Estou rindo freneticamente:
Como um filho-da-puta qualquer
Que escutou um barulho na madrugada
Mas que já estava acordado
Quando o seu cão latiu...
Quem me dera não pensar nada
Já que pensamentos trazem saudade
E eu nunca fui e nem serei cavalheiro
E os meus pés às vezes desobedecem
Minhas ordens de comando...
Acredito piamente nas mentiras
Desde que com alguma cobertura doce
E um sorriso da mais pura maldade
Como quem acha que a fila é pequena
E o sacrifício necessário...
O circo nem chegou na cidade
E eu já preparo as mais tolas palmas
Achando que tudo está em seu lugar
Porém faltas peças neste quebra-cabeças
E todo engano é tão tolo...
Toda madrugada tentou ser azul
E qualquer merda que se diga poema
Tem direito a pelo menos um cigarro
Antes de encostar no triste paredão
Antes que seja executado...
Vivamos o mais velho inédito
Antes da próxima chuva no deserto
E antes que a fogueira se apague
Não somos velozes e nem furiosos
O tempo é que sempre o foi...
Estou rindo freneticamente?
Escuto a antiga canção com atenção
É que me lembrei dela quase agora
Mesmo que o som seja baixo demais
Como meu usual desespero...

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