sábado, 14 de fevereiro de 2026

Mortos Não Querem Palmas

 


Em qualquer lugar... Em qualquer lugar...

A plateia está vazia? Nada posso fazer...

Nada esperava mesmo... Nada mesmo...

Quando muito o menino um dia sonhava

Com alguns sonhos que hoje pesadelos...

Toquem uma canção qualquer aí!

Quem sou eu para ligar qual seria?

Ainda há um gole de refrigerante no copo

Está doce mas o seu gás acabou fugindo...

Alguns mosquitos ainda dançam no ar

E antes eu possuía a melhor das intenções...

Cadê a bailarina? Não fugiu com o palhaço...

Escutem esse choro bem baixinho que é meu...

Antigos rostos agora estão em suas fileiras...

Imóveis como velhas garrafas nas prateleiras

Onde o pó do tempo se acumula malvado...

Eu pensava em coisas mirabolantes tão

Mas não ganhei e nunca ganharei o prêmio...

Agora descobri a mais crua das verdades:

O cego ria da cegueira de quem enxergava...

Não preciso de ter calma alguma, não preciso...

Um simples aperto de botão acabará com tudo...

Quem magoou o passado e cuspiu no presente

Não merece mais ter algum futuro algum...

Quebrem todos os metais em paredes de água...

Fumem seus cigarros até que lhes falte o ar...

Cada nome é o que basta para cada epitáfio...

Cada passo que dou é apenas mais um deles...

Já estamos fartos de belas mentiras piedosas

Mas teimamos em darmos conta de tal fato...

O pão de hoje não irá para a boca dia seguinte...

Todos os poetas que agora estão deitados sabem:

Mortos não querem palmas, em qualquer lugar...


(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Invencionário Puético Paira Us Quasi Sãus

 


É Nainuque nui fuck-truck.

Coincurso interplainetário di meleicas.

Queim peidari mai gainha.

Deisepero de cairnaval de moistrar a buinda.

Sivirina Xoque-Xoque laivoiu ia gaitia.

A serpeinte sói quier maimão à milaneisa.

But-But sói uisa bute. 

Na bairraca de Manéli Mindiguinho sói tai sóizinho.

Nóive cum mai nóive ié noveinta i nóive.

Tai tuido bileza foira eissa meirda toida?

Vaineca sói goista di laimber perereica.

Uim, doi, doi, viai cumer arroiz.

Quaitro, ciinco, sieis, viai cumer traiz veiz.

I chaima nai boica du caichorru.

Teirizinha Pauu Grandi nãoi mi einchi u saico.

Tadim eile isticou u peirnil.

Sii tui nuim saibi ié sói iri apreindeindo.

Tui ié mai baibaca qui u baicaca mai baibaca.

Teineco ié pirigoisu deipois qui dái uim teico.

Filícia tái siempre filiz cum ia dilicia.

Paipai mei dái uim paipel deisse.

Nui raibo du taitu teim taitu.

Ahi piriguiba di manchueia teneibru saifadico.

É Nainuque nui fuck-truck...


(Extraído do livro "Maluqueci de Vez" de autoria de Carlinhos de Almeida).

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Só Um Corpo

 

Tudo é apenas um ritual...

Um ritual desesperado, mas um ritual...

(Desculpem se abuso das reticências...)

Tudo é apenas um vento leve...

Não sei de onde veio, mas pode aumentar

E ser o furacão de amanhã...

Tudo é uma fake news...

A língua maliciosa falou, falou sim

E o desastre foi inevitável...

Tudo é apenas um carnaval...

Temos novas multidões de solitários...

As mais coletivas das solidões...

Tudo é mais uma das contradições...

Até hoje só tivemos isto...

Toda eternidade um dia acaba morrendo...

Tudo aquilo que eu queria dizer...

Por agora, só há isso...

Somente um corpo, nada mais...


(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Joy

 

Esperar com ansiedade um novo encontro

Com a pressas das gotas caindo do céu

Mesmo quando não possamos pegá-las

Com a mesma frequência que foi antes...


