Não há mais sono.
Barulhos silenciosos cortam o ar.
Mas a lâmina está desamolada.
Eu não sei pra onde voar.
Não queremos liberdade de correntes.
E nem mais senhas invalidadas.
Todo adjetivo foi uma mentira.
Inventaram uma cor invisível.
Isto é naturalmente artificial.
Minhas asas são como um eclipse.
Assim foram aquelas noites europeias.
Um pouco de mitologia no café da manhã.
Agora eu sou o meu próprio abismo.
Em qualquer museu muitas espaços vazios.
Qualquer riqueza é tão pobre.
Sinos são dobrados como papel.
Só a brevidade pode durar algo.
Esqueci qual era a pergunta.
Um dedo de prosa sem qualquer mão.
Eu só não sabia que não sabia nada.
A esperança resiste até não poder mais.
A paixão é que nos acaba apaixonando.
Vento que venta aqui acaba lá.
Acabo tendo pressa com minha preguiça.
Temos versos para qualquer mediocridade.
Guerras também em cada esquina.
Há um frio glacial dentro desta fogueira.
Quero bem mais do que eu posso.
E não há mais sono...
(Extraído do livro "Pane Na Casa das Máquinas" de autoria de Carlinhos de Almeida).

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