sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Cococa (Miniconto)

Cococa era um brinquedo valente. Foi achada na praia sem os olhos. Sua dona, a Vanessa, não conseguia falar Mococa, aí ficou Cococa mesmo. Mamãe achou dois botões e colocou no lugar. Ficou até legal, complementavam o sorriso que estava eternamente em seu rostinho. Vivia pra cima e pra baixo na mão de Vanessa. Até o dia que aquela vagabunda com os dois cachaceiros aproveitaram que todo mundo foi passear e invadiram onde moravam. Era um salão onde um dia era forró. Nenhum vizinho tomou providência alguma (isso quem viu, claro). Levaram as compras, algumas roupas (outras rasgaram) e as panelas amassaram para inutilizar... Acabaram levando a Cococa embora. Mas destino é destino, sabe? Por onde andou aquele traste gente, a vaquinha foi junta. E passados uns vinte anos, não me lembro por qual motivo, foi devolvida. E aonde ela está agora? Está na casinha simples de comunidade onde mora Vanessa, o marido e os três filhos. Dizem que alguns brinquedos são até felizes, Cococa depois de tanto sofrimento deve ser um deles...  

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Traditio

Brindes de vinagre e bastante sal.

Fazer cara feia é apenas um hábito.


Os escravos de Jó queria apenas pó.

Uma ameixa para quarenta idiotas.

Eu sou o meu terror pelas madrugadas.

Todos são livres para fazerem merda.


Qualquer vertente carece de origem.

Me disfarcei de sexta-feira anteontem.


A vergonha agora é motivo de orgulho.

A putaria tem salutar efeito moralizante.

Diga logo aos carneiros quem são bodes.

É que temos graça em qualquer desgraça.


Eu só tomo café agora por via intravenosa.

Se um dia evoluirmos viraremos macacos.


Me dê trinta dias que eu lhe faço um mês.

Surgiu uma banda de rock só de violinos.

A única solução plausível é ter nenhuma.

Um vampiro nunca conhecerá o outro.


No Inferno existe faxina com frequência.

Bolos nas mãos servem para parabéns.


Todo passado é o começo de todo o fim.

Raramente a fama não persegue o money.

Ela sempre comia biscoitos maquinalmente.

Cada verso acaba perseguindo as estrofes.


Na loteria do cão o vencedor foi o gato.

Ontem mesmo esqueci que tinha amnésia...


(Extraído da obra "O Livro do Insólito e do Absurdo" de autoria de Carlinhos de Almeida).

Doces, Chinelos e Leques (Um Poema de Pobreza)


 Vamos comemorar a simples destruição

Que o tempo vem fazendo desde que é tempo

Medido em areia ou sombras ou nas telas...


Mostrar uma falsa esperança que inexiste

Porque como sonhadores por profissão

Esta é a nossa tarefa como quem enxuga gelo...


Comida feita para não ser nunca comida

Champanhe aberta para não ser bebida

Roupa nova para encobrir nossa feia estética...


Banquete etílico, meu senhor, banquete etílico

Mesmo quando uma gota de álcool não vai na boca

E a brisa leve não é mais do que simples vento...


Onde estão as alegrias que rebentaram ontem?

Hoje alguns miseráveis dormem e outros não

Apesar de que cada um tem um quê de miserável...


Ontem foram vendidas novidades já esperadas

Doces e chinelos e leques para a falsa elite

Tudo num lindo branco de cor cinza-carvão...


Hoje a sujeira do mundo espera quem limpe

A esperança no formato de um falso carnaval

Esperando todas as tragédias possíveis...


(Extraído do livro "Escola de Mortos" de autoria de Carlinhos de Almeida).

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Surfando Entre Gatos e Ratos

Rabos de letras. Ossos de boi.

Felicidade de dentes. Hostilidade sã.

Cores insólitas. Inexistente razão.

Apelido inédito. Carimbos calmos.

Rainha do nada. Valete duvidoso.

Eu nunca. Caí galopando...


Ontem eu tive um surto agora...


Afinidade apática. Insônia sonolenta.

Tonelada de plumas. Riqueza pobre.

Honestidade duvidosa. Morte recente.

Lamento imperativo. Medo impetuoso.

Sabedoria etílica. Taça renal...


Minhas quartas têm cara de quinta...


Descubra limbos. Vulvas adicionais.

Sorvetes melancólicos. Saudade geral.

Economia master. Mecânica sutil.

Chá das seis. Supercílios anônimos.

Bola de grude. Anel de doce...


Sofro de um anacronismo tão severo...


Copacabana é minha. Chapéu de mouro.