Nem liguemos mais para este frio que vem

E o nosso desconhecimento de certos risos...


Tudo que é simples pode ser mais complicado

Mas mesmo assim a teimosia contribui conosco

Para que certos passos aconteçam de vez

Mesmo que não saibamos até o quando será...


Um nome qualquer para ser sempre dito

Mesmo sem palavras e com a boca fechada...


Quero desconhecer qualquer norma estética

Descumprindo todos os compromissos possíveis

Se isso for o que mais seja o mais necessário

Assim como todos os rios decidem ir ao mar...


Escolhamos as cores mais absurdas que existem

E mesmo assim com elas pintemos qualquer céu...

De Venenos & Sons

 

Estou rindo freneticamente:

Como um filho-da-puta qualquer

Que escutou um barulho na madrugada

Mas que já estava acordado

Quando o seu cão latiu...


Quem me dera não pensar nada

Já que pensamentos trazem saudade

E eu nunca fui e nem serei cavalheiro

E os meus pés às vezes desobedecem

Minhas ordens de comando...


Acredito piamente nas mentiras

Desde que com alguma cobertura doce

E um sorriso da mais pura maldade

Como quem acha que a fila é pequena

E o sacrifício necessário...


O circo nem chegou na cidade

E eu já preparo as mais tolas palmas

Achando que tudo está em seu lugar

Porém faltas peças neste quebra-cabeças

E todo engano é tão tolo...


Toda madrugada tentou ser azul

E qualquer merda que se diga poema

Tem direito a pelo menos um cigarro

Antes de encostar no triste paredão

Antes que seja executado...


Vivamos o mais velho inédito

Antes da próxima chuva no deserto

E antes que a fogueira se apague

Não somos velozes e nem furiosos

O tempo é que sempre o foi...


Estou rindo freneticamente?

Escuto a antiga canção com atenção

É que me lembrei dela quase agora

Mesmo que o som seja baixo demais

Como meu usual desespero...

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Carliniana CXXV ( Um Solo do Solo )

A estrada de ferro é de papel.

Ainda nem descobrimos o fogo.

Só quero ser aquilo que não sou...


Rifa de um quilo de carne podre.

Rebanho de tulipas voadoras.

Mosquitos com alergia à sangue...


A tal paz acabou ficando furiosa.

Novos nomes para coisas velhas.

O faraó acabou perdendo a alma...


Lamentemos novas lamentações.

Agora virou moda conselhos inúteis.

Só bebemos água se for no palito...


As minhas dúvidas são engraçadas.

Até o nada tem seu mais justo valor.

O amor é o mais óbvio dos pesadelos...


Todas as manhãs possuem suas manhas.

Minha solidão acontece acompanhada.

Os cigarros entopem minhas pobres veias...


Fiz um corredor polonês só de ideias.

É tolo aquele que nunca conheceu a tolice.

Para ser morto tem que estar vivo antes...


Toda decisão é o fruto de alguma indecisão.

A realidade também possui sua máscara.

Todos os dias de sol temem que tenha chuva...


Ele sorriu com a implosão do prédio luxuoso.

A mosca fez mais um curso de aerodinâmica.

Na plateia não tinha ninguém para as palmas...

Carliniana CXXIV ( Ecos Abortados )


 Ganzás elétricos e poses anatômicas.

Tesão econômico e fotos abstratas.

Só vamos para Roma em nossos jumentos.

Fardos leves e pecados inexistentes.

Histórias cínicas e lembranças mortais.

Hoje teremos marimbondos no jantar.

Folias morais e eternos descasos.

Filas intermináveis e Zezés descabelados.

Uma pantomina nem sempre é uma.

Virgens disfarçadas e cavaleiros cadeirantes.

Epopeia de uma rotina e sangue incolor.

Nosso Ocidente só gosta de mentir.

Pesadelos agradáveis e najas inofensivas.

Rapé para filósofos e sujas camisas.

O lixo das calçadas é o mais decorativo.

Teorias de louça barata e chinelos em 3D.

Moscas higiênicas e possessões comuns.

A Terra do Nunca está superpovoada.

Toda a higiene metal e peidos industriais.

