segunda-feira, 30 de março de 2026

Eu Estarei Lá (Obscuridade Brilhante)

Quando tantos idos não forem mais idos

E as músicas sem propósito pararem de tocar

Quando as respostas pararem seus sentidos

E todas as estrelas pararem o seu brilhar

E os espelhos tiverem todos já partidos

Eu estarei lá! Eu estarei lá! Eu estarei lá...


Quando os versos forem todos então lidos

E a plateia para aplaudir então se levantar

E houverem beijos públicos e até escondidos

Como os que ela nunca quis antes me dar

Quando cessarem esses ruídos nos ouvidos

Eu estarei lá! Eu estarei lá! Eu estarei lá...


Quando meus ossos mesmo se carcomidos

Alguma lembrança ainda poderem te dar

E alguns lances que foram mais divertidos

Vierem em nossa mente para poder brincar

Não chore por eu ter então apenas morrido

Eu estarei lá! Eu estarei lá! Eu estarei lá...


(Extraído do livro "Leonardo e O Chão" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Fundo Musical

Sem partituras

Apenas ruídos impactantes

E o primeiro pássaro do dia

Cantando do lado de fora.

Tudo estará azul

Até os lilases conflitantes

Que vão acompanhar

Tantos réquiens sem tino.

Eu engulo tudo

A minha saliva amarga

E todos estes versos

Que afinal nunca fiz.

Nenhuma pergunta

Todas as afirmações

Com dúvidas

Que existem sempre.

Um dia serei raiz

De uma pobre planta

Que nasceu por aí

E também morrerá.

Eis um menino na calçada

Tocando seu instrumento

Enquanto seu cãozito

Agradecia as moedas...


(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).

sábado, 28 de março de 2026

Pois Eu Sou O Filho

Pois eu sou o filho do passado

Que só acontecerá hoje...

Mastigo alguns cacos de vidro

Com a veemência de quem

Tatuou a fome em sua pele...

Ela era tão linda antes das rugas...

Agora o jornal amarelou de vez...

De que me adiantam as chaves

Se não existem mais portas?

Vou comprar uma corrente na esquina e já volto...

Permite-me uma observação?

Nunca guarde sorrisos para depois...

A fumaça nunca se prende em garrafas...

Por que os cães vivem tão pouco?

Isso é lógico! Não precisa nem perguntar...

Por que somos tão miseráveis?

Isso é basico! Qualquer resposta é excesso...

Esse barulho silencioso

Acaba ferindo meus pobres ouvidos...

Só roubarei beijos se forem emprestados...

Qualquer hora dessas voarei sem asas...

Ou será melhor usar pelo menos um par?

Todas as frutas acabam gostando do chão...

Ali em frente ao mar

Existem mesas de cimento gastas

Para o nosso maior desconsolo...

Só os que puderam envelhecer

É que pagaram o preço da vida...

Eu aceno distraidamente 

Como quem pede notícias vãs...

Acordei quase agora

Do sono profundo que não tive!

Masco chicletes imaginários

Que quase não me fazem falta...

Cada minuto é uma lâmpada queimada...

Estamos festejando o fim do mundo

Já faz é muito tempo!

Quer me conhecer realmente?

Me dê de presente outro terninho azul...

Ou aquele cocar de tantos carnavais...

Pois eu sou o filho do passado

Que só acontecerá hoje...


(Extraído do livro "Pane Na Casa das Máquinas" de autoria de Carlinhos de Almeida).

sexta-feira, 27 de março de 2026

Babilônialá

A lua correu nua pela rua...

Loucura geral,

Guerra de quintal,

Enterro no carnaval...


O passo foi o embaraço do espaço...

Caiu sentado,

Correu deitado,

Morreu à nado...


Com nome passou fome sem sobrenome...

Quase tudo,

Quase mudo,

Não me iludo...


Nunca mais tentar ter paz será demais...

