terça-feira, 10 de junho de 2014

Insaneana Brasileira Número 36 - Amenidades


É coisa de pouca monta. Como já dizia os que se foram. É café pequeno. Apenas uma estrela no ombro em novos modismos que deveríamos ignorar ou não. São várias opções nesta prova de múltipla escolha que se resume nas duas mágicas: sim ou não. Cuidado. Temos que ter muito cuidado. Com cada fração que a vela fica acesa. Novas doenças surgem todos os dias. A moda faz presença em todos os lados. Marco zero. Marco onze. Marco mil. Mil circunstâncias circunstanciais fazem o herói do dia. É a bomba servida não mais como sobremesa. Velas acesas e muitas. Choro de cera e de muito mais. Versos malditos saindo de bocas tardias. Nada chove e letras somem. Tudo chove e tristezas aparecem. E atrás dos vidros olhos estremecem. Discussões à parte todas as partes nos comovem. E os aromas nos enganam mais e mais. É o cheiro do novo superando o velho. E os espelhos causam uma dança frenética agora fora de moda. Nacionais comoções. E ligas leves de máquinas de destruição em massa. É feriado eterno para os que não têm nada. E um banquete de pão dormido para quem não tem o que comer. Apaixonante. Como os comerciais de refrigerante. E as louras estonteantes dos comerciais de cigarro ou de rotina doméstica. É  a tentativa frustada de evasão de divisas. E mais crimes de uma lista doméstica de compras. Incensos acesos e assassinatos tão comuns. Tomei uma garrafa de café buscando soluções solúveis e menos volúveis. Mas o voo da águia desta vez foi de baixa altitude. É a consciência da comédia meramente educada. A água escorre pelas paredes com limo verde-azulado. E como chove. E a chuva é ácida como as maçãs. A cirurgia foi delicada e durou dezenas de dias. É o costume visitarmos os mortos sempre. E falarmos daquilo que nunca mais faremos. Planos e plantas rasgados. E os créditos do celular indo embora. Tudo é poema. Até as palavras que o menino mudo não falou. Todos os verbos conjugados ao mesmo tempo. Somos de um mundo violentamente belo e vulgar. E bebemos todos os dias...

domingo, 8 de junho de 2014

Os Loucos

Resultado de imagem para meninos correndo
Os loucos sempre vão sozinhos
Nunca recebem carinhos
Não possuem flores só espinhos

Os loucos só andam em bandos

Estão sempre e sempre amando
Na doce insolidez do até quando

Os loucos só vivem rindo

Pelos prédios que estão caindo
Pelos balões que estão subindo

Os loucos só vivem chorando

Pelos pesadelos que vão sonhando
Pelas febres que vão delirando

Os loucos nunca desistem

Seus castelos sempre existem
E em sua luta insistem

Os loucos sempre correm

Aos poucos então eles morrem
Ninguém tem pena e socorre

Os loucos estão aí pelos cantos

Escutem de longe o seu pranto
Somos poucos mas somos tantos...

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Cálculos Gerais

Imagem relacionada
São cem capitães
São cem generais
São sem amanhãs
E tem mais! E tem mais!

É a marcha do homem contra o homem

É o ataque de cidade contra cidade
É a maldade que a tudo vai e consome
É o pesadelo sem apelo na verdade

São cem canhões

São cem temporais
São sem acusações
E tem mais! E tem mais!

É a história sempre mal contada

É o resultado fadado e invertido
É o roubo de carta marcada
É todo sonho que se tem perdido

São cem estações

São cem capitais
São sem prestações
E tem mais! E tem mais!

É a sina de um bobo humano

É a mudança de todo resultado
É a estratégia  sem ter plano
É o dado lançado e viciado

São sem capitães

São sem generais
São cem amanhãs
E tem mais! E tem mais!!!