Validade quase vencida e vermes gentis.

Todos os defeitos agora são qualidades.

Obesidade desejada e hierofantes vulgares.

Manifestações imanifestas e tigres medrosos.

A moeda está sempre estará no fim do túnel.

Demônios inocentes e querubins blasfemos.

Facas acrílicas e banhos que sujam.

Mais um dia que começa para se acabar...

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Visagem

Nosso medo

É apenas um brinquedo...


Quer ajuda?

Não se iluda...

É apenas um deus-nos-acuda...


Nosso medo

É apenas um arremedo...


Quer igualdade?

Saia de impossibilidade...

Aqui só tem maldade...


Nosso medo

É mais um doce azedo...


Quer o sonho?

Nem todo é risonho...

Todo ele tem lado medonho...


Nosso medo

É a morte que vem cedo...


(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Uma Caixa de Serpentes

Uma caixa de serpentes

Todas peçonhentas 

E todas elas vivas...


As serpentes quais recordações

Boas ou então más ações

Lembranças amarrotadas

Quase tudo ou quase nada...


Uma caixa de serpentes

Todas violentas

Nossas iniciativas...


As serpentes tais quais rotinas

Nossa dose de estricnina

Pecado sem ter perdão

Quase sim ou quase não...


Uma caixa de serpentes

Todas pimentas

Apenas perspectivas...


(Extraído do livro "Pane Na Casa das Máquinas" de autoria de Carlinhos de Almeida).

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Minimalismos 8


Não Existe


Não existe começo

o meio é que começa depois

Não existe final

depois dele vem outro começo...


...................................................................................


Era Uma Estrela


Era uma estrela

mas não sabia

Iluminava o dia

mas não sabia...


...................................................................................


É Quem?


Puxa o cabelo

Belisca

Incomoda rindo

Faz até caretas

É quem?

O sonho...


...................................................................................


Tecnologia


Computador

Com puta dor...

Computador

Com puta flor...


...................................................................................


Depende


Depende de você -

O antes,

O durante

Ou o depois...


...................................................................................


Gritos


Grita meu silêncio

Por entre claras madrugadas

Sem lua...


...................................................................................


Ação do Tempo


Tudo demora

Até o agora

Que demora...

domingo, 1 de fevereiro de 2026

Teatro da Velocidade

 

Tudo é veloz...

Ai de nós!


Numa velocidade sem precedentes

Que pensamos estar até doentes

Quase são e quase dementes

Solitários entre tantas gentes...


Tudo é veloz...

Quase atroz!


Não era fogo e era apenas fumaça

O que chega logo e logo passa

Um jogo apenas de vil trapaça

Que tonteia mais que cachaça...


Tudo é veloz...

Cala a voz!


Eu penso muito e perdi a razão

Sou mero escravo da televisão

Há quase nada nesta imensidão

Estar sozinho numa multidão...


Tudo é veloz...

Até o algoz!


A manhã já acontece mesmo fria

E a tristeza vem junto da alegria

Nada poderá nos conter na teimosia

De viver e morrer com sincronia...


Tudo é veloz...

Mesmo sem voz!...


(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Ainda

Ainda pensando no espetáculo 

que não aconteceu

Na vitória que acabei perdendo

Nos passos que acabei não dando

Na roseira que está morrendo...


Ainda penando neste cela

que foi a vida quem me deu

Na chance que virou fracasso

Num céu com falta de espaço

Num amor que nunca apareceu...


Grande promoção! Grande promoção!

Ria hoje e chore amanhã!

Tente uma tentativa vã

No leme neste barco avariado

Neste mar vil e malvado...


Ainda ontem falei com os mortos! Os mortos!

Com estes meus mesmos olhos tortos...

Me mostraram algumas antigas feridas

Todas elas estavam sepultadas 

E eu pensava que estavam esquecidas...


Ainda pensando no parque que não virá

ele me trazia muito da pouca alegria

Nas voltas que eu um dia dei

Na sua imensa roda-gigante

E quem sabe talvez um dia

Tudo volte como foi antes...


