sexta-feira, 3 de abril de 2026

É Melhor Não Enxergar Do Que Ser Cego

 

Flamingos sonoros. Paper arisco.

Maria Balalaica acaba de sorrir.

Jogaremos dados com nossos pés.

Uma tranquila calma luciferiana.

Ela só se veste com a sua nudez.

Gases sólidos. Brinquedos aéreos.

Tudo que aconteceu foi já ontem.

Estou sentido com meus sentidos.

O jardim não produz mais bicicletas.

Aranhas em telas. Lusas eminências.

Ferimentos invisíveis. Balões fatais.

Moedas de troco. Orgias de ogivas.

Ele possui cáries tão sorridentes.

Foi apenas mais um destes splishs.

Muretas caladas. São Paulo vazio.

Mudem a muda. Atanília guerreou.

Abóboras e melancias falam tudo.

O nosso futurismo é coisa do passado.

Meu riso é sério. Minha mudez grita.

Estalo de dedos. Sopro de vela.

Faltam as violas. A violência sobra.

Dói esse meu calo. Quase sempre.

Sombra boxeadora. Anis estalado.

A costela nunca precisou de Adão.

Toda moeda é apenas claro enigma.

Lido e relido. Visto e não-visto.

Nada muda até que haja a mudança.

Lindos pés. Argumentos infalíveis.

Circo fechado. Clowns claudicantes.

Até certos espirros são afinados.

E pedras delicados travesseiros.

É melhor não enxergar do que ser cego...


(Extraído da obra "O Livro do Insólito e do Absurdo" de autoria de Carlinhos de Almeida).

segunda-feira, 30 de março de 2026

Eu Estarei Lá (Obscuridade Brilhante)

Quando tantos idos não forem mais idos

E as músicas sem propósito pararem de tocar

Quando as respostas pararem seus sentidos

E todas as estrelas pararem o seu brilhar

E os espelhos tiverem todos já partidos

Eu estarei lá! Eu estarei lá! Eu estarei lá...


Quando os versos forem todos então lidos

E a plateia para aplaudir então se levantar

E houverem beijos públicos e até escondidos

Como os que ela nunca quis antes me dar

Quando cessarem esses ruídos nos ouvidos

Eu estarei lá! Eu estarei lá! Eu estarei lá...


Quando meus ossos mesmo se carcomidos

Alguma lembrança ainda poderem te dar

E alguns lances que foram mais divertidos

Vierem em nossa mente para poder brincar

Não chore por eu ter então apenas morrido

Eu estarei lá! Eu estarei lá! Eu estarei lá...


(Extraído do livro "Leonardo e O Chão" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Fundo Musical

Sem partituras

Apenas ruídos impactantes

E o primeiro pássaro do dia

Cantando do lado de fora.

Tudo estará azul

Até os lilases conflitantes

Que vão acompanhar

Tantos réquiens sem tino.

Eu engulo tudo

A minha saliva amarga

E todos estes versos

Que afinal nunca fiz.

Nenhuma pergunta

Todas as afirmações

Com dúvidas

Que existem sempre.

Um dia serei raiz

De uma pobre planta

Que nasceu por aí

E também morrerá.

Eis um menino na calçada

Tocando seu instrumento

Enquanto seu cãozito

Agradecia as moedas...


(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).

sábado, 28 de março de 2026

Pois Eu Sou O Filho

Pois eu sou o filho do passado

Que só acontecerá hoje...

Mastigo alguns cacos de vidro

Com a veemência de quem

Tatuou a fome em sua pele...

Ela era tão linda antes das rugas...

Agora o jornal amarelou de vez...

De que me adiantam as chaves

Se não existem mais portas?

Vou comprar uma corrente na esquina e já volto...

Permite-me uma observação?

Nunca guarde sorrisos para depois...

A fumaça nunca se prende em garrafas...

Por que os cães vivem tão pouco?

Isso é lógico! Não precisa nem perguntar...

Por que somos tão miseráveis?

Isso é basico! Qualquer resposta é excesso...

Esse barulho silencioso

Acaba ferindo meus pobres ouvidos...

Só roubarei beijos se forem emprestados...

Qualquer hora dessas voarei sem asas...

Ou será melhor usar pelo menos um par?

Todas as frutas acabam gostando do chão...

