Nem tudo que dá certo está certo,
Nem tudo que dá errado está errado,
O peito poderá estar como um deserto
Enquanto a felicidade está ao lado.
Nem tudo o que é bonito lhe faz bem,
Nem todo remédio acaba nos curando,
A alegria não é mais uma nota de cem,
Mas pode ser mais um criança brincando.
Nem toda dor pode ser uma grande lição,
Nem todo o desvario pode ser insanidade,
Encontraremos solidão em meio à multidão,
Isto pode acontecer no centro da cidade.
Nem toda bondade poderá nos salvar,
Nem toda maldade acaba indo pela culatra,
Um grande romance pode ser sem se amar
E a maior loucura não precisa de psiquiatra.
Nem todo papel com o tempo amarela,
Nem toda riqueza traz junto só alegria,
Aquele sol que vem invadindo a janela
Não é o mesmo que vem trazendo poesia.
Nem sempre fazendo errado que se erra,
Nem sempre o que nos protege é escudo,
Às vezes o meu silêncio é aquilo que berra,
Nem tudo, nem tudo, nem tudo...
(Extraído do livro "Farol de Nulidades" de autoria de Carlinhos de Almeida).

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