Carros agora inexistentes levam à lugar nenhum
Enquanto meu pânico vai aumentando pelos dias...
Queria eu ser mais nada do que simples versos
Que ficassem em simples papéis amarelados
Guardados numa velha gaveta bem esquecida...
Eu conheço os barulhos que todos os dias possuem
Mesmo quando usam pés de silêncio para sua rotina...
Parece um milagre eu estar vivo nesse exato instante
Mesmo que as rugas inundem o espelho do banheiro
E eu exerça o ofício de esquecer mesmo que doa muito...
Minhas pálpebras tremem de um nervosismo calado
E minhas mãos colaboram com isso sem nada fazerem...
Quero qualquer dia desses comprar uma toalha nova
Para fazer uma capa de Super-Homem e sair voando
Não é necessário de habilitação para fazer tal prodígio...
As paredes do meu quarto sabem guardar muita coisa
Especialmente aqueles que não aconteceram e não irão...
Todos os segredos foram feitos para dançar pela rua
Inventando um novo carnaval quase meio fora de época
Enquanto estou inteiro bêbedo sem beber um gole sequer...
Faço um cálculo quase matemático ou quase profético
Que o mar está no mesmo lugar com todas as marés...
As garças que imploram peixes para os pescadores
São mais felizes que do nós os pobres seres humanos
Vão morrer cegas enquanto nós vivemos até o nosso fim...
Fumo um cigarro atrás do outro feito simples suicida
Porém sei que há vícios que podem ser bem piores
Um deles é achar que as multidões terão pena de nós...
Estou agora quase quase faltando aquele meu fôlego
Que a vida toda sofreu e acabou reclamando de mim...
(Extraído da obra "O Livro do Insólito e do Absurdo" de autoria de Carlinhos de Almeida).

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