sexta-feira, 6 de setembro de 2013

O Corpo

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O corpo não tem limites
Não tem limites por não ter trâmites
Não tem trâmites porque não entende
E não entende porque só quer
O corpo não tem ética
Ele nunca quer mal
Mesmo quando algum mal faz
E assim vai vivendo e morrendo
O corpo não tem visão
E ser cego permite ver tudo
Saber qualquer coisa
Mesmo pequenos grãos de pó que flutuam
O corpo não tem insônia
Dorme o sono dos justos quando pode
Sem os crimes que tecem nosso dia a dia
O corpo não tem parentes
É peça única e é peça rara
Com caprichos próprios
E com os crimes mais inocentes
O corpo não tem voz
Mas grita e grita o tempo todo
Fala de coisas que só ele sabe
E enxerga até dormindo
O corpo não tem lógica
Porque só a loucura tem asas
Indo de encontro ao insólito
Que se tornará magnífico
O corpo não tem pressa
Mas espera iminente o imprevisto
A hora cínica e verdadeira
Em que não será mais corpo...

Um comentário:

  1. É meu amigo Carlinhos, o corpo é o tudo e o nada, e se expressa pela inteligência das células, onisciente, onipresente, o corpo vitimado pelo corpo social, pelo corpo decimal, desce ao mal, o corpo é isso que a insônia expressa, e muito mais, dados quais somente o poeta sabe incorporar, UM GRANDE ABRAÇO

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