Ali em frente ao mar

Existem mesas de cimento gastas

Para o nosso maior desconsolo...

Só os que puderam envelhecer

É que pagaram o preço da vida...

Eu aceno distraidamente 

Como quem pede notícias vãs...

Acordei quase agora

Do sono profundo que não tive!

Masco chicletes imaginários

Que quase não me fazem falta...

Cada minuto é uma lâmpada queimada...

Estamos festejando o fim do mundo

Já faz é muito tempo!

Quer me conhecer realmente?

Me dê de presente outro terninho azul...

Ou aquele cocar de tantos carnavais...

Pois eu sou o filho do passado

Que só acontecerá hoje...


(Extraído do livro "Pane Na Casa das Máquinas" de autoria de Carlinhos de Almeida).

sexta-feira, 27 de março de 2026

Babilônialá

A lua correu nua pela rua...

Loucura geral,

Guerra de quintal,

Enterro no carnaval...


O passo foi o embaraço do espaço...

Caiu sentado,

Correu deitado,

Morreu à nado...


Com nome passou fome sem sobrenome...

Quase tudo,

Quase mudo,

Não me iludo...


Nunca mais tentar ter paz será demais...

Muita maldade,

Quase saudade,

Pouca verdade...


A lua correu nua pela rua...

Procura geral,

Folia de quintal,

Erro no carnaval...


(Extraído do livro "Farol de Nulidades" de  autoria de Carlinhos de Almeida).

quarta-feira, 25 de março de 2026

Babilôniali

Minha cabeça não está confusa,

É a minha alma que agora está...

Por que a vida dá gritos chamando

Se a morte nos levará qualquer dia?

Esta nossa conta nunca acerta,

Mesmo quando aprendemos...

Por que há tanta comida por aí

E são tão poucos os que comem?

Meu sono nunca se faz tranquilo,

É povoado de banais pesadelos...

Que destino é esse que nos maltrata

Se nem ao menos pudemos escolher?

Minhas feridas nunca irão fechar,

As cicatrizes são como lembranças...

Mas quem foi que apagou essa luz

Se nós ainda permanecemos na sala?

O sofrimento é uma piada sem graça

Que faz até os palhaços chorarem...

Que teoria louca poderá nos explicar

Exatamente o que não tem explicação?

Todos os carros agora passam apressados

Como se o tempo se importasse com isso...

Nesses dias de hoje não enxergam mais

Que certas pressas só causam desastres?

Minha cabeça não está confusa,

É a minha alma que agora está...

Por que a vida dá gritos chamando

Se a morte nos levará qualquer dia?...


(Extraído do livro "Farol de Nulidades" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Babilôniaqui


 Água amarga. Ejaculação precoce.

Espelho de lata. Cabeça entre as pernas.

Uma cortina de lençol na porta do quarto.

Acabou o sol quase agora.

Piercing no olho. Quentinha azedada.

Riso histérico. Sensação de nuvens.

Inventei uma nova forma de desespero.

Uma fogueira sob as águas.

Chá das seis. Escrita inculta.

Tapa nas ventas. Arame farpado.

Os canhões um dia irão desmaiar.

Um gole de absinto para mim.

Moqueca de gelo. Fumaça etílica.

Fila da morte. Ovos velozes.

Só sou louco quando eu respiro.

Morri quinhentas vezes.

Palavras iletradas. Patos caçadores.

Transando de tênis. Barulho furtivo.

Agora só sabemos o que não sabemos.

O cientista desaprendeu tudo.

Fila baiana. Estepes furados.

Casacos esfriantes. Beleza horrível.

Não tenho grana nem pro cigarro.

Esqueço quem eu não fui.

Fotografia para cegos. Diversão triste.

Tensão indomável. Pombos belicosos.

Nunca mais seremos de novo felinos.

A improvável beleza do ter.

Cantoria solitária. Dia improvável.

Vitória esfacelada. CrÂnio rachado.

Nunca se sabe de onde vem o vento.

Toda Babilônia é aqui...


(Extraído do livro "Farol de Nulidades" de autoria de Carlinhos de Almeida).

terça-feira, 24 de março de 2026

Ainda Não

Ainda não...

As mãos do poeta não ficaram imóveis

Desistindo de procurarem o verso ideal

Diferente dos que escrevi de forma inútil

Tentando mostrar as alegrias que não tive...


