sábado, 4 de julho de 2020

Alguns Mistérios

Mistério Fotografias de Banco de Imagens, Imagens Livres de ...
Muitas palavras 
que podiam ser ditas e me calei
Alguns desses beijos
que deveria ter roubado e não roubei
Certos caminhos
que poderia ter andado e não andei
Amores de porto
que certamente amaria e não amei

Alguns mistérios sobre estas flores
e mais algum escondido sob estas dores...

Todos os encontros
que poderia ter ido e me desencontrei
Muitos gestos de carinho
que poderia ter dado mas não ousei
Quantas injustiças
que aconteceram porque que deixei
Paixões tresloucadas
como mares profundos que mergulhei

Alguns mistérios guardados comigo
como quem dá abrigo para o inimigo...

Muitos que eu amava
e partiram mas eu mesmo nem notei
Alguns muros malvados
que devia derrubar e não derrubei
A minha covardia impediu
e as lutas que deveria lutar não lutei
O tempo que o relógio deu
mas esperando demais desperdicei

Alguns mistérios pela escuridão
e outros mais evidentes jogados pelo chão...

Muitas palavras 
que podiam ser ditas e não falei
Alguns desses beijos
que deveria ter guardado e não guardei
Certos caminhos
que poderia ter andado e me esquivei
Amores de porto
que poderiam ser eternos e não amei

Alguns mistérios vou procurando
e continuo eu só não sei até quando...

Fora de Mim


Cinza e amarelo entre meus dedos
e uma distância dando socos em minha cara
Caminhos de um barro vermelho
num quase laranja que foi somente ontem
Os pássaros não voarão nunca mais
e as minhas saudades doerão ainda sempre
Algumas fotografias sobreviveram 
mas outras não escaparam deste holocausto
Devolvam todas minhas flores mortas
e todas as velas apagadas de meus funerais
Eu consegui de certa forma sobreviver
só não tenho a certeza de que se ainda vivo
Sonho alguns sonhos quase bonitos
mas os atores desse filme foram todos embora
Faço perguntas extremamente sérias
de como poderei manter essa minha futilidade
Olho com meus olhos sem ter visão
os metais que brilham em suas novas mentiras
Esforço-me com tosa cautela possível
para ser mais um idiota como tantos conseguem
Eu nunca consegui ser uma outra coisa
e esse eu mesmo sofre por ser apenas um único
Os sentimentos não possuem um rótulo
para que possamos saber o seu real conteúdo
Marchamos pelos dias sem ter fôlego
como quem carrega pedras pesadas em ladeiras
Não falo mais de tristezas ou alegrias
se quiser elas que falem o que quiser de mim
Eu troquei os chãos pelos ares
e acho que afinal de contas foi ótimo negócio
Todos os sabores fugiram da boca
e agora estou imune à todo tipo de saudade
A minha grande ideia foi não ter
e as expectativas foram parar em meus arquivos
Agora com simples apertar de teclas
posso trazer o impossível para quase perto
Vivo fugindo de tudo que é fora de mim
e os poemas saem aos montes sem que perceba
Cinza e amarelo entre meus dedos
feito à muitos anos passados ou quase agora...

(Extraído do livro "Insano" de autoria de Carlinhos de Almeida).

sexta-feira, 3 de julho de 2020

Nasce Um Poema

Portal Luteranos | Curtindo a vida!
Nasce um poema...
quando fecho meus olhos
e vejo mais estrelas do que no céu...
Cada estrela é mais um sonho
que brilhará eternamente
na imensidão do meu peito...

Nasce um poema...
quando respiro profundamente
e sinto o cheiro de todas as flores...
Todas que o mundo têm
todas que já existiram
e todas que ele ainda terá...

Nasce um poema...
quando uma criança sorri dormindo
ou ainda sorri de contentação...
O sorriso delas é que dá as cores
que são mais que necessárias
para que todo o lirismo sobreviva...

Nasce um poema...
quando a vida é uma longa carta
falando de muitas terras distantes...
Nesse grande poema tudo haverá
desde de grandes aventuras
até suspiros dados em segredo...

