desconhecido menino em Uma Preto cartola , com um ...
Eu preciso de ventos mais suaves, minhas carnes doem. Amores menos malditos, minha alma treme. Tempo para pensar, minha mente enlouquece. 
Ando por ruas desertas, copiando a sina dos mal amados, só vejo lixo e cães vadios como eu. Abaixo a cabeça, tentando nada lembrar, mas isso dá em nada. Queria ser como um gato que vejo dormindo sobre um telhado e dorme calmamente.
Eu desejo dias de menos tempestades, o frio me consome. Paixões menos cruéis, cospem na minha cara. Respostas para algumas perguntas, dúvida eterna.
Por mais que ande e me canse, nunca chego no final do caminho. Será a morte uma solução? Creio que não, por mais que a vida seja má, estamos bem presos à ela. Queria ser como um passarinho que nada tem e nada o prende.
Eu peço milhares de cores novas, o cinza me maltrata. Fotografias menos amareladas, estas me trazem saudade. Notícias boas, não tenho tido motivos para sorrir.
Os muros que fiz para me defender, caem aos pedaços o tempo todo. Nada é normal, somente a mentira e a maldade. Gostaria de virar para a parede e ficar assim até o fim dos tempos. Queria ser como uma estrela e estar bem longe de mim.
Eu escuto canções tão feias, elas são a moda. Fazer coisas sem sentido, regras que não fiz. Ser apenas mais um idiota, mas idiota ou não, eu sou eu mesmo.
Coloco um cigarro no canto da boca, com ar de debochado. O deboche é uma forma de defesa como qualquer outra. Não sou anjo e nem demônio, tenho minhas feridas. Queria ser como um tsunami varrendo tudo.
Eu quero disfarçar as minhas mágoas, quase como um herói. Tiros saindo pela culatra, eles acontecem muito. Fracassos pequenos ou não, é minha rotina.
Peço mais uma dose, uma só não me basta. Vagabundo é que sou, desde que me entendo como gente. Tudo é muito complicado, até respirar demanda talento.
Eu preciso de palavras novas, as velhas já estão muito cansadas. Monotonia é o que acontece todos os dias. Velho não sou eu, mas o que meu peito guarda.
Dá vontade de sair por aí gritando feito um cego. Mas é bobagem, ninguém me escutaria. A empatia ficou guardada na gaveta, ou então, o lixeiro levou no dia marcado. Viro as costas e o resto que se dane. Tudo é apenas uma longa história curta...

Chuvas Sobre Nós

Meteorologista emite alerta de chuva forte para PR, SP e MS entre ...
Chuvas sobre nós é que temos
e nossa cegueira ajuda à nos molhar
não adiante ser rápido ou devagar
pois afinal de contas - nem vemos!

Não sabemos nem o que falamos
pois só temos mentiras pra contar
enquanto deveríamos só nos calar
pois afinal de contas - só desejamos!

De memória curta nem lembramos
De coisas ruins sempre à machucar
Nós temos asas sem sabermos voar
pois afinal de contas - nós rastejamos!

Da luz do sol nós nos escondemos
a escuridão acabou vindo nos agradar
bichos noturnos estamos à espreitar
pois afinal de contas - nós comemos!

Chuvas sobre nós é que temos
e nossa teimosia ajuda à nos molhar
poderíamos correr vamos devagar
pois afinal de contas - nós queremos!

domingo, 2 de agosto de 2020

Desaprender

7 coisas bizarras que aconteciam nas escolas antigamente - Mundo ...
Estou-me vício e ando por aí feito as magnólias e os duendes. Nada sei. Custou-me muito à desaprender. Todos os enigmas do rei foram curados. E os cruzados descobriram as grandes charadas. Faço versos como um camelô numa grande praça duma pequena cidade. Esqueci o tempo. Fiz novas regras para serem totalmente esquecidas tanto como qualquer uma. As bulas ficaram fulas comigo. Não é poesia. É um dor qualquer para qualquer comprimido. Placebos pelo menos são quase inocentes. Eu tenho parentesco com as nuvens. E a minha inocência maquina prolongados beijos que nunca darei. Ser o último é comum entre os homens. Mas ser o segundo é por demais frustrante. Na minha vez acabaram-se os doces. Jogo é a palavra de ordem. Eu niilista e nada tenho contra nada deles. Quebrei meus óculos diversas vezes e nem me dei conta de tal façanha. Sei falar todas as línguas do mundo. O difícil é entender qualquer uma delas. Não há coerência em qualquer objetivo senão a diversão. Os arrependimentos são notáveis concertistas e tubas são o seu instrumento favorito. Deve ser por causa dos gatos. Marços e maios são sagrados. Julhos são malditos. E agostos são apenas tristes. Nunca falamos exatamente o que queremos. Não temos razão para qualquer uma razão. Casas vazias são labirintos. O abandono me dá muitas náuseas. Só que descubro que sou humano e isso acaba me apavorando. Farei uma placa de perigo e andarei com ela pendurada em meu pescoço. Tudo só acontece porque não deveria ter acontecido. É uma ginástica mental. A saliva brinca em minha boca. Juro pela minha mãe vivinha que eu não matei o rei. Ele está com cara de quem comeu e gostou. Vamos refazer tudo. Principalmente o que nunca existiu. Fogareiros de carvão e profissionais de luta. Nunca sabemos se sabemos se sabemos. Às vezes as vezes lavar à jato demora bem mais. O caminho do meio pode ser certa e bem perigoso. O absolutismo pode ser uma forma antiga de não poder. Um nome feio é algum nome que sempre queremos falar. Luvas de boxe para manicures e pianistas. O pintor tomou um susto que até mudou de cor. Até a primeira vez pode ser a última. O correto usa corretivos vira e mexe. Não me importo com a importância de certas pessoas. Melhor ser um desconhecido que um canalha. Do que ser um gênio e o ser. Risos gostam de segundos. Choros gostam de eternidades. Nada tenho contra idiotas. Eles mesmos já fazem isto e muito bem. Luzes explodem todos os momentos. As bombas apenas escurecem. Entregam-se ilusões à domicílio. Nada mais prático do que um bom delivery. Eu tenho sono. Muito sono mesmo. Mas os rios não param de correr...

(Extraído do livro "Insano" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Ainda Fumaça

Coluna preta de fumaça devido ao fogo sobe para o céu. | Foto Premium
Ainda fumaça
o tempo passa...

Passa como eu nunca quis
passa e eu não fui feliz
como poucos foram no mundo
pobre desamado miserável vagabundo

Ainda fumaça
a grande trapaça...

Trapaça com cartas marcadas
trapaça com vários nadas
vivemos e sempre choramos
santos demônios forasteiros humanos

Ainda fumaça
piada sem graça...

Embaça a vista na chuva
embaça é o acidente na curva
ele morreu mas passa bem
um só os dois todos nós ninguém

Ainda fumaça
é tudo pirraça...

Pirraça de ainda tentar
pirraça e tudo escapar
vão os dedos ficam os anéis
civis soldados capitães coronéis

Ainda fumaça
o tempo passa..

(Extraído do livro "Muitos Dias Já Passaram" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Carliniana CXXXIII ( O Grão Nosso de Cada Dia )

Cada dia um grão... Olha o trem chegando na estação! Vou no armarinho comprar uma estrela de papel Vou colocar as velhas asas pra poder entã...