sábado, 5 de janeiro de 2019

Feridos

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Feridos são
feridos vão
esta é apenas mais uma jornada
em meio à turba para o nada
quando choramos na madrugada
Feridos tão
feridos não
tudo é apenas ilusão até a dor
o amor vai brincando com o desamor
cada um com seu destino qual for
Feridos cão
feridos dão
piores notícias estão fora dos jornais
um dia tremi de medo hoje não mais
até os enterros vão virando festivais
Feridos pão
Feridos grão
a droga é em natura ou é sintética
eu vivo andando e cagando pra ética
nem tenho culpa se a culpa é da genética
Feridos mão
feridos estão
não conheço o que deveria conhecer
o mais difícil na vida é ter o que comer
é a mesma história de ser ou não ser
Feridos são
feridos vão...

Instante

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Passado presente futuro
apenas um instante
aqui e além do muro
fica e segue adiante

Tão só tão nada junto
em alguma coisa pensando
insista mude de assunto
desista e saia procurando

Feliz ou então infeliz
seguro ou quase caindo
enlouquecendo por um triz
sob a terra ou subindo

Pela espada ou pela paz
vestido ou só pelado
na frente ou lá atrás
certo e completo errado

Só frio ou mais ardente
no enterro ou na festa
eu estava são ou doente
tudo é bom e nada presta

Passado presente futuro
odiei e fui teu amante
vamos enxergando no escuro
tudo muda num só instante...

Primavera da Morte

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Insistentemente o que nos espera vem ao nosso encontro. Por agora, me sinto sem palavras para dizer coisa alguma. Eu sou o pássaro que nasceu sem asas e muitas penas. Não espere depois de minhas muitas reticências coisa alguma. Não é nenhuma tempestade, é a chuva que não quer parar. Já tentei em vão, escutar grandes conselhos e pequenos detalhes mais importantes, mas esta minha vista não ajuda.
Como está abafado aqui! Mesmo que o peito seja mais uma pátria gelada, cheia de cores agora esmaecidas, quando contente, acabo encontrando um motivo para ser mais um triste. Não nego o sol, impossível fazê-lo, mas é que dói demais e, de vez em quando, até sangra e isso é deveras preocupante.
Quantas flores serão necessárias? Sinceramente, não sei. O menino ainda as vende e seu semblante brilha com cada moeda em seu bolso. Pois assim, tudo se transforma, até a tristeza se transforma em pão e a madeira ainda arderá em bonitas chamas. Todo sacrifício nada mais é do que um sacrifício. Assim mesmo não entendemos todos os símbolos de nosso dever de casa.
Acabo conhecendo todas as minhas paredes de cor e, mesmo quando, isso não é motivo de orgulho, acho que fiz o que deveria ter feito. Acabei de rasgar minhas pobres vestes e as transformei em uma fantasia para muitos e muitos carnavais. Eu dei um murro na cara do desespero e o mandei embora.
Um dia meus poemas não serão mais motivo de riso, eu estava certo em minha seriedade, mesmo quando esta surgiu em meio á piada do ano. Estava certo em cantar nos momentos mais impróprios, isto porque a canção veio sem avisar. Tudo no mundo é ternura e compaixão, mesmo quando não o é, deveria ser. As guerras, as maldades, a cobiça, a inveja, enfim, tudo que nos aflige acabará em seu dia mais certo.
Deem um doce para o menino, mesmo que ele não o coma mais. Não quebre seu brinquedo, é como a estrela que ele possui lá no céu. Cuidado ao encher o seu cálice, ele o beberá até não poder mais. Epitáfios podem ser belas histórias, tristes, eu bem o sei, mas mesmo assim, belas.
Seu engano, ó meu amor, foi olhar com seus olhos, não usar as minhas embaçadas lentes. Não foi o tempo que as embaçaram, nem tampouco foi a poeira que nelas se acumularam, foi a minha paixão transformada em água, foi um rio que nasceu em meu rosto e desaguou no chão. Foi quando abaixei a cabeça com medo do caminho e, ainda não sabia que mão deveria temê-lo porque o caminho era meu.
Eu inventei novas regras. E daí? Sou o meu próprio mestre mesmo enquanto aprendiz. Eu mesmo desenho estas minhas loucuras, isso me satisfaz. Eu sou o caçador e a noite acaba me caçando. Minha inocência ressurgiu e agora não quer mais ir embora. 
Seu engano, ó meu amor, foi pensar que mataria em plena primavera, eu morro desde que nasci...