Ainda não...

Os olhos do poeta não estão fechados

Estão apenas arregalados na escuridão

Que eu teimo em chamar de vida

E que ela por maldade entortou um dia...


Ainda não...

A boca do poeta possui apenas um grito

Ou ainda um riso entre muitos gemidos

Como quem vem em passos firmes

Para colher rosas neste nosso jardim...


Ainda não...

A alma do poeta tem um rasgo de ternura

E esse pedaço que se fez de sobra

Mesmo que mais nada então reste

Poderá dançar pelas estrelas do céu...


Ainda não...

segunda-feira, 23 de março de 2026

Pois O Desespero Só Sabe Rir

Não há mais sono.

Barulhos silenciosos cortam o ar.

Mas a lâmina está desamolada.

Eu não sei pra onde voar.

Não queremos liberdade de correntes.

E nem mais senhas invalidadas.

Todo adjetivo foi uma mentira.

Inventaram uma cor invisível.

Isto é naturalmente artificial.

Minhas asas são como um eclipse.

Assim foram aquelas noites europeias.

Um pouco de mitologia no café da manhã.

Agora eu sou o meu próprio abismo.

Em qualquer museu muitas espaços vazios.

Qualquer riqueza é tão pobre.

Sinos são dobrados como papel.

Só a brevidade pode durar algo.

Esqueci qual era a pergunta.

Um dedo de prosa sem qualquer mão.

Eu só não sabia que não sabia nada.

A esperança resiste até não poder mais.

A paixão é que nos acaba apaixonando.

Vento que venta aqui acaba lá.

Acabo tendo pressa com minha preguiça.

Temos versos para qualquer mediocridade.

Guerras também em cada esquina.

Há um frio glacial dentro desta fogueira.

Quero bem mais do que eu posso.

E não há mais sono...


(Extraído do livro "Pane Na Casa das Máquinas" de autoria de Carlinhos de Almeida).

domingo, 22 de março de 2026

Infinitivos Alguns

Pois nasceram de ondas

Que não posso ver

Ou de vários milagres

Que não posso crer...


Ai, meus olhos!

Dois pirilampos e escuridão...

Nenhum amor

E apenas mais uma paixão...


A minha canção mais bonita

Não posso cantar

Ou é apenas mais um delírio

Que vem ao pensar...


Ai, meus pés! 

Como doem por este caminho...

Estou acompanhado

Mas a vida me faz um sozinho...


O tempo é apenas um acidente

Que veio me machucar...

E meu maior destes encantos

São tiros do seu olhar...


Ai, minhas mãos!

Fazem um gesto quase morto...

Eu sou apenas

Mais um viajante sem porto...

quarta-feira, 18 de março de 2026

Não Há Paredes

Não há paredes para minha liberdade

Nem há muros para meus sonhos sequer

Eu engoli o tristeza em um gole só

E fiz da minha sombra boa companhia...


Até o amor não me machuca mais

Com sua partida sem me dizer um adeus

A única realidade mais que possível

São os dedos frios da morte me acariciando...


Saio da frente desta mais cruel tela

Sendo apenas mais eu e nada mais

De tanto pensar acabei descobrindo segredos

E nenhuma crueldade será mais novidade...


Não há paredes para os meus versos

E eles me seguirão nos caminhos que for

Se serão lidos ou não não são problema meu

O último deles será como o fim da chuva...


(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).

terça-feira, 10 de março de 2026

Pois Na Cidade Também Há Solidão

Eu sei,

Você sabe,

Ele sabe,

Todos nós sabemos,

Que na cidade também há solidão,

Em cada mercado tão cheio,

Em cada praça mais lotada,

No meio do bloco no domingo,

Na hora do rush na Central,

Somos feito pombos disputando os grãos...


Eu quero,

Você quer,

Ele quer, 

Todos nós queremos,

Que a morte perca o último ônibus,

Que o amor se canse e não parta mais,

Que a maldade caia no chão e quebre,

Que a esperança venha que nem febre,

Que a dúvida sorria do canto da boca,

Somos como bêbados de alguma alegria...