Insaneana Brasileira Número 35 - Estados Suspensos de Consciêmcia

Imagem relacionada
Já procuramos em quaisquer cantos. Em todos eles. Até não teimarmos mais. Numa briga constante de nós conosco e por aí vai. Nós somos frutos de uma química vã e com detalhes mais sórdidos. E com ela vamos exibindo nossos estandartes. Rasgados e rotos pavilhões dignos de nota sim mas de desprezo também. Somos os notáveis. Mesmo quando nos escondemos num canto qualquer entre a máscara da normalidade e o cinismo da rotina. Observem bem se puderem. Cada dia mais não temos mais mais. Mas insistamos enquanto haver um sopro nos pulmões. Uma idéia na mente. Uma insistência entre cadernos e livros e anotações. Napoleão e seus cem soldados. A febre de Alexandre. Hitler e seus espasmos. Tudo passa. Tudo impermanece. E as piramides tremem de esquecimento. Muito mais a terra já comeu. em banquetes dignos do mais requintado gourmet. Bebamos logo. Em grandes goles filosoficamente medidos com pedras. Vamos viajar em terras distantes e estranhas que nunca vimos mas conhecemos de cor e salteado. Margaridas trêmulas e rosas indecisas compõem um buquê de fino trato. Quando temos trinta anos trinta anos se passaram sem vermos mais nada que momentos esparsos pelo tapete da sala de estar. É o jeito. Parecermos bons sem nunca termos exercido qualquer piedoso ofício. Nos livros nos livramos de algumas maneiras deseducadas e talvez nada mais. É o sagrado encontro entre tudo e alguma coisa. O que resulta num belo bordado artisticamente desfeito. Era uma vez. E era sempre. E sempre vamos comendo silenciosamente como a última refeição de um condenado. Estamos coletivamente sós. E discursos monologamente feitos dizem talvez alguma coisa. Falta imaginação na praça e isso é muito triste. Para cada desculpa uma inflamada defesa de causa. Mas há muita poeira sobre os móveis. E nasceremos de novo...

terça-feira, 3 de junho de 2014

Um Novo

Resultado de imagem para crianças em volta da fogueira
Em recorte de jornais vejo notícias que não me abalam
Pois o coração não envelheceu após tantas batalhas
Vejam só como ele pulsa subindo muitas ladeiras
E nunca perde o fôlego!

Vejo o mundo como ele é com suas aflições e risos
Com suas comédias que estreiam em cada dia
Com suas curvas tentadoras com várias cores
E nunca perco de vista!

Danço em rodas intermináveis em torno de fogueiras

Com um pouco de ciganas gerações em minhas veias
E faço de todo céu e terra e mar o quintal lá de casa
E nunca paro de cantar!

Traço planos infalíveis de mais pura inocência

Ruas com muito sol e encantos invisíveis aos olhos
Do comum que não esquece dos horários e das penas
E nunca joguei fora a esperança!

Doces que comi naquela calçada já foram embora

Mas a paz foi proclamada depois de tantos rounds
É hora! É tempo de esculpir em brancas nuvens
E nunca esquecer todos os rostos!

Em recorte de jornais vejo notícias que não me abalam

Pois o coração não envelheceu após tantas batalhas
Vejam só como ele pulsa subindo muitas ladeiras
E nunca perco o fôlego!

Um Velho


Eu não tive amada na garupa
Nem tive beijos mais roubados
Não foi minha a minha culpa
Pelos meus sonhos abandonados

Eu só vi o tempo passar passando

O horizonte perdido na distância
Eu vi um menino viver chorando
Num pesadelo chamado infância

Eu vi chegar devagar cada ruga

Todas as cores mudarem de tom
Um labirinto sem rota de fuga
Já foi embora tudo que era bom

Minhas mãos frágeis vão tremendo

Sou um velho é isso que eu sou
Enquanto as nuvens eu vou lendo
Não sei onde vou indo mas eu vou...

domingo, 1 de junho de 2014

Infinitas Nuvens


Eram elas...
Infinitas nuvens que cobriam...
Infinitas mazelas...
Minhas dores assim sorriam...
Era tudo...
Mas não era nada...
Era um grito mudo...
Na platéia abandonada...
Eram tantas...
Que pareciam um teto...
A alegria se espanta...
Vai longe meu afeto...
Traziam viagem...
Era tanta altura...
Era só uma bobagem...
Era só travessura...
Não era noite nem dia...
Era algo indefinido...
Era a agonia...
De ter sobrevivido...

Carliniana CXXXIII ( O Grão Nosso de Cada Dia )

Cada dia um grão... Olha o trem chegando na estação! Vou no armarinho comprar uma estrela de papel Vou colocar as velhas asas pra poder entã...