sábado, 5 de abril de 2025

Pássaro Pousado No Fio

Em muitos fios por aí,

Ventos frios, mesmo em dias de calor,

Em uma solidão feita de muitos,

O que passa os que passam lá embaixo?

A maioria das respostas não tem pergunta...

Os postes são as novas cruzes,

Acabam trafegando por eles - desenganos...

Ficar sereno, quieto feito o morto,

Talvez seja a única das saídas possíveis...

A festa acabou e não tem outra,

Eu sou o alvo de muitos tiros,

A mira para muitas pedras e gatos...

Em muitos fios por aí...

Cada fio é apenas um rio,

Um rio sem água e sem seca também,

Um dia tudo isso acabará...

Os fios, os postes, as ruas, as casas,

Acabarão todos os bichos e homens, 

É tudo só uma questão de tempo...

Só sobrarão lembranças estáticas,

Como estou agora aqui - pousado...


(Extraído do livro "O Espelho de Narciso" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Ando Em Tuas Ruas


 Ando em tuas ruas

Com pés que já não tenho mais...

Agora são asas, agora são asas!

Asas que só a imaginação pode ter...


Ando em tuas ruas

Procurando aquele rosto dela...

Já fazem séculos, muito séculos!

Cada dia contado em meus dedos...


Ando em tuas ruas

Como um pobre vira-latas faminto...

Eu nem mais uivo, não uivo não!

Não há nem jardim para me enterrarem...


Ando em tuas ruas

Como um demônio que veio te visitar...


(Extraído do livro "Muitos Dias Já Passaram" de autoria de Carlinhos de Almeida).

segunda-feira, 31 de março de 2025

Quem Caga Aí Levanta O Dedo

Passaredo, passaralho,

Vai pra casa do caralho!

Eu tou pobre, eu tou rico,

Tomo sopa no pinico!...


Menina do pentelho enrolado,

Não repare que eu tou cagado...

Seu grelo é tão comprimido,

Dá até pra ser dividido...


Passaredo, passaru,

Vai tomar no seu cu!

Eu tou velho, eu tou moderno,

Moro dentro do Inferno!...


Menino do rabo coçando,

Eu nem reparo se você tá dando...

Isso faz parte do teu ofício,

Na vida vale qualquer sacrifício...


Passaredo, passarilho,

Vai deitar em cima do trilho!

Eu falo merda, eu falo bosta,

Se escuta é porque gosta!...


Quem caga aí, levanta o dedo!...


(Extraído do livro "Maluqueci de Vez" de autoria de Carlinhos de Almeida).

New Chaos

Carpideiras morrendo de rir.

Policiais cometendo crimes.

Novos morrendo de velhice.

Fui abençoado com uma praga...


Ganhei um soco de presente.

O médico me receitou veneno.

Só me alimento quando durmo.

Minha inocência quer putaria...


Pornografia só na escola.

O gato se caga de medo do rato.

Ícaro agora só anda de jet-ski.

Mostre seu cu na rede social...


Bezerros alérgicos à lactose.

O assaltante ontem foi assaltado.

O defunto saiu correndo assustado.

Só transo com quem desconheço...


Nunca mais xingo porra nenhuma.

Nossa reputação parece uma lixeira.

Até o feiticeiro morrerá qualquer dia.

Estaremos prontos para o novo caos...


(Extraído do livro "Pane na Casa Das Máquinas" de autoria de Carlinhos de Almeida). 

domingo, 30 de março de 2025

Alguns Poemetos Sem Nome N° 340

Lembrar que não se lembra mais. Eis dias quase chuvosos ou não. Ser triste como um outro qualquer. As fogueiras se apagaram em algumas noites que não foram de São João. A solidão também sabe nos acompanhar. E a dor nos ensina alguma coisa. Palmas, senhores, palmas para quem soube ficar em silêncio às vezes...


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Todos os brinquedos quase sem graça

(Só a novidade tem verdadeiro encanto)

As manhãs são repletas de seu sono

(Muitos enigmas e todos eles à granel)

Hoje mais que nunca o nunca aqui está

(Os sonhos são pássaros desembestados)

Nunca ninguém saberá o que pensamos

(Pra falar a verdade nem nós mesmos)...


