terça-feira, 9 de junho de 2026

Marcha Forçada

Grande quantidade de sustos

Aquilo que eu nunca quis

Poderia ter dormido mais um pouco

Mas os sons do dia são implacáveis...


Enigmas sem explicações aparentes

Minhas mãos sempre tremem

A puta é a mais inocente de todas

É um cigarro atrás de outro cigarro

Enquanto o meu café não chega...


O açúcar deixa um amargo na boca

Enquanto nossa lógica claudica

E o tarot diz apenas coisa com coisa

Até que a água chegue lá nas nuvens...


O rótulo não indicava se era veneno

E a maré parecia estar calma

A onça aguardava paciente entre folhas

E os elefantes passeavam suavemente

Enquanto chupavam seus dropes de anis...


Minha musa platinou os seus cabelos

Enquanto a distância me dá tapas

O mar conhece mais esse meu rosto

E minhas asas estão tirando férias...


Não mais e nem menos que menos

Toda hora é a hora de jantar

Mesmo quando os mortos não jantam

E debaixo deste sol tão mais infame

Eu só possa fazer essa marcha forçada...


(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).

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