Eu hoje acordei tipo acordando
Procurando restos de beijos sobre lençóis
Mas não encontrei mais nenhum...
Era um dia frio como qualquer verão
Desses que a gente tem medo de rir
No meio do todo nosso choro...
E quis ser famoso que nem novela
Mas a vida se parece com um depósito
Onde recordações são objetos quebrados...
Chamei seu nome mais uma vez
Mas o vento era surdo como uma janela
Que se fecha para tudo que nos é caro...
A mentira é como uma roupa nova
Que se quebra logo na primeira chuva
Enquanto tenho febre porque melhorei...
Todo poeta é mais um cão sem dono
Que nunca sabe se tem fome ou tem sede
E vigia as madrugadas com seus uivos...
A beleza dela era ilusória feito bondade
E os meus passos agora todos controlados
Por qualquer uma maldita rede social...
Talvez eu pense numa música tão famosa
Que enxerguei como uma ponta de cigarro
Que catei na rua em um dia mais vagabundo...
Todo sacrifício é uma aventura desnecessária
Porque o herói da trama está de folga
E o vilão aproveita para incendiar o circo...
Um livro velho ainda é apenas um livro
Mas com um sonho não acontece isso
Pois um sonho antigo acaba virando pesadelo...
E aquele beijo que você nunca me deu
Naquelas tardes tão bonitas que agora inexistem
É apenas a impiedade de quem me matou...