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Um poeta jovem me falou assim:

- Se você continuar só escrevendo como faz

Poderá morrer em extrema solidão...

Estás enganado, meu nobre e caro amigo!

Mesmo que ninguém leia uma só letra

O meus cantos atingiram todo o ar em volta

Toda eternidade dispensa aplausos da plateia...

Só a loucura pode valer alguma coisa...


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Eu nunca fiz um poema pra morte

Ela que faz algum todos os meus dias

E eu (por enquanto) me recuso a ler...

Queria outros beijos que não abismos

Mas eles fazem seu fiel delivery

E afinal precisam ser atendidos...

Meus versos não são o sangue que tenho

São todos eles as minhas próprias veias

Que pulsam por um coração que tem medo...

Eu nunca quis que a morte chegasse

Mas sei que um dia ela vai chegar

E será irrecusável a velha proposta de namoro...


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Trem sobre os trilhos...

Sonhos em nossas cabeças...

Nuvens para nos acompanhar...

Quem acendeu o dia?

Barcos cortando mares...

Acompanhamento de pássaros...

Flores para todos nós...

Quem apagou a noite?


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É hora da chamada

Nossa teimosia: Presente!

Como todas as estações

Que assim se repetem

Ou assim como goteiras

Quando chove:

Ping, ping, ping...


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Uma estrela? Não! Um verso...

Aquele que deveria ter escrito

Mas que não pude fazer...

Que deveria ter gravado

Naquela árvore da praça...

Ou marcado no coração

Até o final dos tempos...

sexta-feira, 28 de março de 2025

Vale O Que Não Está Escrito

Todo normal tem um quê de estranho

Tudo que é pequeno é de maior tamanho

Com as minhas mão estrelas apanho...


O que está escrito? Não vale!


Eu sempre corro no meio da escuridão

Tudo é apático sobretudo minha emoção

O carro da história só vai na contramão...


O que está escrito? Não vale!


A novidade já chegou mais ultrapassada

O que vale tanto é o que vale mais nada

Quando descemos estamos no alto da escada...


O que está escrito? Não vale!


Nossas calças jeans foram feitas de papel

Todo carinho pode ser também o mais cruel

Há muitos infernos que estão dentro do céu


O que está escrito? Não vale!


Uns falam de alegria enquanto eu de tristeza

É desesperante ir deitar sem ter sobremesa

Na maioria das vezes o caçador vira a presa


O que está escrito? Não vale!


Todo possível nasce do que é mais impossível

Meus olhos agora só acreditam no invisível

O automóvel só consegue andar sem combustível


O que está escrito? Não vale...


(Extraído do livro "Farol de Nulidades" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Inquisitionis II

Quem sou eu na fila do não?


Onde estão as meninas e os meninos?

Somos nós que escolhemos os destinos?

É de acordo com a bula ou é um atraso?

O fruto mais amargo será o do acaso?


Quem sou eu na fila do Cão?


Dar um soco na pedra também dói?

O maior dos covardes pode ser o herói?

Qual foi a roupa que o rato roeu afinal?

Nós podemos ir dançar sob o temporal?


Quem sou eu na fila do grão?


Posso colocar mais mostarda no salgado?

Quem é que sabe o que é certo ou errado?

Por que foi o fevereiro que engoliu janeiro?

Por que o último acabou sendo o primeiro?


Quem sou eu na fila do vão?


Será que morri e ainda não me deitei?

Tudo que ainda não vivi um dia viverei?

Quem morre mais: nosso corpo ou a alma?

Quem acaba traumatizando todo trauma?


Quem sou eu na fila do quão?


Sou chato porque faço perguntas demais?

Enfeitei teus cabelos com as flores astrais?

Vou acabar com o que acabou acabando?

Por que? Onde? Como? Será? Quando?


Quem sou eu na fila do tão?...


(Extraído do livro "Farol de Nulidades" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Pássaro Pousado No Fio

Em muitos fios por aí, Ventos frios, mesmo em dias de calor, Em uma solidão feita de muitos, O que passa os que passam lá embaixo? A maioria...