terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Minimalismos 2

Pornolalia


Involuntária-

mente 

xingamos

essa grande merda

que é o

(i)mundo...


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Pornochanchada 


Antes bundas de fora

Hoje dentaduras no copo

(Isso quem não tem só ossos)...


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Aviso aos Navegantes:


Naveguem antes

ou durantes...


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Califasia


Sacomé?

Tô diboa...

Numa nice?

Tranks...

Calaboca porra!


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Imaginação


Imagina a ação

imagina a ativa

Imagi nação

imagi nativa

Imagina o não

imagina a diva


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Ação!


E com palavras

que vais e...

Pá! Lavras...


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Metas


Minha meta

mais secreta

comprar uma bicicleta


Minha meta

mais discreta

tirar o meu da reta...

Minimalismos 1

Profundis


Com tanto tempo

No mundo

Por que me negaram

Um segundo?

Com tanto raso

Porque eu 

Tão profundo?


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Só Uma (A)Manhã


Pois estes pássaros

são tão teimosos

que acabo concordando


Manhã dessas

me alegro...


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Polí(Ti)Tica


O Estado rouba o cidadão

que tem estado roubado


O cidadão rouba o cidadão

que estava na cidade


O Juiz bate o martelo

um ri e o outro chora...


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Dualismo


De tão bom fiquei mau

de tão mau fiquei bom


Só não acertei o pássaro

(tive pena)

E nem pisei na rosa

(tinha espinho)


De tão bom fiquei mal

de tão mal fiquei bom...


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Veritas


Resquício da Era Vitoriana

roemos até hoje

os ossos velhos

de novos capitalismos


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New Assombração


O New

era uma assombração

só tinha sombra

e bração...


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Linguagem Quase Universal


- Tou com fome...

- Foda-se!

- Tou com sede...

- Foda-se!

- Tou com dor...

- Foda-se!

- Quer dinheiro?

- Me dá!!!

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

POESIA GRÁFICA XCVII *

 

RUA  APOLINÁRIO

RUA  APOLITÁRIO

RUA  APOLIQUÁRIO

RUA  ASOLITÁRIO


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QUASE  TIVE  UM TROÇO

QUASE  CAI  DO POÇO

QUASE  QUE  FOI NOSSO

QUASE  ROI  O OSSO

QUASE  FIZ  ALVOROÇO

QUASE  QUE  ME  ESFORÇO

BOA  NOITE  SEU  MOÇO


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MIJO  DE  GATO

O  PERFUME  MAIS BARATO

MIJO  DE  RATO

O  DESTINO  MAIS  INGRATO

MIJO  DE  PATO

TODO  MUNDO  CAGANDO NO MATO

MIJO  DE  GATO

PODE  ENCHER  O PRATO


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VERDE que te quero AZUL

AZUL que te quero ROSA

ROSA que te quero AMARELO

AMARELO que te quero VERMELHO

VERMELHO que te quero CINZA

CINZA que quero todas as cores


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NENECA  É  UMA  BONECA

NENECA  É  UMA  SAPECA

NENECA É  UMA  SONECA 

NENECA  É  UMA  PETECA

NENECA  É  UMA  XERECA


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UMA  IDEIA

UMA  PLATEIA

UMA  ALCATEIA

UMA  PANACEIA

NENHUMA  IDEIA


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TORQUATO - BRASIL

WALLY - BRASIL

CAETANO - BRASIL

GIL - BRASIL

CHICO - BRASIL

E  AINDA  MUITOS  OUTROS  BRASIS

domingo, 11 de janeiro de 2026

A Poesia

A poesia era um caminho sem volta

depois que chega o vício dos versos

não há mais silêncio que possa contê-los...


Estava eu em um jardim abandonado

procurando algumas sobreviventes rosas

mesmo não estando mais na estação...


A poesia era uma escada dos sonhos

que aparecia nos meus sonhos profundos

e não era mais medo e sim um brinquedo...


Estava eu treinando meus muitos voos

como se todos os dias fossem ensolarados

e ventos levassem águas para bem longe...


A poesia era o mais simples dos enigmas

a tábua de salvação para meu naufrágio

e a mais sublime declaração de meu amor...