Eu tenho,

Você tem,

Ele tem,

Todos nós temos,

Um mesmo medo no fundo da alma,

Uma mesma desunião entre seres queridos,

Enigmas que nunca podem ser resolvidos,

Desculpas esfarrapadas para qualquer erro,

Dores que não aparecem e nunca param,

Pedidos de esmolas quase disfarçados...


Eu sou,

Você é,

Ele é, 

Nós somos,

Apenas humanos nesta solitária cidade...


(Extraído do livro "Leonardo e O Chão" de autoria de Carlinhos de Almeida).

segunda-feira, 9 de março de 2026

Metamorfose em Anjos

Em pouco tempo

Não haverá mais tempo

Nem pra pensar...


Um vendaval invadiu as janelas

Trouxe poeira pros móveis

Quase rasgou as cortinas azuis...


Talvez amanhã

Todos os prédios desabem

E seremos ruínas...


A televisão acabou pegando fogo

E a fumaça resultante

Acabou transformando em nuvens...


Certamente hoje

Alguém de cara mais feia

Cantará um réquiem...


Pois eu envenenei o meu chá

E nada aconteceu

Pois temos vícios bem piores...


É tudo um hábito

Como a guerra para os malvados

Ou tristeza para pobres...


Eu só sei que nada mais sei

E agora meus demônios

Também cantam seus hinos...

domingo, 8 de março de 2026

Ingrata (Miniconto)

Não foi ingrata  como parecia, foi muito, mas muito mais mesmo. Qualquer superlativo ainda é fraco perante ela. O engraçado é que como ela existem muitas pessoas pelo mundo, livres e soltas para fazerem suas maldades. Não são doentes como poderíamos até achar que são - são simplesmente más. Algumas possuem defeitos expostos, outras não, esses são escondidos como certas relíquias em gavetas bem fechadas. Algumas também apontam seus alvos e atiram: pam! Se acertam, problema de quem foi ganhou o tiro... Se não acertam, também sabem fazer uma bela encenação. Outras, exemplares um pouco mais raros, passam a vida em branco, parecendo que são boas pessoas, mas não são, seu veneno está guardado num vidrinho e se um dia precisarem, certamente utilizarão... Ela é uma delas - psicopata. E eu, apenas um azarado que a amou e se ferrou com todas as letras, mas na falta de um termo mais exato, chamarei de ingrata. Até rima que nem naquela música... 

sábado, 7 de março de 2026

Nova Idade

Nova idade

De exageros antigos

De bunkers sem abrigos

De colegas que são inimigos...


Nova idade

De senhas esquecidas

De amores sem margaridas

De mortes fantasiadas de vidas...


Nova idade

De covas condomínios

De mais invisíveis domínios

De maldades com patrocínios...


Nova idade

De ouvintes surdos

De argumentos absurdos

De oradores mais que mudos...


Nova idade

De ricos impunes

De doentes mais imunes

Desta separação que nos une...


Nova idade

De insossa delícia

De desastrada perícia

De mais mortal carícia...


Nova idade...


(Extraído da obra "Palavras Modernas" de autoria de Carlinhos de Almeida).

quinta-feira, 5 de março de 2026

Jogos Extremos

Temos o excesso da falta...


O primeiro controle remoto

Foi no mais remoto tempo

Em que as mais pobres uvas

Eram apenas umas simples uvas...


Corra que a polícia não vem aí!


A violência plena e constante

Agora virou mais uma regra

Não é que estamos no absurdo

O absurdo sempre existiu...


Engoliram todos os rádios de pilha...


Rolaram pudins ladeira abaixo

Realidade com suas caras e bocas

Foi naquela noite que eu nasci

Que eu aprendi o que era noite...


Abaixe logo esse som, porra!


Toda o ar que agora está esfriando

Dia desses também foi quente

A barriga que ontem esteve cheia

Agora está mais do que vazia...


Os incomodados que se emudem!


Antes do pelotão todos ficam de pé

Ela passeia como se não tivesse risco

Não faremos mais pergunta nenhuma

Porque não importa nenhuma resposta...


Temos a falta do excesso...


(Extraído da obra "Farol de Nulidades" de autoria de Carlinhos de Almeida).

segunda-feira, 2 de março de 2026

Minimalismos 9

O Cárcere


O cárcere prende tudo:

O prisioneiro,

O carcereiro,

O dezembro,

O janeiro,

O último

E o primeiro...