Nasce um poema...
quando eu vou para o meu canto
e sinto um gosto mais salgados...
São as minhas lágrimas escorrendo
lentamente muito lentamente
no vazio que se chama meu rosto...

Nasce um poema...

Quem É O Inferno?

Flávio Cordeiro - O inferno são os outros. Será?
Tudo muda de forma mais ou menos desastrosa sob meu nariz, não tenho nem tempo de atinar o que aconteceu. Os ventos levam as horas embora, sem sua permissão ou vontade. 
Repetitivo? Talvez. Costumamos errar as lições de casa. Todo erro repetido se transforma em hábito...
Entristece o ar em torno de forma inevitável, mesmo quando existem ainda bandeiras coloridas num interminável bailado. Aquele meu quintal já foi embora para nunca mais voltar.
Entristecido? Talvez. Existem condições humanas o tempo todo. Toda tristeza tem seu motivo...
A minha loucura tenta chamar a minha atenção, por gestos ou até gritando bem alto. Sem ela apenas seria mais uma figurinha desbotada num velho álbum.
Entediado? Talvez. Tudo traz o seu pedaço obrigatório deste. Sem tédio cairíamos na mesmice de uma inércia bem pior...
Nem sempre o amor escolhe o que é melhor, até a maldição pode atrai-lo. O amor é um parede em branco, pode surgir nele as melhores telas possíveis ou as mais torpes obscenidades.
Aborrecido? Talvez. O meu demônio permanece em mim. Ele nunca se aborrece de dar boas risadas por minha tolice...
A vida tem seus nuances mais diversos, é um grande caleidoscópio com todas as cores. Transformação é a palavra de ordem, nada permanece no mesmo lugar.
Cansado? Talvez. Quase todos os planos nascem mortos. O cansaço é inevitável sobretudo na hora do descanso...
Geralmente esqueço o verdadeiro valor de tudo, isso é que chamamos de verdadeira inversão. Vivemos num mundo em que nos confundimos, acertamos alvos inexistentes.
Desesperado? Talvez. Ser humano é ser bom e mau. O desespero pode nos ajudar ou não em sua relatividade...
As palavras mais importantes são as que não foram proferidas, o silêncio quase sempre grita mais alto. Nada posso falar a não ser aquilo que se encontra dentro de mim.
Esperançoso? Talvez. Alguns sonhos nos consomem aos poucos. A esperança nunca nos abandona, mesmo quando a maldizemos...
Onde estão todas as coisas? No mesmo lugar, no mesmo momento, na mesma pulsação e em completa harmonia. Quem é o inferno? Meu inferno sou eu...

(Extraído do livro "Insano" de autoria de Carlinhos de Almeida).