Ainda... Ainda... Ainda...


(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

O Choro da Hiena

Aqui nesse nosso mundo tudo chora até a hiena

Chora de tanto rir e de tristeza que dá até pena

Chora também o mais engraçado dos palhaços

Quando olha para trás e só enxerga fracassos

Choro eu quando nos meus olhos entra fumaça

Antes eu vi que a vida é mais que uma ameaça


Chora pai, chora mãe, avô, avó, o tio e a tia

Quem tem a vida plena e o que tem alma vazia

Tanto aquele que está no abrigo ou no temporal

Aquele que começou a partida ou está no final

O cara enchendo a cara e o que não bebe nada

O que foi aplaudido de pé e o que levou porrada


O que sabia de tudo ou o cara mais ignorante

O que viveu um século ou que viveu um instante

O que vive em paz e o que dorme sob bombardeiro

O que chora na internet ou que chora no banheiro

No sexo entre ele e ele e no sexo entre ela e ela

Naquela mansão bonita ou no barraco na favela


Aqui nesse nosso mundo tudo chora até a hiena

Chora quem está com raiva e quem está com pena...


(Extraído do livro "Pane Na Casa das Máquinas" de autoria de Carlinhos de Almeida).

domingo, 25 de janeiro de 2026

Memória

Material que desgasta

Mesmo que deixe cicatrizes

Brinquedo que some

Mesmo que faça falta...


(Desculpe-me a falta de palavras

é que meus dedos agora doem

e eles doem e muito...)


Saudade que consome

Mesmo que seja silêncio

Riso fora de hora e lugar

Mesmo quando há medo...


(Eu viajei e olha que foi ontem

só que ontem era uma eternidade

cheia de um grande vazio...)


Carnaval que passou

Mesmo quando sem cinzas

Namoro que não durou

Mesmo com tantos beijos...


(Eu vi as tranças do seus cabelos

e o encanto de castanhos olhos

e agora só existem rugas...)


Frio invasor do quarto

Mesmo com fechadas janelas

Madrugada que se consumirá

Numa malvada manhã...


(A minha comum decrepitude

usa seu inútil disfarce

e transforma tudo em memória...)


(Extraído do livro "Farol de Nulidades" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Era Talvez Um Palco

Era talvez um palco...

Ou melhor, uma arena...

Onde touros e toureiros

Acabavam se confundindo...

Queremos matar ou sobreviver

Ou nem sabemos...


Era talvez um palco...

Ou melhor, uma praça...

Onde meninos brincam

Ou dançam ciranda...

Meninos bons e meninos maus

Isso tanto faz...


Era talvez um palco...

Ou melhor, um picadeiro...

Onde alguém chora

Ou ri demais...

Somos clowns e plateia

Ao mesmo tempo...


Era talvez um palco...

Ou melhor, um grande nada...

Onde todos vivem

E também morrerão...

Todos mortais e imortais

Para a eternidade...


Era talvez um palco...


(Extraído do livro "O Espelho de Narciso" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Minimalismos 7


 Eu Quero


Quero o idioma de todas as plantas

A fala de todos os bichos

O suspiro de todos os poetas

E, sobretudo,

Os sonhos que não me largam

E os amores que não me deixam...


...................................................................................


Joy


O tempo passa

Sobretudo

Aquilo que só

Nós vimos

E mais ninguém

Loucura e

Riso

Talvez até amor...


...................................................................................


Encadeamento 


Cada segredo

Tem seu medo

Cada medo

Seu enredo

Tarde ou cedo...


...................................................................................


Aqui ou Ali


Não isto e nem aquilo

Mas aqui ou lá

(Ali para quem quiser)

Estão vendo aqueles passarins?

São meus sonhos fugitivos...


...................................................................................


Concreto


Tudo que podemos pegar parece concreto

mas na verdade não é,

o tempo acaba devorando...

Só o amor é concreto,

persiste em nossas almas...


...................................................................................


Indecisão


Dizem que sou indeciso!

Será que sou?

Ou não?...


...................................................................................


Final


Toda estrada vai...

Para onde chega?

Para seu final...

