Um copo cheio
Quase vazio,
Sou brasileiro
E americano,
Sou carioca
E quase mineiro.
Dou voltas sem sair do lugar,
Não preciso de asas e sei voar.
Eu amo tudo,
Não amo nada,
Acompanho a solidão
Por qualquer caminho.
Não tenho regras,
Essa é a regra.
Faço poemas em papel de pão.
Cadê o pão?
Já foi embora pela manhã.
Me irrito calmo,
Não sei mais nada,
Livre com minhas correntes.
Aqui tá frio,
No meio do fogo.
Ai quem me dera
Só mais uma quimera.
Vamos caprichar na mitologia.
Sem reticências.
Só interrogações
E certamente pontos finais.
Tudo é procura,
Mesmo quando não é.
Ontem foi hoje,
Disso eu entendo feito louco.
Fico em silêncio,
Meus gritos acabaram de dormir.
Falo o que quero,
Foda-se a lógica.
Qualquer neologismo
É um filho que acaba de nascer,
Fora da maternidade.
Não escolho a bandeira
Que carrego
Mesmo em tempos idos.
Já chega disso,
Quero um cigarro
E se ele me matar será favor.
Sou um rio eletrônico
De cor mais indefinível.
Tudo é um bom dia.
Sou campeão de beijos
Mesmo faltando a boca
Para poder beijar.
Guarde pra você,
Os seus fracassos, suas vitórias,
Na gaveta da velha cômoda.
Chame logo esse Uber,
Preciso ir não sei aonde
Fazer não sei o quê
Só não sei quando.
Tudo é uma velha teoria.

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