Nada...
Na rua, na praça, na pista,
Na cabeça, que aqueça, na revista,
Mais um gole, mais um trago,
Na sorte, no dia aziago...
Nada...
No idiota, no patriota, concreto,
Na curva, na turva, grito discreto,
Na parede sem tinta, na cicatriz,
Na fome, na sede, medo de ser feliz...
Nada...
A dona, o senhor, a escrava,
A farinha, o feijão, a palavra,
O sexo, o nexo, final de inocência,
A multidão, o sim e o não, a carência...
Nada...
A necessidade, a qualidade, o tema,
A fama, a lama, o velho dilema,
O prato cheio, o meio, a senha,
O metal, o carnaval, que venha...
Nada...
O embalo, o falo, a nudez vitoriana,
O assunto, o defunto, sem Copacabana,
O país, o meu nariz, tesão repentino,
O trem, o amém, o andar sem destino...
Nada...
A balada, a safada, a sem-vergonha,
Sem salário, seu otário, sem maconha,
Almoço cancelado, tá ferrado, perdeu,
A culpa não é sua, é da rua, quase morreu...
Nada...
(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).

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