quinta-feira, 2 de julho de 2020

De Leve Número 4 ou Tudo


Tudo que é nosso não acaba. O que não é já começou no fim. As aparências furam os olhos dos pássaros. E os paradoxos mais verdadeiros do que aparentam ser. O hoje é um ontem teimoso que insiste em estar e o amanhã um grande preguiçoso que anda em passos pesados e lentos.
As pequenas coisas são grandes perdas. Desconhecer isso é seguir as instruções dos mais sórdidos manuais. A maior parte das queixas surgiu da nossa camuflagem que falhou. Atiramos errado e acertamos errado. Só existe um alvo e quase sempre nem o vemos porque os espelhos não colocam comerciais no horário nobre da TV.
Tudo o que queremos será destruído. O que tem preço nem sempre tem algum valor. A estética parece ser passageira e existem outras bem mais rápidas. A ternura marca mais que as tatuagens e o afeto constrói mais castelos que as pedras. O poder do amor dá medo para todo aquele que o conhece.
Notícias boas ou más são esperadas com relativa apatia. Somos bons atores em nossas admirações. Tentar não rir da piada é uma forma desesperada de niilismo. A pedra foi lançada e caiu no lago. Todo inevitável traz questões bem interessantes. Mas quase nunca nos interessam.
Minhas dores são boas parceiras dotadas de sinceridade excessiva. Meus pesadelos são bons porque acabam e meus sonhos são desapercebidamente cruéis. O pobre não tem aquilo que o rico não terá mais um dia. A hesitação da felicidade é o fim desta.
Se tivesse algo contra quem chora nem me cumprimentaria. Todo esforço depende de si próprio. O acaso estuda bem todas as situações antes de dar qualquer passo. Descobrir nossos erros é o maior sinal de bom senso. Todas as pistas levam ao crime.
As formigas são bons exemplos de como detalhes podem salvar ou não. Pois a importância e o tamanho nem sempre estão em entendimento cordial. Quando tudo vai bem devemos suspeitar de qualquer coisa. O pintor sempre suja as mãos quando pratica seu ofício. 
Quando morrer não quero choro e nem quero risos. Os mortos não querem nada. Possuem tudo. O esquecimento total é uma grande mentira. Todas as ações continuarão exercendo sua influência até que todas as estrelas se apaguem nos céus. Nenhuma palavra proferida pode ser destruída. Eis o maior de todos os segredos.
Não existe repouso absoluto e nem movimento contínuo. Ambos são exatamente a mesma coisa. Os opostos nunca foram tão iguais. O homem em suas limitações é a medida de tudo que possa se imaginar.
Se me perguntarem porque tudo que faço é sobre mim. Explicarei de toda boa vontade. É impossível ser de outra forma. Quando saímos de nós mesmos a destruição chega. Nunca vou a lugar nenhum porque já estou lá. O passo seguinte é o único. A biologia é uma filosofia disfarçada com modéstia. 
A verdade absoluta se esconde atrás de toda relatividade assim como os meninos quando brincam. Todo tolo tenta esconder sua tolice demonstrando-a de forma mais aplicada. Os gatos possuem a calma e por isso é que são gatos. A falta desta acaba mudando uma letra e todo o enredo.
Não devo demonstrar demasiadamente minha loucura para que ela não acabe por uso demasiado. A paz é a maior arma que alguém pode ter em suas mãos. A guerra é a incoerência que faz com que todos os jogos terminem. Nada é mais importante do que as crianças querem. Não enxergar isso é que podemos chamar de cegueira.
Aquilo que aprendi não tive intenção alguma. Aproveitei mais com certos desperdícios. A minha carne lembra de algumas emoções com mais veemência que minha alma. Cicatrizes e tatuagens me tratam com uma fidelidade sem par. Desculpem se repito muitas palavras. Somos seres cotidianos e a rotina só mata quem está ao seu alcance. 
Eu não sou velho demais. Tudo é pouco para se ter um final. Culpem a minha data por isso. Algumas delas são malvadas dependendo de onde estão. As lentes são detentoras de todo o poder possível. O que guardo em meus bolsos? Tudo...

(Extraído do livro "Insano" de autoria de Carlinhos de Almeida).

quarta-feira, 1 de julho de 2020

Altas Torres

Ficheiro:Farol Ilha do Mel.jpg – Wikipédia, a enciclopédia livre
Vida longa,
curtos sonhos,
quem irá me escutar?
Vida breve,
longos sonhos,
quase que ao me matar...

Estreitos caminhos segui,
a direção nem senti...

Quase nada, 
sempre tudo,
toda voz um dia vai calar!
Sempre nada,
quase tudo,
nosso destino é chorar...

Mentiras bonitas acreditei,
até esqueci onde irei...

Arte feia,
flor tão bela,
qual dia irá murchar?
Arte bela,
flor tão feia,
o espinho é pra machucar...

Me atrevi com tanto,
acabei perdendo o encanto...

Torres altas,
maré baixa,
a vela vai se apagar...
Torres baixas,
maré alta,
quero enfim me terminar...

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Carliniana CXXXIII ( O Grão Nosso de Cada Dia )

Cada dia um grão... Olha o trem chegando na estação! Vou no armarinho comprar uma estrela de papel Vou colocar as velhas asas pra poder entã...