Muito sal, muito igual, muito mal.
Não sabemos de onde viemos, porque nascemos, porque morremos. É tudo um samba-enredo mal ensaiado, que nos dá medo, caso encerrado...
Muito sal, muito cabal, muito anormal.
Não queremos o que comemos, mas comemos, é tudo o que temos. É tudo uma lição que não se aprende, só o sonho insiste e não se rende...
Muito sal, muito legal, muito boçal.
Não espera a nossa espera, apenas desespera essa quimera, sem primavera. Nossos pés estão doendo, nada mais estamos vendo, fico quase cego e não nego...
Muito sal, muito geral, muito global.
Não se mata, nem se morre, apenas é o herói que corre. Nossa alegria, valentia ou covardia, estamos no escuro, atrás do muro, acenda logo o dia...
Muito sal, muito mingau, muito canal.
Não há dança, só há esperança, que algo alcança, não mais criança. Fazemos rima, abaixo ou acima, quase nada prima, às vezes desanima, mas é que tem, quando vem...
Muito sal, muito animal, sem carnaval...

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