E depois?

Começa outra...

sábado, 24 de janeiro de 2026

Laranja da Festa

Quanto maior, menor!

Quanto mais sábio, mais tolo!

Quanto mais fundo, mais raso!

Quanto mais simples, complicado é!


Gente que não vale um peido!

Gente que não vale um guaraná!

Nem um caroço de manga chupado!

Nem uma coçada no meio dos bagos!


Quanto mais doce, salgado!

Quanto mais macio, feito pedra!

Quanto mais seguro, perigoso!

Quanto mais novo, envelhecido!


Gente que mal sabe cagar!

Gente que mal sabe mijar!

Num vale o prato de merda que come!

Nem vale o chão que cai duro!


Quanto mais culpado, inocente!

Quanto mais vivo, quase morto!

Quanto mais comedido, exagerado!

Quanto mais chuvoso, mais praia!


Gente que não sabe latir!

Gente que não sabe nem miar!

Que não fala nem o que pensa!

Se falasse só sairia besteira!


Quanto maior, pior!

Quanto mais sábio, mais dolo!

Quanto mais rápido, mais atraso!

Quanto mais simples, complicado é!...


(Extraído do livro "Pane na Casa das Máquinas" de autoria de Carlinhos de Almeida).

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Minimalismos 6

Toda Fome


Toda fome é ingrata

Toda fome é bravata

Toda fome maltrata

Toda fome mata...


...................................................................................


Porque Nada


Porque não houve festa

mais alguma

E todos os rostos partiram

ficando mal os nomes...


...................................................................................


Tema e Variações


Uns foram mortos por aqui

Outros serão mortos por lá

Mas lá ambos serão a mesma...


...................................................................................


Todos Os Carnavais


Todos os carnavais

Não são parecidos

Todos os carnavais são iguais

Alegres ou entristecidos

Acabam e não têm mais...


...................................................................................


Morreu e Não Sabia


Muita gente morre e não sabe

Não sabiava 

Não sabeu

Até o próximo episódio

(Se tiver...)


...................................................................................


Presos


Presos sem cela

Presos com sela

Presos com tela

Presos em novela...


...................................................................................


Ai, Que Eu Vou Morrer!


Ai, que eu vou morrer de dor!

Ai, que eu vou morrer de amor!

De doença, de sede e de fome...

Sem grana, sem teto e sem nome...

Vou morrer mesmo de qualquer jeito.

Do lado esquerdo ou do lado direito.

Num dia triste ou num dia alegre?

Vou pro céu ou pro Diabo que me carregue?

Pombo aos Milhos

Ledo engano achar que a queda não traz a dor

Bobagem perder o sonho que estava pela metade...


Minha loucura

Minha sensatez

A idade das pedras

Menos que um mês...


Esquecer que tudo tem seu perigo até a nossa praça

Otimismo demais também pode ser como uma droga...


Olho atento

Olho cego

O eu vai embora

Só ficou o ego...


A facilidade tira o valor de muitas coisas que existem

Eu posso debochar de mim quantas vezes eu quiser...


Caixa de sapato

Caixa de Pandora

O ontem foi hoje

O hoje é o agora...


O silêncio é uma febre que não tem remédio pra curar

Os dentes dos ratos conseguem roer o ouro dos ricos...


Minha malícia

Minha inocência

Às vezes a tolice

Também é ciência...


Tantas vezes que meu amor foi só sofrimento voluntário

E a minha paixão foi uma roleta-russa com todas as balas...


É este mar

É este deserto

Quem eu queria

Não está perto...


(Extraído do livro "Farol de Nulidades" de autoria de Carlinhos de Almeida).

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Aeternum 3

 


Há mais sonhos tortos do que se possa imaginar...

As pessoas passam pelas ruas com traumas nos bolsos...

Cada esquina é um encontro que não queremos ter...

Tenha muito cuidado para não entrar na contramão...

A ternura é um produto que perece com facilidade...


Sob os tapetes não existem apenas simples sujeira...

A pele é a maquiagem e a carne somente a máscara...

A banda não irá mais passar em sete dias da semana...


