domingo, 1 de fevereiro de 2026

Teatro da Velocidade

 

Tudo é veloz...

Ai de nós!


Numa velocidade sem precedentes

Que pensamos estar até doentes

Quase são e quase dementes

Solitários entre tantas gentes...


Tudo é veloz...

Quase atroz!


Não era fogo e era apenas fumaça

O que chega logo e logo passa

Um jogo apenas de vil trapaça

Que tonteia mais que cachaça...


Tudo é veloz...

Cala a voz!


Eu penso muito e perdi a razão

Sou mero escravo da televisão

Há quase nada nesta imensidão

Estar sozinho numa multidão...


Tudo é veloz...

Até o algoz!


A manhã já acontece mesmo fria

E a tristeza vem junto da alegria

Nada poderá nos conter na teimosia

De viver e morrer com sincronia...


Tudo é veloz...

Mesmo sem voz!...


(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).

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