Lembrar que não se lembra mais. Eis dias quase chuvosos ou não. Ser triste como um outro qualquer. As fogueiras se apagaram em algumas noites que não foram de São João. A solidão também sabe nos acompanhar. E a dor nos ensina alguma coisa. Palmas, senhores, palmas para quem soube ficar em silêncio às vezes...
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Todos os brinquedos quase sem graça
(Só a novidade tem verdadeiro encanto)
As manhãs são repletas de seu sono
(Muitos enigmas e todos eles à granel)
Hoje mais que nunca o nunca aqui está
(Os sonhos são pássaros desembestados)
Nunca ninguém saberá o que pensamos
(Pra falar a verdade nem nós mesmos)...
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Um poeta jovem me falou assim:
- Se você continuar só escrevendo como faz
Poderá morrer em extrema solidão...
Estás enganado, meu nobre e caro amigo!
Mesmo que ninguém leia uma só letra
O meus cantos atingiram todo o ar em volta
Toda eternidade dispensa aplausos da plateia...
Só a loucura pode valer alguma coisa...
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Eu nunca fiz um poema pra morte
Ela que faz algum todos os meus dias
E eu (por enquanto) me recuso a ler...
Queria outros beijos que não abismos
Mas eles fazem seu fiel delivery
E afinal precisam ser atendidos...
Meus versos não são o sangue que tenho
São todos eles as minhas próprias veias
Que pulsam por um coração que tem medo...
Eu nunca quis que a morte chegasse
Mas sei que um dia ela vai chegar
E será irrecusável a velha proposta de namoro...
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Trem sobre os trilhos...
Sonhos em nossas cabeças...
Nuvens para nos acompanhar...
Quem acendeu o dia?
Barcos cortando mares...
Acompanhamento de pássaros...
Flores para todos nós...
Quem apagou a noite?
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É hora da chamada
Nossa teimosia: Presente!
Como todas as estações
Que assim se repetem
Ou assim como goteiras
Quando chove:
Ping, ping, ping...
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Uma estrela? Não! Um verso...
Aquele que deveria ter escrito
Mas que não pude fazer...
Que deveria ter gravado
Naquela árvore da praça...
Ou marcado no coração
Até o final dos tempos...