Dizer adeus é apenas mais uma força do hábito...

A internet é a nossa grande metrópole de esperanças...

É preciso menos de trinta pratas para nos vendermos...

Dia desses darei um passei descalço sobre o fogo...

Minha covardia tomou coragem em certos momentos...


A certeza aprendeu a abraçar com desejo a dúvida...

Só destruímos aquilo que deveria ser apenas intocável...

Todo poeta é mais uma obra de insistência dos versos...


Ler epitáfios é uma arte como qualquer uma outra...

O especial foi apenas o comum que acabou sendo notado...

Todos os dias se repetem para quem os pôde vivê-los...

Os olhos só ficam abertos quando existe a escuridão...

As formigas só cantam para aqueles que podem ouvir...


Eu cato os restos das minhas fúrias com cerimônia...

Minha inocência é mais um Demônio que me condena...

De repente eu sou o toureiro de uma tourada fictícia...


Há muitas latas vazias e também corpos sem respirar...

Cada estação tem seus dias de festa e de luto também...

Os aniversários são nossas preocupações que passam...

Assim como tudo que me faz mal acaba me ensinando...

Me arrependo de não ter feito nada que me arrependa...

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Aeternum 2

A paisagem vista da janela do apartamento.

Os livros na estante que nunca irei ler.

Os muitos detalhes que escapam das mãos.

O café que esfriou na cafeteira antiga.


Onde está o tempo?


Versos que nunca mais poderei escrever.

Um beijo que fugiu da boca pra nunca mais.

Meus olhos nunca puderam enxergar o longe.

Até o novo acaba se tornando antigo.


Onde está o tempo?


Manchetes que deixaram de acontecer.

Mentiras que acabaram sendo confirmadas.

Uma luz que se apagou sozinha no quarto.

A poeira e os insetos fizeram um pacto.


Onde está o tempo?


Talvez todo caminho não seja um caminho.

E as brincadeiras nunca tenham tido graça.

Eu lavo minhas mãos pela minha própria culpa.

Todo dia seguinte terá sua própria festa.


Onde está o tempo?


Os cabelos perderam a cor que possuíam.

Cada ruga irá me contar uma aventura triste.

Minha ternura acaba abraçando o mundo.

Acabei perdendo a chave da gaveta do medo.


Onde está o tempo?


Alguma coisa não me desce de garganta abaixo.

Talvez eu quisesse ficar mais um pouco por aqui.

Ainda existem muitas estrelas para poder contar.

E talvez eu encontre um novo par para dançar.


Onde está o tempo?

Carrego comigo todo aquele que preciso...

 

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Aeternum

Gim no copo. Pouco dinheiro.

Sonhos sempre nebulosos. Perigo.

Corra que a polícia não vem aí.

Os mortos nunca param de sorrir.

Cerveja na mesa. Um milagre.

Estamos todos aí. Ou talvez não.

Eu sou o mágico sem mágicas.

E a esperança que se desespera.

O bar sempre sujo. Sem piedade.

Não conheço essa rua. Perdido.

Rir é o nosso único e fatal remédio.

Aqui não existe nenhuma moeda.

Um nome entre as rosas. Margaridas.

Vamos então comemorar. O nada.

Um cão geme pela fria escuridão.

O leiloeiro acabou de bater o martelo.

Meus sapatos estão sujos. Nem tenho.

Queremos mais uma dose. Ou duas.

A flecha apontou direta em meu peito.

Meu coração tirou férias faz tempo.

Escuto as fogueiras clarearem. Minhas.

Cada pedaço vira o todo. Há milagres.

Até a mentira pode ser algo verdadeira.

E a fama é uma forma má de anonimato.

Não vou para lugar nenhum. Fico por aqui.

Meus pés estão mais cansados. Pobre deles.

A vida foi um doce que jogamos sempre fora.

Venha qualquer hora tomar café comigo...

Mortos Não Querem Palmas

  Em qualquer lugar... Em qualquer lugar... A plateia está vazia? Nada posso fazer... Nada esperava mesmo... Nada mesmo... Quando muito o me...