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Saco Cheio


Tou com o saco cheio

de tanto vazio...


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Te Aguardo


Te aguardo

Como leve brisa

Ou pesado fardo...


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Quando Veio


Quando veio

Veio mesmo

Como tiro à esmo...


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Sabia?


Não sabemos nada

Nem se estamos vivos

Nem se estamos mortos...


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Pular Corda


Sábia arte

De mais do que

Equilíbrio...


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Mais


Muito mais vemos

Do que ouvimos...

domingo, 1 de março de 2026

Carliniana CXXVII ( Estética Avessa )

Entremeio de nada.

Velocípedes de alta potência.

Cascas de laranja para o chá.

Morreu quase agora.

Nu e totalmente vestido.

Esfaqueou-se gargalhando.

Comeu peixe podre ainda ontem.

Fez sexo no festival festejando.

Bebeu água sanitária colorida.

Pinóquio já foi para o inferno.

O destino enlouquece sempre.

Qualquer passado nos suja.

Galinha frita bem doce.

Um esmola para o milionário.

Beijei Bapo bem na boca.

Milhares de cáries em procissão.

Vários conselhos de merda.

O piá nunca mais piará.

Ninguém pariu a puta.

Gatos de pedra na praia.

A formiga passeia na tela.

Não compreendo o compreensível.

Vamos estudar a ignorância.

Só vale o quanto não pesa.

Mané Zuza foi em Siracusa.

Pimenta nos olhos é colírio.

Quando peidar eu te aviso.

Quem beber vinagre é multado.

A falta de colírio é tão normal.

A fome virou o tema do dia.

Quem não corre agora morre.

É um trocadalho do carilho.

Filé com graviola emociona.

Sou um estrangeiro brasileiro.

Abriremos uma fábrica de rugas.

Bom pra tosse é creolina.

O hoje é o ontem disfarçado.

A ameixa e o jamelão dançam tango.

Bacon vegetal para canibais veganos.

Fumar papel higiênico usado é moda.

Caldo de mico faz bem pra vista.

Vamos deitar nos trilhos do trem.

A denúncia vazia é a mais vadia.

O poeta venderá muitas coxinhas.

Colecionarei coliformes fecais.

O burro xucro ensinou filosofia.

Quero capilé com muita farinha.

Entremeio de quase nada agora...

sábado, 28 de fevereiro de 2026

Apague O Sol

São tantas as feridas

Destas e de outras vidas

Que não se pode medir

Perigos aqui e ali

Em casa ou na rua

No mundo ou na lua...


Apague o sol, isso fere meus pobres olhos...


São tantas as manias

Que preenchem os meus dias

São tantas as emboscadas

Pelas curvas das estradas

Que já me incomoda mais

Queria só um pouco de paz...


Apague o sol, a noite me faz mais carícias...


São tantas as saudades

Vindas de algumas outras idades

Coisas que esqueci até o que era

O morto verão e a finada primavera

O esquecido menino é o velho que sou

E afinal nem sei pra onde vou...


Apague o sol, apague logo, apague...


(Extraído do livro "Escola dos Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Caos Prometido

As pedras tornadas em pó.

Espinhos para o travesseiro.

Madrigais pelas madrugadas.

Não há mais perfume pelo ar.

Quintas-feiras pelos quintos.


O prédio desabou até.

Venda por uma cesta básica.

Trocar a alma pelo corpo.

Babilônias com barracos.

Tatuagens feito rabiscos.


Nunca mais será nunca mais.

Nova descoberta antiga.

O ouro dos meninos sumiu.

Nada é mais belo que o nada.

Um cigarro atrás do outro.


Sem gole d'água para sedentos.

A infâmia de certos quadrinhos.

Tatuagens malfeitas das peles.

Contagem imediata de mortes.

Guerrilheiros dançando xaxado.


As pedras tornadas em pó.

Espinhos para nossa travessia.

Madrugadas pelos madrugais.

Não há mais perfume pelo bar.

Quintas-feiras pelos quintais.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Rude

Através do vidro a paisagem.

Os sonhos já morreram.

A vida faz carícias para ferir.

No Paraíso também se sofre.

A verdade do amor mente.

O azul também é vermelho.

Os bicos dos teus seios.

Uma profundidade tão rasa!