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

O Fim Não É

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O fim não é o fim
quando muito o começo
Não morremos
apenas mudamos de endereço

O amor sempre subsiste 
nunca morre a esperança
E mesmo as estrelas
Nossa mão um dia alcança

O mar sempre ondeia
o rio vai na sua direção
E se a respiração pára 
isso não é a extinção

Mesmo com o vento gelado
e com a noite caindo
o nosso choro não impede
que continuemos dormindo

O fim não é o fim
quando muito o começo
Mesmo você indo embora
vai continuar meu apreço...

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Sangue Demais Em Meus Olhos

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Sangue demais em minhas veias
sangue demais em meus olhos
andando demais nestas ruas por aí...

Onde darão meus passos?
Sinceramente, nem mesmo eu sei...
Doem-me os pés e as mãos os seguem...

Foi bem noutro dia desses
que a esperança esbarrava comigo
mas até esquinas alegres nos faltam...

Pequenas aranhas constroem suas teias
elas conseguem ser bem menos
dos que agora crescem em meu coração...

Não sinto raiva e nem medo e nem remorso
tudo acabou como deveria ser ou não
mas todas as nossas sentenças foram assinadas...

Olho fixa e tristemente o espelho embaçado
não sei por quem, pode ser por lágrimas
aquelas mesmas que não sei por carinho...

Façam o favor, abaixe esse som aí
não quero bagunçar mais o seu coreto
mas todo lado acaba tendo outro lado...

Sangue demais em minhas veias
sangue demais em meus olhos
até o dia em que não possa andar mais...

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Quero Ser Gente

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Não quero ser mais um
Quero pensar diferente, ser diferente
Que a alegria me deixe bebum
Porque consegui apenas ser gente...

Gente que chora, gente que ri
Que lamenta por suas mancadas
Que sobe e tem medo de cair
Que deixa as janelas escancaradas...

Não quero ser mais um
Quero ser o mestre da minha folia
Perder o medo de não ser nenhum
Quando a morte chegar um dia...

Gente que odeia, gente que ama
Que erra, mas que tenta acertar
Que sonha, que cai da cama
Que solta suspiros pro mar...

Não quero ser mais um
Quero gritar entre as multidões
Um cidadão simples e comum
Mas que viveu grandes emoções...

Ser gente...

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Exatamente e Levemente Mórbidos

 Imagem relacionada
não é que seja exatamente difícil ou fácil
mas é que o tempo se torna bem pequeno
as vistas se distraem em fotos coloridas
e acabamos não fazendo a lição de casa
eu mesmo já me esqueci de tanta coisa
as que eram mais importantes talvez
a gente vive decorando um longo texto
e na noite de estréia acaba se esquecendo
por isso se torna bem mais fácil dormirmos
andei pelo vale da sombra da morte
sem me preocupar se uma ou inúmeras vezes
os tombos fazem parte de um certo enredo
e o que se dizia há um minuto se contradiz agora
quero esquecer das feridas que me impuseram
mas a memória nessa caso me é infalível
me falta imaginação para discorrer o óbvio
e o vulgar de certa forma me causa frisson
agora mesmo em frente a essa triste tela
acabei de encontrar certas coisas que não queria
mas todo o dispensável é necessário
para que a nossa saúde fraqueje um pouco menos
não me convidem para discussões acadêmicas
dispenso saber se o azul é uma outra cor
só alguns passos da dança são o bastante
é que quase nunca eu estou aqui ou ali
as folhas caem dos altos em seus saltos
e os relógios mesmo que cansados andam
a cidade deve dormir ou morrer nesse exato instante
não fui convidado para outras alegres festas
mas estranhamente não estranho mais
talvez tenha morrido e não compareci ao funeral
é que a morte tem uma mania bem feia
de pregarmos certas peças como pregos na cruz
inda ontem tudo me aborrecia e hoje é o oposto
mudei algumas letras e surgiram novas palavras
tenho nojo de certas coisas tão inconfessáveis
o estilo não depende mais do estilista
não espere mais ninguém para cavar sua cova
mais uma dose com gelo por favor...

Carliniana CXXXIII ( O Grão Nosso de Cada Dia )

Cada dia um grão... Olha o trem chegando na estação! Vou no armarinho comprar uma estrela de papel Vou colocar as velhas asas pra poder entã...