terça-feira, 19 de maio de 2026

Quase Quase Sem Fôlego

Carros agora inexistentes levam à lugar nenhum

Enquanto meu pânico vai aumentando pelos dias...


Queria eu ser mais nada do que simples versos

Que ficassem em simples papéis amarelados

Guardados numa velha gaveta bem esquecida...


Eu conheço os barulhos que todos os dias possuem

Mesmo quando usam pés de silêncio para sua rotina...


Parece um milagre eu estar vivo nesse exato instante

Mesmo que as rugas inundem o espelho do banheiro

E eu exerça o ofício de esquecer mesmo que doa muito...


Minhas pálpebras tremem de um nervosismo calado

E minhas mãos colaboram com isso sem nada fazerem...


Quero qualquer dia desses comprar uma toalha nova

Para fazer uma capa de Super-Homem e sair voando

Não é necessário de habilitação para fazer tal prodígio...


As paredes do meu quarto sabem guardar muita coisa

Especialmente aqueles que não aconteceram e não irão...


Todos os segredos foram feitos para dançar pela rua

Inventando um novo carnaval quase meio fora de época

Enquanto estou inteiro bêbedo sem beber um gole sequer...


Faço um cálculo quase matemático ou quase profético

Que o mar está no mesmo lugar com todas as marés...


As garças que imploram peixes para os pescadores

São mais felizes que do nós os pobres seres humanos

Vão morrer cegas enquanto nós vivemos até o nosso fim...


Fumo um cigarro atrás do outro feito simples suicida

Porém sei que há vícios que podem ser bem piores

Um deles é achar que as multidões terão pena de nós...


Estou agora quase quase faltando aquele meu fôlego

Que a vida toda sofreu e acabou reclamando de mim...


(Extraído da obra "O Livro do Insólito e do Absurdo" de autoria de Carlinhos de Almeida).

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