quarta-feira, 27 de maio de 2026

Deitados...

 

Estética da fome,

Apenas data, apenas nome

E eis que está tudo consumado

E o morto? Deitado...


Silêncio... Apenas dormindo,

O choro? Vem rindo,

A mais fatal das ironias...

Só anos, não mais dias...


Domínio do medo,

Nada na hora, tudo mais cedo

E uma canção feita de nada

E a morta? Deitada...


Silêncio... Vermes comendo,

O medo? Crescendo,

Sem poder escapar...

Ou morrer ou matar...


Estática new home,

Tudo quer, tudo consome...

E eis que os dias são consumados

E os mortos? Sempre deitados...


(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).

sábado, 23 de maio de 2026

O Grande Bá, Rato

Meu pato comprou um gato...

A vida? Bá! É um grande rato...


Come pão, rouba queijo,

Fala não, não dá beijo,

Escuridão sem ensejo...


Meu jato caiu no mato...

A vida? Bá! É um grande rato...


É agora, chorou Bebel,

É lá fora, "seu" coronel,

Dá esmola, põe no chapéu...


Meu fato é só boato...

A vida? Bá! É um grande rato...


Se bebo, perco a razão,

Se recebo, vem com um não,

Não percebo, só na escuridão...


Meu desacato é disparato...

A vida? Bá! É um grande rato...


Eu nunca uso, só meu terno,

Eu só abuso, lá no inferno,

Está concluso, tão moderno...


Eu sou grato por esse contrato...

A vida? Bá! É um grande rato...


(Extraído do livro "Insano" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Tem Uma Sopa Na Minha Mosca

 

... pois até Pessoa veio em pessoa

dizer que a minha pessoa

não era uma boa pessoa...


Amanhã tem pastel na feira

e antigos bordados no papel

com agulhas sem pontas...


... e Pedro, o grande candango

ficava nu dançando tango

enquanto chupava seu mango...


Aquele coelho que não era

não corre mais pra se esconder

na casinha no meio da festa...


... e a Graça veio sem graça

contar que a minha pirraça

estava chorando na praça...


Todos os fios agora brancos

e as rugas cantando em coro

mesmo que não queira tal coisa...


... e o Poeta da éterea mas concreta

poesia abandonada e discreta

recebia a seta de forma direta...


Tem uma sopa na mosca e acho que sou eu...


(Extraído do livro "Insano" de autoria de Carlinhos de Almeida).

sexta-feira, 22 de maio de 2026

Minimalismos 10

Puta


É ofensivo?

Ofensivo é regular a arte

Algoritmo maldito

Né Sá Putinha?


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Nada Mais


Nada mais nos interessa

Só sonho.

Mesmo com pés no chão

Sonhamos.

Nada mais...


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Quintal


Foi bem

Antes

Do vendaval...


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Bem Antes


Bem antes

Do que o que assim se foi antes

Havia um menino...

Bem antes

Do que o que assim se foi antes

Havia uma árvore...

A árvore morreu

E o menino quase ainda...


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Fama


A fama caiu na lama

Essa mesma fama que se vende

Para tudo aquilo que rende

A fama caiu da cama...


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Barro Vermelho


Nem sempre se lembra

Nem sempre se esquece

Tudo é digno de ser lembrado...


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Os Beijos


Todos os besos

Têm seus pesos...

Assim...

 

quarta-feira, 20 de maio de 2026

Exposições

As nádegas brancas dele

Que o sol nunca vê

Mas os olhos de qualquer sempre...


Como as ruas são assim?

Os gatos são testemunhas...


As tatuagens vulgares dela

Que fez quando drogada

No despero constante e sereno...


A vida é um monte de lixo?

Somos todos habitantes...


Uma família mais que falida

Em tudo e ainda mais sobretudo

Quando os tiros atingiram pulmões...


Adiantou filósofos chorarem?

Pensar agora não é opção...


Para o mudo uma palavra só

Compreendida ou não

Foge da boca e não retorna...


Para que céu foi meu cão?

Espero que lá não tenha humanos...


As nádegas brancas dele

Que o sol nunca vê

Mas os olhos de qualquer sempre...


(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).

terça-feira, 19 de maio de 2026

Quase Quase Sem Fôlego

Carros agora inexistentes levam à lugar nenhum

Enquanto meu pânico vai aumentando pelos dias...


Queria eu ser mais nada do que simples versos

Que ficassem em simples papéis amarelados

Guardados numa velha gaveta bem esquecida...


Eu conheço os barulhos que todos os dias possuem

Mesmo quando usam pés de silêncio para sua rotina...


Parece um milagre eu estar vivo nesse exato instante

Mesmo que as rugas inundem o espelho do banheiro

E eu exerça o ofício de esquecer mesmo que doa muito...


Minhas pálpebras tremem de um nervosismo calado

E minhas mãos colaboram com isso sem nada fazerem...


Quero qualquer dia desses comprar uma toalha nova

Para fazer uma capa de Super-Homem e sair voando

Não é necessário de habilitação para fazer tal prodígio...


As paredes do meu quarto sabem guardar muita coisa

Especialmente aqueles que não aconteceram e não irão...


Todos os segredos foram feitos para dançar pela rua

Inventando um novo carnaval quase meio fora de época

Enquanto estou inteiro bêbedo sem beber um gole sequer...


Faço um cálculo quase matemático ou quase profético

Que o mar está no mesmo lugar com todas as marés...


As garças que imploram peixes para os pescadores

São mais felizes que do nós os pobres seres humanos

Vão morrer cegas enquanto nós vivemos até o nosso fim...


Fumo um cigarro atrás do outro feito simples suicida

Porém sei que há vícios que podem ser bem piores

Um deles é achar que as multidões terão pena de nós...


Estou agora quase quase faltando aquele meu fôlego

Que a vida toda sofreu e acabou reclamando de mim...


(Extraído da obra "O Livro do Insólito e do Absurdo" de autoria de Carlinhos de Almeida).

segunda-feira, 18 de maio de 2026

Poemisco (Poesia Experimental)

 

Eu corro risco

De ficar arisco

Feito um pitbull

Eu perco feio

Caí bem no meio

Desse only you


Eu corro risco

De chorar com cisco

Lá na Zona Sul

Eu sou bem feio

Não tem nem meio

Vai tomar no cu!


(Extraído da obra "O Livro dos Méritos" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Deitados...

  Estética da fome, Apenas data, apenas nome E eis que está tudo consumado E o morto? Deitado... Silêncio... Apenas dormindo, O choro? Vem r...