Explicação barata. Velozes e curiosos.

Musa psicopata. Esperto otário.

Sexo urgente. Redenção perdida.

Beijos troianos. Carícias de Isabel...


O arado torto agora estava quase reto...


Saciedade social. Laranjas desérticas.

Sapato andarilho. Rock regressista.

Masturbação coletiva. Dúvida dívida.

Canecas furadas. Tradicional novo.

Carteado sem baralho. Felicidade triste...


Os fantasmas possuem tanto medo de mim...


(Extraído da obra "O Livro do Insólito e do Absurdo" de autoria de Carlinhos de Almeida).

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Qualquer Um Destes Céus Por Aí

Pássaro vagabundo

com asa ou não,

com asa ou não...


Sem dia certo,

sem hora exata,

qualquer parte serve...


Manhã,

tarde,

noite,

madrugada...


Desde que sonho,

e sonhe

e sonhe...


Longe de muros e perdas,

de homens e guerras

e guerras

e guerras...


Como fumaça voando

e subindo

e subindo...


Mãos nos bolsos

sem os bolsos

para sempre...


Não mais como pombos

e sem armadilhas...

Alguns Poemetos Sem Nome N° 365 *

Não me culpem,

Uma série de fatores acabou contribuindo

Para que eu fosse infeliz

Como todo ser vivente é,

Variando apenas a frequência e a intensidade...

Alguns nem tiveram tempo pra isso

O que acaba sendo uma forma também...

Sonhos que realizei foram poucos, tão poucos...

Não me culpem,

Deixe que eu mesmo faço isso...


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Todo carnaval é um pouco inocente, sabe?

São quatro dias que porque sei lá que conta

Alguém calculou e disse: São esses!

Eles não tiveram culpa de nada do que acontece...

Era só pras pessoas saírem dançando e brincando

Sem motivo algum e até quem sabe

Fazer isso pelo resto do ano até o próximo...


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Nos tempos que eu não sabia nada

Queria saber tudo...

Muitas coisas não aprendi

E nem vou aprender mais...

Voar com asas que não tive...

Ir em terras que não conheci...

Falar em línguas que não aprendi...

Beijar em bocas que nem cheguei perto...

Acabou tudo passando...

Hoje sei de muitas e muitas coisas

Só não quero saber de nada...


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Meio tempo, meio nada

A fórmula do sucesso foi errada

Mesmo assim teimamos

E algum jeito encontramos

Não em frases soltas

Mas em águas revoltas

Mesmo num dia que acabaria


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Eu me concentrei em coisas mais importantes

(Mesmo que talvez não tão imediatas)

Afinal, eu mesmo meço o tempo que tenho...

Quantas gramas de solidão terei que jogar fora...

Quantos gestos de ternura ainda faltam fazer...

E ainda quantos passes de mágica precisarei

Para qualquer um destes céus por aí...


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Sempre é cedo demais pra jogar fora a esperança,

Sempre é cedo demais pra se cansar de viver,

Mesmo que isso pareça ser loucura...

Sempre é cedo demais pra poder correr da raia,

Sempre é cedo demais pra se dar por vencido,

Mesmo que isso pareça o inverso...


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Eu quero um grafismo mais novo

De desenhos coloridos que nunca fiz

Não me importa se haverá retas tortas

Ou se precisarei de paredes para telas...

Se vai haver IA ou não pouco importa...

Desde que sobre algum pedacinho

Que possa chamar de minha alma...

POESIA GRÁFICA XCVI *

A VULVA DELA

A VULVA BELA

A VULVA JANELA

A VULVA AQUARELA

A VULVA NAQUELA

A VULVA APELA

A VULVA PELA

A VULVA DELA...


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CARRINHO DE ROLIMÃ

CARRINHO DE HORTELÃ

CARRINHO DE AMANHÃ


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a CURIOSIDADE matou O gato

A curiosidade MATOU o RATO

a CURIOSIDADE matou O pato

A curiosidade MATOU o FATO

a CURIOSIDADE matou O jato


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seis horas

seis horas

seis horas

seis horas

UM DIA INTEIRO!


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O MUNDO ESTÁ CHEIO

O MUNDO ESTÁ MEIO

O MUNDO ESTÁ FEIO

O MUNDO ESTÁ CREIO

O MUNDO ESTÁ CHEIO

DE ROSAS DANINHAS...

Cococa (Miniconto)

Cococa era um brinquedo valente. Foi achada na praia sem os olhos. Sua dona, a Vanessa, não conseguia falar Mococa, aí ficou Cococa mesmo. M...