Esqueçam toda e qualquer regra
- a vida não possui nenhuma -
apenas algumas circunstâncias.
Ninguém é aquilo que pensa que é,
Se fosse assim, não erraríamos nunca...
Para o vilão o herói que é o vilão,
A história sempre será mal-contada
E a vulgaridade acaba sempre vencendo.
A fé é uma brincadeira de mau-gosto,
Muitos ainda irão dormir com fome...
Não há beleza alguma que se sustente,
Até o sol pode matar alguns olhos
Assim como ele que mata as rosas.
Ninguém respeita os corpos mortos,
Apenas as lápides serão até lidas...
Hoje não dançaremos mais na chuva,
Não há mais fogueiras pelas noites
E todas as estão agora enlouqueceram.
Não espere riso de quem só pode chorar,
Agora até o espelho já me vira o rosto...
Até a esperança espera algo que não há,
Nem todos os barcos dormem no cais
E as borboletas sugam o sangue das flores.
Algumas lendas são apenas mentiras
Enquanto outras são erros de percurso...
Todas as estrelas são apenas uns átomos,
As nossas necessidades mais básicas
São demonstrativos da nossa pequenez.
Hoje só temos bitucas e um pouco d'água,
Alguém quer compartilhar disto conosco?
(Extraído do livro "Pane Na Casa das Máquinas" de autoria de Carlinhos de Almeida).

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