Muita maldade,

Quase saudade,

Pouca verdade...


A lua correu nua pela rua...

Procura geral,

Folia de quintal,

Erro no carnaval...


(Extraído do livro "Farol de Nulidades" de  autoria de Carlinhos de Almeida).

quarta-feira, 25 de março de 2026

Babilôniali

Minha cabeça não está confusa,

É a minha alma que agora está...

Por que a vida dá gritos chamando

Se a morte nos levará qualquer dia?

Esta nossa conta nunca acerta,

Mesmo quando aprendemos...

Por que há tanta comida por aí

E são tão poucos os que comem?

Meu sono nunca se faz tranquilo,

É povoado de banais pesadelos...

Que destino é esse que nos maltrata

Se nem ao menos pudemos escolher?

Minhas feridas nunca irão fechar,

As cicatrizes são como lembranças...

Mas quem foi que apagou essa luz

Se nós ainda permanecemos na sala?

O sofrimento é uma piada sem graça

Que faz até os palhaços chorarem...

Que teoria louca poderá nos explicar

Exatamente o que não tem explicação?

Todos os carros agora passam apressados

Como se o tempo se importasse com isso...

Nesses dias de hoje não enxergam mais

Que certas pressas só causam desastres?

Minha cabeça não está confusa,

É a minha alma que agora está...

Por que a vida dá gritos chamando

Se a morte nos levará qualquer dia?...


(Extraído do livro "Farol de Nulidades" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Babilôniaqui


 Água amarga. Ejaculação precoce.

Espelho de lata. Cabeça entre as pernas.

Uma cortina de lençol na porta do quarto.

Acabou o sol quase agora.

Piercing no olho. Quentinha azedada.

Riso histérico. Sensação de nuvens.

Inventei uma nova forma de desespero.

Uma fogueira sob as águas.

Chá das seis. Escrita inculta.

Tapa nas ventas. Arame farpado.

Os canhões um dia irão desmaiar.

Um gole de absinto para mim.

Moqueca de gelo. Fumaça etílica.

Fila da morte. Ovos velozes.

Só sou louco quando eu respiro.

Morri quinhentas vezes.

Palavras iletradas. Patos caçadores.

Transando de tênis. Barulho furtivo.

Agora só sabemos o que não sabemos.

O cientista desaprendeu tudo.

Fila baiana. Estepes furados.

Casacos esfriantes. Beleza horrível.

Não tenho grana nem pro cigarro.

Esqueço quem eu não fui.

Fotografia para cegos. Diversão triste.

Tensão indomável. Pombos belicosos.

Nunca mais seremos de novo felinos.

A improvável beleza do ter.

Cantoria solitária. Dia improvável.

Vitória esfacelada. CrÂnio rachado.

Nunca se sabe de onde vem o vento.

Toda Babilônia é aqui...


(Extraído do livro "Farol de Nulidades" de autoria de Carlinhos de Almeida).

terça-feira, 24 de março de 2026

Ainda Não

Ainda não...

As mãos do poeta não ficaram imóveis

Desistindo de procurarem o verso ideal

Diferente dos que escrevi de forma inútil

Tentando mostrar as alegrias que não tive...


Ainda não...

Os olhos do poeta não estão fechados

Estão apenas arregalados na escuridão

Que eu teimo em chamar de vida

E que ela por maldade entortou um dia...


Ainda não...

A boca do poeta possui apenas um grito

Ou ainda um riso entre muitos gemidos

Como quem vem em passos firmes

Para colher rosas neste nosso jardim...


Ainda não...

A alma do poeta tem um rasgo de ternura

E esse pedaço que se fez de sobra

Mesmo que mais nada então reste

Poderá dançar pelas estrelas do céu...


Ainda não...

Eu Estarei Lá (Obscuridade Brilhante)

Quando tantos idos não forem mais idos E as músicas sem propósito pararem de tocar Quando as respostas pararem seus sentidos E todas as estr...