Não chore quando chegar a minha hora

é que todas elas acabam logo chegando

e tentar evitá-la é a maior das mentiras...


A poesia era como um espinho em mim...


(Extraído do livro "O Espelho de Narciso" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Era A Televisão (Miniconto)

É que eu não posso esquecer nunca da velha caixa de madeira com seu grande tubo de vidro e o interior cheio de válvulas engraçadas que até davam certo medo. Ficava em lugar de destaque na velha sala que ainda existe abandonada, num móvel herdado de tempos mais antigos ainda. Martírio quando dava algum problema (várias, incontáveis vezes isso) e alívio quando papai ia buscar seu Armando para consertá-la. Preto-e-branca, antiga mesmo. Dali saíram meu sonhos e meus raros risos em programas que um dia gostei. Mamãe preferia as novelas e meu pai os jornais que passavam. Era tão bom quando morávamos em um local que pegava o quatro! Mas nem sempre isso foi possível... Passados tantos anos, o menino foi embora para não sei mais onde, ficou o velho que quase não assiste o aparelho grande, colorido e perfeito em outra sala maior, mas a saudade sempre fica... 

Verbalizando


Eu cago.

Tu cagas.

Nós cagamos.


Isto faz parte da mesma rotina

Seja menino ou seja menina

Isso faz parte do que a gente herda

Viver fazendo tanta e tanta merda...


Eu mijo.

Tu mijas.

Nós mijamos.


Nada ocorre como são os planos

Afinal só somos seres humanos

O que há de mesquinho covarde e careta

O maior problema para este planeta...


Eu peido.

Tu peidas.

Nós peidamos.


Sem ter nenhuma beleza rara

Acaba faltando vergonha na cara

Acaba faltando qualquer capricho

Pois isso é coisa só para o bicho...


Eu vomito.

Tu vomita.

Nós vomitamos.


Qualquer hora destruímos o mundo

Só basta apertar um botão num segundo

Isso é tarefa pra qualquer um ditador

Um filho-da-puta que nunca viu o amor...


Eu gozo.

Tu goza.

Nós gozamos.


Nos falta qualquer indício de ternura

Como toda e qualquer uma criatura

Não tenho mais lugar pra onde ir

O que nos resta é então deitar e dormir...


Eu desmaio.

Tu desmaias.

Nós desmaiamos...


(Extraído do livro "Só Malditos" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Indignas Mariposas, Maravilhas Noturnas

 

Necromancia.

É tão fácil ir daqui até chegar lá

Há rosas abandonadas para quem achar

Um novo samba chegou agora na avenida

Sobre a bondade da morte e a maldade da vida

Toda mundo uma hora se sente uma barata tonta

Com tudo aquilo que o destino enfim apronta.

Pornografia.

Entre as coxas dela há não sei o quê

É com palavras que eu não sei nem dizer

Só sei que toda essa tristeza deve ter motivo

Talvez mais do que algum de estar ainda vivo

Não existem mais águas para os barcos de papel

E nem estrelas vadias para poder povoar meu céu

Fotografia.

As lembranças escorrem pelas paredes

Compostas pelos dias e suas muitas sedes

Que podem ser maiores do que as muitas fomes

Que foram por aí e agora só são apenas nomes

Vamos nos esforçar para fazer coisa nenhuma

Até que tudo acabe e mesma assim não consuma.

Biografia.

Todas as ruas que elas voam por este Rio

Fazem tanto calor mesmo se trememos de frio

E o barulho de tiros está ainda meio que distante

E tudo é apenas mais um perigo mais constante 

Eu não sei o seu nome e isso pouco me importa

Desde que o corpo esteja vivo e a alma morta.

Antropofagia.

Pelas avenidas vamos feito uns canibais

Não nos importando com nenhum dos temporais

Ou se a fantasia de velha acabou sendo rasgada

E se a máquina que nos sustenta já foi desligada

Queridas mariposas minhas maravilhas noturnas

Que fazem os leões saírem de suas escuras furnas.

Tecnologia...


(Extraído da obra "O Livro do Insólito e do Absurdo" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Com Máscara

Em muitos lares milhares de tragédias gregas. Em cada telefonema a preocupação ou a banalidade. O fogo foi descoberto quase anteontem na esq...