segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Rosa Ilógica ( É Que Eu Nunca Sei )

aquele sorriso que você não me deu

naquela praça que nunca existiu...

sonoridades que só o silêncio pode dar

num mar parado com todas ondas que há...

um grande poema sem ter verso algum

escrito num muro que não existe mais...

um grande beijo que eu não pude roubar

numa boca que nunca esteve por aqui...

é que eu nunca sei aquilo que quero

como se fosse uma ereção involuntária...


o colorido mais que súbito e imaginado

na velha televisão que era preto-e-branco...

a inusitada notícia de que nada aconteceu

neste último minuto que o mundo girou...

aquele doce que era o mais azedo deles

dentro da boca sem uma saliva alguma...

a mentira mais verdadeira que existiu

proferida pelo meu filho que não nasceu...

a violência que acabei nunca praticando

e que me deixou com inúmeras cicatrizes...


hoje só querem pratos mais enganosos

de um otimismo barato e sem gosto algum...

ficarem de joelhos em preces tão inúteis

até que as suas carnes comecem a doer...

o meu cão agora está roendo um osso

que fala mais do que qualquer um epitáfio...

aconteceu tudo aquilo que não deveria

num ineditismo totalmente programado...

é que eu nunca sei aquilo que quero

como numa cena pornográfica mais inocente...


(Extraído do livro "Farol de Nulidades" de autoria de Carlinhos de Almeida).

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