A brisa mansa não é mansa.

Em volta da fogueira o silêncio.

Mais um refrigerante please.

As margaridas estão chorando.

Eu sou o rei de mim mesmo!


Amanhã não é mais hoje.

Há alegria no fundo do copo.

Versos também incomodam.

Um mosquito voa até.

Toda morte vem mais cedo.

Ela possuía medo dele.

O inocente também é culpado.

Ainda bem que nós voamos!


Espinhos servem para proteger.

Nossos pés é que nos levam.

Um café para o pobre aqui.

As nuvens e o sol são amigos.

Caiu uma moeda do meu bolso!


Não toque em mim nunca.

A vida é apenas sobrevivência.

O cangaço nunca que acabou.

Soco na cara dos mentirosos.

Não dúvida na minha dúvida.

Eu desaprendi a fazer contas.

Ganho mais com certas perdas.

Tudo não tem preço algum!...

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Teoria do Impossível

Só o impossível acontece...

Grande mistura de tempos e figuras. De sóis sem donos em manhãs mais do que vadias. Poetas velhos e velhos poetas numa exposição iconográfica de pesadelos mais do que fixos. Tudo pode não acontecer...

Só o improvável acontece...

Não sou bom e não sou mau. Uma mistura antagônica acontece em meu ser. Quando nasci prendi o tempo em uma triste gaiola sem pássaro algum. Quando se abrirá a porta da cela nunca se sabe...

Só o insólito acontece...

Notícia que ninguém estava aguardando. Manchete inútil pelas redes espalhadas em telas. Mentiras descabidas de uma elite suja de falsos profetas. Quem viver, não vai querer ver mais nada...

Só o desinteressante acontece...

Tombos programados de infelizes embriagados. Nudez decorrente das putas de plantão. Coprolalia consagrada em paredes dos mais sujos banheiros. Passagens compradas para um trem que irá ao inferno e acabou de chegar na estação...

Só o desesperante acontece...

Ameaças de bombardeios capitalistas. Cultura bizarra que atrai as multidões como moscas no mel. Esterco de porcos que sabem voar. Jogo das cadeiras sem cadeira alguma. Felicidade manca de conselhos inúteis...

Só o delirante acontece...

Histórias aberrantes com frágeis testemunhas. Memórias que nem todas as águas consegue lavar. Os sonhos acabam incomodando mais do que as moscas. E o mato teima em crescer pelos quintais. Toda poesia morre envenenada pela mediocridade...

Só o impossível acontece...

 

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Carliniana CXXVI ( Redes Sem Sociais )

Eu próprio me desconheço

Nem sei mais o meu endereço...


Isolado numa multidão

Pobre do meu pulmão

Só para ele apenas um caixão...


Eu próprio me desconheço

Virei apenas um adereço...


Pulando carnaval sozinho

Não é rosa nem espinho

É apenas outro caminho...


Eu próprio me desconheço

De mim não tenho apreço...


Querendo uma nova ideia

Existem vaias na plateia

Não temos uma panaceia...


Eu próprio me desconheço

Se subo ou se desço...


Uma rede na varanda

Começou a nova ciranda

O que não voa - anda...


Eu próprio me desconheço

Não sei se é fim ou começo...

A Morta

 


A morta

Vem ela de perna torta...


Vem ela de tempo curto

Correndo atrás do meu surto

Vem logo pedir cigarro

Se pode para o meu carro

Quer dar beijo na boca

Que louca, que louca!


A morta...

Ela quase não me suporta...


Vem ela fazendo bico

Botando fogo no circo

Estranha mas conhecida

Tá sempre puta da vida

Tem sempre a cabeça oca

Que louca, que louca!


A morta...

Se esconde atrás da porta...


Vem ela pedindo abrigo

Trazendo mais um perigo

Que nem alguns anos atrás

É coisa que nem lembro mais

Desgraça é coisa pouca

Que louca, que louca!


A morta...

Agora nada mais importa...


(Extraído do livro "Insano" de autoria de Carlinhos de Almeida).

É Melhor Não Enxergar Do Que Ser Cego

  Flamingos sonoros. Paper arisco. Maria Balalaica acaba de sorrir. Jogaremos dados com nossos pés. Uma tranquila calma luciferiana. Ela só ...