Nada demais,
Só a biologia cumprindo seu papel,
O que somos - mais um enigma barato,
Mais um conjunto de planos falhos,
Eis a respiração de várias poeiras,
Nem se sabe o que deveria acontecer...
Nada demais,
Fotografia inerte de alguma lápide,
Samba-enredo em forma de epitáfio,
Comédia que faltou todas as risadas,
Um reino vago sem rei e sem súditos,
Uma pergunta pra não ser respondida...
Nada demais,
Quarto vazio que a poeira invadiu,
Prato quebrado esperando a comida,
Bunda de fora que quase ninguém notou,
Realidade baseada em fatos irreais...
Nada demais,
A ida pela contramão quase sempre,
Dias de chuva pra quem ia passear,
O gás acabou logo na hora da janta,
Eu acabei esquecendo qual o meu nome,
A internet caiu na hora que precisava...
Nada demais,
A mosca estava dentro do copo e brindamos,
Todo feriado acaba vindo com sua tristeza,
Há muitas coroas de lata coroando por aí,
Estrelas de cinema vindo do céu aos montes,
Um grande vazio pode estar cheio de nada...
Nada demais,
Piratas que possuem alergia ao oceano,
Canalhas ajeitando o nó da gravata sorrindo,
Distribuição de peixe podre pelo candidato,
A baiana do acarajé caprichou no óleo de soja,
Só consigo dormir quando estou acordado...
Nada demais... Nada demais...
(Extraído do livro "Farol de Nulidades" de autoria de Carlinhos de Almeida).

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