Tudo é veloz...
Ai de nós!
Numa velocidade sem precedentes
Que pensamos estar até doentes
Quase são e quase dementes
Solitários entre tantas gentes...
Tudo é veloz...
Quase atroz!
Não era fogo e era apenas fumaça
O que chega logo e logo passa
Um jogo apenas de vil trapaça
Que tonteia mais que cachaça...
Tudo é veloz...
Cala a voz!
Eu penso muito e perdi a razão
Sou mero escravo da televisão
Há quase nada nesta imensidão
Estar sozinho numa multidão...
Tudo é veloz...
Até o algoz!
A manhã já acontece mesmo fria
E a tristeza vem junto da alegria
Nada poderá nos conter na teimosia
De viver e morrer com sincronia...
Tudo é veloz...
Mesmo sem voz!...
(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).
