A busca do impossível em versos mudos
Os postes são as mais fiéis testemunhas
Tudo que é jogado fora espera pelo dia
As calçadas são como novos túmulos
Quem poderá então nos socorrer?
Eu estou aqui e não estou mais lá
Ave noturna que segue em passos lentos
Compreensão do que é incompreensível
Um tiro no escuro conhece a direção
Quem sabe a resposta para a pergunta?
Os cães dormem e os gatos espreitam
As putas estão rindo sem motivo algum
O menino está assustado naquele canto
Toda ternura acabou terminando assim
Alguém saberá quem fomos nós um dia?
Existe um corpo de baile nas lâmpadas
E algum cadáver de fogueira por aí
Toda ruína tem uma longa e fiel história
Todo escombro escreve seu diário secreto
Contamos todos estes nossos segundos?
Na noite brilham alguns dos pirilampos
Que acabaram sobrando dessa guerra...
(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).

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