sábado, 29 de novembro de 2025

Um Poema de Janela Aberta

Janela aberta...

Manhã desperta...


Sinal evidente que o dia principia,

Temperatura alta ou ainda bem fria,

Cabeça com sonhos e a alma vazia...


Janela aberta...

Rua deserta...


No céu canta esse solitário bem-te-vi,

Falando de coisas que eu nunca nem vi,

Que qualquer hora dessas terei de partir...


Janela aberta...

Hora incerta...


Os primeiros barulhos vão então surgindo,

Bocas escancaradas de fábricas vão rugindo,

Sonhos de todos os homens vão então sumindo...


Janela aberta...

Alma alerta...


(Extraído da obra "Farol de Nulidades" de autoria de Carlinhos de Almeida).

quinta-feira, 27 de novembro de 2025

Alguns Poemetos Sem Nome N° 361 *

É uma valsa, um tango, um samba-canção,

Qualquer uma música qualquer,

Só, por favor, não parem...

Viver é dançar, mesmo se estando só,

Aqui no chão ou nas nuvens, tanto faz...


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Sentir teus cabelos é algo místico,

Sinto como o mago junto da fogueira,

Numa noite bem escura de ritual...

Beijar tua boca é algo trágico,

Eu perderei a noção de qualquer tempo,

Beijarei até o final de todos os tempos...


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Não há montanha mais alta que a minha tristeza,

Todavia, não há abismo mais profundo que a alegria...

Mesmo o palhaço chorando faz os outros rirem,

Mesmo que caia o pássaro tentará ir nas nuvens,

Mesmo que a lembrança fuja eu tento agarrá-la,

Mesmo que o coração pare meu sangue continua...


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Ela não deixou rastro nenhum na areia

(Deveria estar flutuando e eu nem notei)

Ela não deixou nenhuma prova do crime

(Esse crime de matar-me indo embora)

Ela não deixou nenhum ferimento em mim

(Cantou com total silêncio de seus olhos)

Ela não deixou sinal algum de coisa alguma

(Mas como bicho consigo seguir seu perfume)...


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Acabou de passar um carro de som

Aqui bem na minha rua,

Aquela voz satisfeita mesmo com nada.

Nunca se sabe quem vai comprar...

Será que ele aceita o trabalho

De ir bem na tua porta aos gritos

Pra te acordar e dizer que te amo?


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Nunca se sabe o que se quer

(Na verdade, nunca saberemos,

Dona Cecília tinha toda razão...)

Toda cor tem sua hora certeira

Atinge nossa retina e acabou...

Não saberemos aonde iremos -

Para o céu onde estaremos sós?

Ou para o inferno de quem amamos?...


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Eis que o vento que cessou está voltando

As velhas histórias continuam contadas

Os versos que perdi ontem achei no chão

Havia uma brasa acesa e a fogueira acendeu

A palavra dada será de uma vez cumprida

E os meus olhos vão brilhar de felicidade...

O Porco e O Sapato

Solo de cadeiras em papel de acrílico delirante

Explicações plausíveis em idioma algum 

Eu me pintei de azul para parecer com um nada

E preencho meu alguidar com bruxedos mil

O porco usa sapato ou o sapato é feito dele?


Estonteante musa bem mais vulgar de todos

Que balanceou as cadeiras e as mesas também

Eu mereci uma medalha por minhas más ações

Enquanto degustava biscoitos de polvilhos vis...


Posso tossir no mais completo dos silêncios

Como se a múmia do faraó sorrisse em desdém

Ele ainda continua um apreciador de coxinhas

O porco tem sapato ou o sapato tem ele?


Escolher um nome para figuras mais antigas

É como incinerar aquele seu sinal de trânsito

Que impede que nuvens passeiem pelos céus

Com a vermelhidão de carnes mais que brancas...


Ele merece um bom soco de arrancar os dentes

Simplesmente por tão simples mais que assim

Enquanto mostrarei aquele meu dedo do meio

O porco calça sapato ou é calçado por ele?


Quem manda para a puta-que-pariu que vá junto

Daremos um punhado de nozes aos desdentados

A tarefa mais difícil do mundo é ser o debochado

Enquanto roemos com insistência os nossos ossos...


Sorvete de baunilha para os soldados armados

Pilhagem diretamente ao vivo no jornal da tarde

Faça chuva ou não faça existe sempre nosso sol

Eu quero ir pra lugar nenhum mas estou sem grana

O porco usa sapato ou o sapato é feito dele?...


(Extraído da obra "O Livro do Insólito e do Absurdo" de autoria de Carlinhos de Almeida).

quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Carliniana CXXII ( O Chão Nosso de Cada Dia )

Meu copo cheio, quase transbordando

Só sei onde ando, mas não sei até quando...


Meu chão é seco, minha boca também,

Lamento o mal, mas lamento o bem,

A fera vem e não adianta mais correr,

Tudo aquilo que vive, vai um dia morrer...


Uma dor no peito, quase uma mágoa

Dessa que enchem os olhos com água...


Esse chão é pedra, caco de vidro, espinho,

Me deixe por aqui, vou pra lá sozinho...

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Carliniana CXXI ( O Vão Nosso de Cada Dia )

Não pense

Dispense...


Nem todas as flores florescem no jardim

Absurdos e mentiras pra você e pra mim

No fim do túnel estava todo tão escuro

E não havia mais nada além deste muro...


Não cante

Encante...


No nosso peito só cabe muita esperança

E na nossa mente só existe vaga lembrança

De um tempo que havia uma só primavera

Porque não havia chegado esta nossa fera...


Não grite

Limite...


Saí pela madrugada mas eu queria era o dia

Fiz cara séria mas o que queria era fantasia

E uma pintura em tons que já se esmaeceram

Enquanto todos os medos ainda permaneceram...


Não desespere

Espere...


Não posso assim me perguntar talvez mais nada

Todo o meu medo é como cair do alto da escada

Mesmo que não vejamos é assim que acontece 

A alma sofre e o nosso corpo junto também padece...


Não se iluda

Se cuida... 

terça-feira, 25 de novembro de 2025

Carliniana CXX ( O Não Nosso de Cada Dia )

Um piano tocando sozinho uma música silenciosa

Quase uma orquestra sozinha em praça pública...


É o louco gritando!

Cuidado para que não rompa correntes!

É o pássaro se debatendo!

Uma hora ele acaba fugindo da gaiola!

É o palhaço chorando!

Qualquer momento acaba saindo a pintura!


Um cego pedindo esmolas num canto de uma praça

Eu insisto em carnavais porque todos morrem...


É o amor sendo impossível!

Eu vou cair no chão mas assim mesmo me levanto!

É a paixão sendo dominada!

Vamos segurá-la pelos cabelos e não largá-la mais!

É a quimera sendo afugentada!

Nunca mais queremos ver sua cara enquanto vivos!


Qualquer paixão impossível pode então acontecer

Desde que haja alguma loucura suficiente para isso...


Eis o nosso grito de guerra!

Até quando a pomba da paz venha pousar sobre nós!

Cada dia é sempre mais um!

Mesmo se erramos na conta ou não tivermos mais dedos!

Existem muito mais nãos do que existem sins!

Mas é o que temos por agora e quase sempre teremos!...

Um Poema de Janela Aberta

Janela aberta... Manhã desperta... Sinal evidente que o dia principia, Temperatura alta ou ainda bem fria, Cabeça com sonhos e a alma vazia....