A vida é uma charge que pinga sangue.
Onde estiverem dois ou três em meu nome
Pode acreditar que eu já fui embora.
Manoel para onde foi dispensa sapatos.
Aves modernas desconhecem gorgeios
Por receio de virarem o prato do dia.
A vida é uma sinuca de bico de pato.
Hoje as laranjas são de azul-marinho
E os cabides sabem dançar um frevo.
Escondi o remédio sob minhas axilas.
Vamos para a lua fazer aquele protesto
Porque nos faltam margaridas puladoras.
Em Cuzco agora estão distribuindo cuscuz.
Só ficaremos pelados se todos vestidos
E com anéis de plástico destas caixinhas.
Tem quem tenha domínio sobre o dominó.
A solidão vem vindo num trem muito lotado
E ninguém lembra de ter comprado bilhete.
Todo motivo agora poderá ser dispensado.
Caiu um cisco bem grande no olho do furação
E até escorreu dele aquela singela lágrima.
Eis os copos no balcão sujos de cerveja...
(Extraído da obra "O Livro do Insólito e do Absurdo" de autoria de Carlinhos de Almeida).

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