O ventilador zune na sala
Os mosquitos zunem em meus ouvidos
Uma noite ternamente lúgubre
Sussura maldições para mim
O laço de fita que ela não usa mais
Jaz adormecido no canto da cama
Só posso pedir socorro às paredes...
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Nunca seremos mais os mesmos
Cada segundo dá sua contribuição
Normalmente não há nada normal
Eu engulo as notícias como saliva
Gostaria de não pensar em nada
Porque as estatísticas nos mostram
Que a encomenda da salvação
Acabou atrasando no correio...
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Cada destilado que bebi
Foi mais uma simples descoberta
Cada trago que dei no cigarro
Foi um simples pulo no abismo
Eu tenho cá certas manias
Que acabam fazendo história
Cada amor que tentei em vão
Foi prova de minha insanidade
Cada mentira que tentei contar
Enganou foi à mim mesmo
Nunca nada foi mais doce
Do que esse amargo na boca.
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Enquanto um estômago está cheio
O outro estômago está vazio
Enquanto um rosto ri demais
O outro é um pântano lacrimoso
Enquanto a bondade tenta andar
A maldade sobrevoa as casas
Não se trata de maniqueísmo
Se trata de olhar apenas o que há...
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Eu parei o ar! Congelei o tempo!
Os velhos decalques na geladeira
Acabam partindo pra não sei onde...
Eu olhei tuas curvas! Queria mais!
Minha líbido gira pelo ar turvo
Como moscas que enlouquecem
E mergulham em direção às teias...
Eu não disse nada! Foi mais que tudo!
Certas revelações nos ferem
Mais que qualquer agulha imaginária...
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Tudo que vive, acaba morrendo
Até o inédito cheira à normal
Faltam novidades para ver
Faltam mentiras para ouvir
Carpideiras também folgam
Todos os passos acabm lentos
E os carnavais vão se repetindo...
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Eu não procuro a beleza
Eu procuro a arte
A beleza nunca foi
Atributo obrigatório dela
A arte é apenas cruel
Mas redentora
Mistura-se com o sonho
Feito café com leite...






