Blusas de lã de carneiro sintético
Castelo sem reboco da rua Paris
Disputa mundial por um nada
Minhas besteiras todas têm sentido
Ela queria se atirar da ponte
Mas acabou mesmo foi voando
Mesmo quando era solitária
Seus sonhos faziam um bando
Trememos quando for necessário
Nosso crime não tem pista alguma
Minha carteira de monstro atropela
Nossa sandice é a mais indicada
Pois ele rolou pela suja calçada
Se sujou com o óleo queimado
Gritou impropérios à granel
E quase que ficou foi pelado
Me mandam áudios que não ouço
Alguns se viciam em adrenalina
Toda normalidade não é normal
Assim como palavras deste lixo
A luz do lampião não está acesa
O fogo nunca mais se acenderá
Tenho ainda muito o que fazer
Mas mamãe eu quero é mamar
Glória à todos os que erraram
Um cigarro à mais que eu quero
Só quero azul se não tem azul
Febre só de cinquenta pra lá
O meu feijão foi pra geladeira
Menino é menino se for menino
Semana passada teste nuclear
Tem pouco pão e nenhum ensino
Fui tomar cerveja lá no inferno
Os tira-gostos eram as brasas
No nosso saleiro tem açúcar
Quero fazer a barba no facão
Gozei pensando em carícia morta
Estabeleço as regras disciplinares
Parei pra ver a banda que não passa
Ele usa luas ao invés de malabares
Vou morar num prédio assombrado
Vamos falar deste mesmo assunto
Comer foi feito pro ser o tempo todo
Muito prazer eu me chamo ninguém
Pegamos uns doces na encruzilhada
No pico da Neblina só terá mais sol
O soldado não foi mais na guerra
Morreu foi num domingo de futebol
Toda coisa é somente uma coisa
Quem tem filho careca é o rato
Coma um livro e leia uma cocada
A baiana do acarajé é do Paraná
Hoje Cíntia fez seu desaniversário
Que Deus a tenha em qualquer lugar
Eu posso dormir em qualquer mesa
Mas de preferência em uma de bar
Deliciosas pipocas assadas na lenha
O seu rabo parece mais um pandeiro
Compro sua alma se for bem barata
Um mero instante para um sequestro
Vá tomar café na lama do chiqueiro
Limpe o seu cu com papel reciclado
Nada foi feito pra poder dar certo
Até meu olho que já foi trocado
Blusas de lã de carneiro sintático
Castelo sem reboco da rua Chile
Disputa mundial por um nada
Minhas besteiras todas têm sentido...
(Extraído do livro "Insano" de autoria de Carlinhos de Almeida).